Porque tem dia que dói…

Como levantar da cama quando a primeira coisa que vem à cabeça ao abrir os olhos é um sofrimento? Ao invés de começar logo o dia, sua única vontade é de chorar. Ou você não chora, mas fica estático, imóvel, como se não houvesse nada lá fora importante o suficiente pra te tirar da inércia e seguir em frente. Talvez você até consiga tomar banho, se vestir, tomar um café, mesmo que tudo pareça indiferente. Mesmo que seja automático e com um vazio no peito difícil de explicar.

Não tem jeito. Por mais alegrias que a gente encontre no nosso caminho, a dor também faz parte dele. Minha avó materna repetia muito o ditado “depois da tempestade sempre vem a bonança”. O duro é que depois da bonança, a tempestade, teimosa, retorna. É o ciclo natural da vida, sim. Mas como fazer o coração (e mesmo o corpo) compreender que, simplesmente, faz parte? Porque tem dia que dói… E dói tanto que a dor chega a ser física. Falta o ar direito. Falta força pra arrumar a postura. Falta vontade de andar, de comer.

Dói ver alguém que você ama doente. Dói ser obrigado a dizer adeus quando perdemos para a morte. Dói ser enganado, ver a mentira jurada como verdade, a palavra que deveria ser sincera sendo dissimulada. Dói ser alvo de injustiça (e ver injustiças). Dói saber que aquela não será mais a sua mesa de trabalho. Dói ver o dinheiro faltar (especialmente se há filhos para criar). Dói o fim do que parecia ser perfeito. Até aquele último e-mail, mensagem, que você mandou e nunca foi respondido, confirmando como sentimentos podem ser descartáveis. E quando alguém se distancia quando você mais precisa? Dói, pelos mais variados motivos e das mais diversas formas. Os arrependimentos, as decepções, as perdas em geral, as saudades…

Mas como me disse um amigo, quando eu me sentia muito triste: “Tem dia que dói. Sei bem como é… Mas não precisa doer todo dia e nem o dia todo. Momentos assim ajudam a colocar tudo numa outra perspectiva.” Eu acrescentaria que ajudam a moldar nosso caráter.

Então, se a dor é inevitável, que ela nos leve a compreender que sua dura presença não passa de uma transformação. E que ela só está ali para darmos mais valor quando o lado bom chegar novamente. Porque tem dia que dói. E é melhor assim. Conheço uma pessoa que diz: “Nunca tive grandes alegrias, mas também nunca tive grandes tristezas.” Nada pode ser mais triste do que passar neutro pela vida, sem emoção. Por isso, que venha sempre a dor para entendermos de verdade a felicidade.

Crédito da imagem: Kit Básico da Mulher Moderna (de Renata Maneschy)

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