Nem sempre é fácil. Mas, ainda assim, é Natal

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Muita gente não gosta do Natal. São pessoas que ficam sensibilizadas por lembrarem que há quem não tenha uma mesa farta para festejar e nem possa trocar presentes entre os seus queridos. Ou que recorda todos aqueles a quem já foram obrigadas a dizer adeus, que não estão mais aqui.

Do outro lado, fica o pessoal que ama essa festa, que é (para eles) sinônimo de família reunida, alegria, amor. Fazem questão de celebrar, de enfeitar a casa, de não deixar ninguém sem pelo menos uma lembrancinha pra abrir.

Mas esse ano, coincidência ou não, descobri vários amigos que, como eu, ficam num sentimento de meio termo nessa data. Até estamos felizes com os presentes, a reunião familiar, a comilança boa, os abraços à meia-noite, os brindes, orações. Existe também, no entanto, uma certa melancolia… No meu caso, especialmente, acordo dia 24 sempre lembrando daqueles que já se foram.

Minha primeira lembrança é sempre meu padrinho. Ele morreu quando eu tinha 15 anos. Hoje tenho 33. Foi minha primeira grande perda. Antes, meu avó materno já havia falecido, mas eu tinha só três aninhos. Meu padrinho era aquele cara boa pessoa, bom coração, simples e com um sorrisão pronto pra mim quando me via chegar. Ainda me faz falta…

Muitas vezes na vida, quando eu precisei decidir alguma coisa, falei em pensamento com ele antes de dormir. Nem sempre surgia a solução, mas meu coração sempre se acalmava. Ainda nos dias de hoje, quando acordo na véspera de Natal, é pra ele a quem eu peço que a felicidade da data vença a minha melancolia. Geralmente, funciona. Espero que amanhã cedo, quando eu abrir os olhos, continue funcionando. Porque esse ano foi mais desafiante do que a maioria dos outros… Vamos ver…

O que eu quero dizer pra vocês é que não, nem sempre é fácil viver os dias 24 e 25. Mas, ainda assim, é Natal, que de alguma maneira mexe com as pessoas. Se você fica feliz e adora celebrar, não deixa de ligar, escrever, chamar pra festa aqueles amigos que você sabe que não curtem tanto o momento. Não precisa nem ser pra dizer “Feliz Natal”, mas pelo menos pra dizer “você é importante pra mim”, “gosto muito de você”, “o que precisar, estou aqui”.

Se você não curte a data, tenho certeza que você tem alguém a agradecer, alguém que te estendeu a mão nas horas complicadas. Então, usa esse dia pra dizer “obrigada”. Aos melancólicos, como eu, no fim, a gente se anima, né? Choramos um pouco, mas depois também damos boas risadas. Lembramos dos que partiram, mas celebramos os pequenininhos que já chegaram ou estão nas barrigas de irmãs, primas, amigas, quase prontos pra chegarem. Novas gerações que renovam o afeto, o bem-querer.

Seja lá como for que você sente o Natal, só te desejo que prevaleça a paz de espírito, a esperança de dias melhores, a consciência de tentarmos ser pessoas melhores. Porque, no fim, acho que Natal é isso… E tudo de bom pra vocês, pessoal! Não só Feliz Natal. Mas Feliz Sempre!

Crédito da imagem: As Devoradoras (Renata Maneschy)

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