Ser do bem. Não bonzinho

serdobem

Eu gosto de gente preocupada em fazer o bem. Aquele pessoal que consegue pensar os problemas da sociedade de maneira coletiva e tenta buscar soluções. Que sabe respeitar as diferenças, expondo suas ideias e ouvindo as ideias dos demais, de coração e mente abertos. Que dedica um tempo da vida a ajudar os outros. Gente que acolhe, é amiga, otimista, enxerga o lado positivo das coisas.

Tenho mil defeitos. Mas sou dessa turma que tenta ser do bem. Não porque eu desejo ser reconhecida por isso. Porque, simplesmente, acredito ser o jeito certo e sensato de viver. Não acho que somos uns melhores do que outros. Somos diferentes, graças a Deus! Ou à genética! Ou aos dois!! Nada pode ser mais monótono do que conviver com iguais 24 horas por dia. O cotidiano perde o sabor quando olhamos ao redor e tudo é tão óbvio.

Nada. Nem classe social, nem educação, nem gênero, nem opção sexual, nem etnia, nem idade. Nada nos faz seres humanos mais importantes do que quem está ao nosso lado no ponto do ônibus, na fila do cinema, passeando no shopping, varrendo a rua enquanto cruzamos a calçada. Vai todo mundo virar pó. A única coisa que, pra mim, é relevante na aproximação entre as pessoas é o caráter.

Mas ser do bem não significa ser bonzinho. Eu até desconfio de quem é muito apático diante de desafios e burocracias. Só é assim quem tem alguém pra resolver o problema. Gosto de gente que sabe a hora de deixar o sangue esquentar e correr rápido pela veia. Que sabe exigir seus direitos. Que sabe lutar, argumentar, debater. Não significa ser barraqueiro, arrogante e se achar dono da verdade. Mas não se deixar anular diante das situações ou pessoas que precisam ser enfrentadas. Ainda mais num país como o nosso, onde tanta coisa, infelizmente, funciona mal (ou nem funciona).

Sou doadora de sangue, me declarei doadora de órgãos e reciclo meu lixo. Procuro tratar as pessoas com simpatia, seja um porteiro ou um CEO. Mando molecada levantar dos assentos reservados para idosos, grávidas e quem leva crianças no colo no trem e no metrô. Por atitudes assim, uma amiga outro dia disse que sou muito boazinha. Pra mim, tudo isso é mais questão de cidadania, de consciência coletiva. Algo cuja importância deveria ser ensinada em casa e na escola.

Deveres não devem ser enxergados como atos de bondade. E atos de bondade não deveriam ser vistos como um dom reservado aos altruístas. Altruístas por completo acabam chatos. E nada como olhos semicerrados e língua ativada no modo “mal-criado” para ver algumas coisas entrarem nos eixos. Porque é bom ser do bem. Mas deixar vir à tona o diabo da Tasmânia que existe dentro de você pode ser bárbaro!!!

Crédito da imagem: blog Casal Sem Vergonha

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2 respostas em “Ser do bem. Não bonzinho

  1. É, falta muita civilidade e cidadania por aí, mas isso não é desculpa para irmos na onda e regressarmos à selvageria (com todo o respeito aos seres da selva, que são apenas o que são). Penso que em muitos casos as pessoas até são gentis em seu âmago, mas o temor de serem passadas pra trás as impede de gestos mais nobres e filantropos. Eu mesmo não me sinto seguro em fazer doações a campanhas de grande potencial midiático, como Criança Esperança e Teleton e assemelhados, por não saber que destino irá meu donativo. Durante algum tempo, por força de uma moça muito simpática e convincente, fui colaborador da LBV, com contribuições regulares, até estourar um escândalo envolvendo o principal dirigente dessa instituição. Depois, nos anos Collor, vieram os desmandes da primeira-dama na LBA (não me lembro agora se ela foi inocentada ou no que deu a coisa). Enfim, credibilidade é algo que é difícil de conquistar e muito fácil de perder, pior ainda recuperar. Portanto, em vez de recorrer a esses gestos anônimos – que, para mim, são um pouco de refúgio de consciência de quem não tem coragem de fazer algo mais concreto pelo seu semelhante -, é melhor mesmo fazer o que você sugere: ajudar a quem possa, procurar ser gentil e educado e não perder as estribeiras a troco de pouca coisa. Isso não tem nada a ver com ser bobinho, porque aos que nos querem sacanear não cabe o recuo, nem a reação à altura, mas uma retirada estratégica e uma boa dose de desprezo fazem muito bem…

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