Minha preguiça dos pseudointelectuais

Quando vi, eu estava aos prantos. Não acompanhei a novela “Avenida Brasil” do começo ao fim. Eventualmente, assisti a um capítulo ou outro. Mas era tanta gente comentando a história em todo lugar que nem tinha como não saber o enredo. E ficar curiosa. Os dois últimos capítulos, claro, não perdi – assim como, me pareceu, o país inteiro, de Norte a Sul.

Me emocionei. Achei demais a moral da história no final: errar é humano, perdoar é divino (sem trocadilho com o nome do bairro fictício, juro!). Me tocou, em especial, porque eu acredito que tem que ser assim mesmo. Quem nunca fez suas besteiras? Tudo bem que a Carminha aprontou o diabo. A maioria das pessoas não seria capaz de tanta maldade e… será? Olha que deve ter tanta Carminha e Santiago (o pai dela) por aí…

Também acredito que, uma hora, por mais que demore e seja complicado, perdoar é a melhor saída. Não significa ser trouxa e trazer de volta ao seu convívio alguém que te machucou sem pensar nas consequências – que foram péssimas. Mas eu acho mesmo que é a saída pra gente seguir em frente, confiar de novo.

Mais difícil pra mim do que deixar pra lá a mancada de alguém (pode me chamar de boba) é aturar pseudointelectuais. Que gente chata. Dia de final de novela eles sempre vêm à tona nas redes sociais. “Novela não serve pra nada”; “Novela só mostra imagem distorcida da realidade brasileira”; “Como um país para pra dar dinheiro pra Globo, que ganhou bilhões de reais só pelos comerciais nos intervalos?”; “É um povo alienado”.

Cá entre nós, como disse uma amiga minha: “Quem será que salvou o planeta das 21h às 23h daquele dia?” Provavelmente, não os que estavam reclamando. Claro, todo mundo tem o direito de não gostar, de dar sua opinião, mas jamais classificar de imbecis quem se reuniu pra torcer no final de uma obra de teledramaturgia que é sim cultura! Um produto cultural muito bem feito, inclusive.

E discordo completamente de quem diz que novela é alienante. Talvez pra você, que vive no seu mundinho elitista, com outros meios de informação facilmente à disposição. Mas muita gente já aprendeu, por meio dessas histórias, sobre a realidade de crianças desaparecidas, da necessidade de transplante de órgãos, de como é lidar com um câncer como a leucemia, só pra citar alguns exemplos que lembrei agora de cabeça (nem olhei no Google).

Tenho, de verdade, preguiça de pseudointelectuais. Gente que se acha demais e adora fazer qualquer pessoa se sentir ignorante com suas escolhas culturais. Meus caros, eu leio Lèvi-Strauss e Max Weber. Isso não me impede de ir às lágrimas vendo a Carminha se regenerar. No fundo, qualquer ser humano saudável tem uma parte do coração bem popularesca. E se você não tem… acho que tô com o pé atrás em relação a nossa amizade!

Quem não é capaz de se emocionar ou se divertir com o que é simples geralmente é problemático. Pode reparar. Qual o drama de deixar uma música de um Michel Teló ser hit de verão, tocar em tudo quanto é festa, fazer a galera dançar? Porque pra dançar, pular, rir junto com os amigos, a letra, que eu saiba, não precisa ser nenhuma poesia. “Gangnam Style”, do cantor sul-coreano PSY, tá aí pra comprovar minha teoria. É engraçadão, cativante e ganhou o mundo.

E pra dar mais um exemplo do que os intelectualóides adoram detonar: autoajuda. Poxa, quando a tristeza chega, vai dizer que a frase mais batida do universo que está no livro de autoajuda não é o que acalma? Por mais óbvia. Porque, às vezes, o sofrimento é tão grande que não é possível enxergar esse óbvio, não. Um livro desses pode, sim, ser uma ajuda imediata. Superficial com certeza, mas que leva muita gente a procurar outros caminhos que auxiliem a superar um momento difícil.

Vamos parar de julgar um pouco! Tira essa pose, acompanha a novela e pega aquela obra com o título “A felicidade está perto”. Pode dançar e cantar “eehhh, sexy lady, oh, oh, oh, oppan gangnam style” nem que seja escondido. Mas tudo bem, se você insiste tanto em manter as aparências… Azar o seu.

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