Pelo meu direito de envelhecer de All Star

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Minha idade não está no meu rosto. Aos quase 34 anos, que completo daqui pouco mais de dois meses, é normal as pessoas me darem uns 26 anos, em média. Se meu cabelo estiver preso num rabo de cavalo, rejuvenesço mais um tanto. É uma característica de grande parte das mulheres da minha geração. E dos homens também. Graças a filtro solar, cosméticos cheios de tecnologia, a consciência da importância de alimentação equilibrada e de exercícios físicos, parecemos mais jovens do que quando nossos pais estavam na mesma fase, por exemplo.

A aparência, porém, só disfarça as ações do tempo, que estão sim afetando o corpo. Aquela história de que o metabolismo desacelera depois dos 30 é uma grande verdade. Como fica mais difícil emagrecer! Emendar quatro (ou mais) noites seguidas de baladas até 6h da manhã sem grandes reflexos no organismo ficou na lembrança dos tempos de faculdade e no começo da nossa década de 20. É bem capaz de vocês me encontrarem numa festa sentada num canto, lutando contra o sono, quando for umas 2h da manhã. No passado recente, esse era o horário que a alegria tava só começando!

Meus primeiros cabelos brancos apareceram em junho. E viva a tintura ruivo acobreado tom 8.4!!! Mas nada me faz pensar mais num “é, Suzane, você não é mais exatamente uma garota” do que varizes e vasinhos que insistem em riscar minhas pernas em tons esverdeados e arroxeados. Justo elas, que eu sempre gostei tanto, torneadas por anos de balé… Por enquanto, com a ajuda do médico vascular, vou vencendo meu problema de circulação (que causa cansaço, inchaço) e disfarçando com bastante eficácia seus reflexos desagradáveis. Mas sei que um dia serei vencida…

E acho que só agora consigo entender o que uma dermatologista, que foi minha fonte constante nos anos em que fui repórter de saúde, me disse quando a questionei por qual motivo não revelava a idade de jeito nenhum. “Nossa sociedade é preconceituosa demais, inclusive com a idade. Porque você pode ser jovial no jeito de vestir, nos seus gostos, no seu comportamento. Mas se souberem sua idade, automaticamente, te apontam como alguém ridículo, que não sabe seu lugar no mundo”.

Nunca vou esconder a idade. Continuo achando isso um exagero. Só que numa sociedade que julga tanto pela aparência, a postura da doutora faz sentido. E o mais curioso é que julga nos dois extremos. Tem gente que te cobra uma eterna cara jovem e saudável. É como se disso dependesse seu sucesso na vida. É a cobrança mais comum em metrópoles. Do outro lado, tem gente que cobra uma atitude condizente com a idade real que você tem (e não que aparenta). Isso é mais comum em cidades menores. É o tipo de preconceito que atinge a mim e a amigos meus mais constantemente.

Ter 34 anos e ainda não ser uma moça casada e com filhos. Curtir a vida com meus amigos (mesmo que eu não passe das 2h da manhã). Viajar sempre que me der vontade. Usar Melissa e All Star. Me permitir uma vida com mais liberdade do que a maioria se permite (e isso nada ter a ver com irresponsabilidade). Sou jovial, digamos assim, nas minhas atitudes não porque eu faço uma personagem. Mas porque eu sou assim. Gosto de dar risada. Gosto de dançar. Gosto de usar biquini. Gosto de brincar com as pessoas. Gosto de conversar com gente diferente de mim. Gosto de ser aquilo que o meu coração diz que é o que me faz bem. Não aquilo que as pessoas esperam porque cheguei a determinada idade.

Defendo meu direito de envelhecer de All Star não porque eu sofro da síndrome de Peter Pan. Ser jovem, em qualquer idade, não significa falta de maturidade. Significa que, na verdade, você tem maturidade suficiente pra agir com seriedade quando necessário sem esquecer que a vida tem muita coisa boa pra aproveitar. Que padrões determinados pela sociedade nem sempre (na real, praticamente nunca) são o que te fazem mesmo feliz. E nada pode ser mais careta do que viver de aparência, seja lá pra parecer o que for.

Crédito da imagem: Ana Flora Toledo

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6 respostas em “Pelo meu direito de envelhecer de All Star

  1. Concordo, Suzane. Acho que não há por que seguirmos uma conduta de vida relacionada à idade, só porque a sociedade determina um padrão. O importante é termos certeza de que, seja qual for o caminho, ele nos traz felicidade.

  2. Essas regras de idade que a sociedade quer nos impor não faz sentido para mim. Estou com 19 e desde os 13 anos escuto as pessoas dizerem o que eu deveria estar fazendo só por estar com uma idade x. Tenho várias amigas que sofrem horrores por já terem passado dos 20 e ainda não saberem que profissão escolher.

    Você não tem que ser forçar a fazer algo que não queira só porque está de idade de fazer isso. Você tem que se sentir feliz e bem com suas decisões.

    Adorei o post 🙂

    • Esse é o espírito, Mari! É melhor esperar para tomar as decisões que mais fazem sentido para o nosso coração do que seguir o fluxo. Ser verdadeiro consigo mesmo é uma das coisas mais importantes da vida… 🙂
      E brigada por acompanhar o blog! Bjão

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