Ao Facebook, com carinho…

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Olho as imagens do perfil de cada um. Estão quase todos lá. Eles, com quem aprendi junto a ler e a escrever. Com quem brinquei no pátio do colégio de freiras. Os meninos, sempre correndo. As meninas, pulando elástico ou cantando e batendo palmas no ritmo da canção. Olho de novo as fotos. Éramos fofos. Agora, estamos todos mais bonitos. Alguns, parecem bem descolados. Eu diria que o tempo nos fez bem.

As profissões são as mais diversas. Há quem tenha realizado sonhos de criança, como virar músico e atleta. Formaram família. São grandes mães e grandes pais. Orgulhosos, postam as fotos dos filhotinhos. É também pelas fotos que vejo as lindas noivas que foram algumas das minhas amigas mais queridas da época. Tem a turma que seguiu achando por bem sair conhecendo o mundo, independente, (acho que é nessa que me encaixo no momento). Infelizmente, há quem já tenha dito adeus aos próprios pais…

É graças ao Facebook que sei como eles estão, por onde andam. Uma amiga criou um grupo fechado na rede social para trocarmos informações e as clássicas imagens clicadas todos os anos, a cada ano, da turminha de cada série, com a professora (a tia!) ao lado. Tentamos marcar um encontro, que não deu certo… Mas tem cada vez mais gente no grupo. Outro encontro marcado. Acho que agora vai! Vinte anos depois… E há uma empolgação feliz e sincera nas mensagens que vamos respondendo uns aos outros para acertar o evento.

Quantas vezes as redes sociais já foram demonizadas? Eu mesma custei a entrar no Facebook, meio traumatizada com a exposição no Orkut, que tinha bem menos ferramentas de segurança para o compartilhamento de informações. Entrei no Face – e viciei. Devo checar/postar umas três, quatro vezes por dia. Não sou escrava da tecnologia. Não deixei de viver a vida real para me dedicar apenas à virtual, como algumas pessoas fazem. Mas acredito mesmo ser uma nova e interessante maneira que temos para nos comunicar. Para pedir ajuda. Para descobrir afinidades de ideias e valores. Pra viajar junto! Pra reivindicar, criticar, xingar se for preciso. Pra ver o quanto somos diferentes uns dos outros. E o quanto isso é rico. Tem muita besteira. Mas também tem muita “poesia”.

O que escrevo hoje pra vocês, aqui no blog, antes eu postava apenas no meu mural do Face. Chamou a atenção de um amigo, de outro, de um conhecido, as pessoas foram se identificando… Mostrando quantas vezes elas sentiam o mesmo que eu. Como, de alguma maneira, independente da distância e do tempo sem se ver, minhas palavras se tornavam suas palavras. Eram também o que elas gostariam de dizer. Quanto apoio eu recebi… “Continue escrevendo! Gostamos de como e o que você escreve!”, cada vez mais gente dizia. Fiquei toda corajosa. Acreditei em mim como escritora porque eles acreditaram – mais do que eu. Sem Facebook, talvez o blog não existisse e outros projetos não estivessem em gestação.

Não só encontrei amigos da época de escola (das duas que estudei). Achei os amigos do balé, da faculdade, do intercâmbio, de empresas por onde passei, de gente que foi importante no meu passado, que foi referência na minha vida. Consigo manter contato com pessoas tão queridas que estão longe do olhos, em outras cidades e países, mas perto do coração – e do teclado do meu Mac Book Air.

Não acho que é a tecnologia que distancia as pessoas. É como elas usam suas ferramentas. A tecnologia em si aproxima. Bom senso para não extrapolar é mais da personalidade de cada um. Ouvi/li críticas que dizem que nas redes sociais as pessoas meio que “inventam” uma vida ideal. Estão sempre demonstrando uma felicidade “fake”. Olha, pensa bem… Já não basta aquela zoada foto 3×4 da carteira de identidade/motorista que a gente é obrigado a carregar pra sempre? Por que a foto do meu perfil não pode ser bacana? E não concordo com a ideia de que é todo mundo feliz no Face, não. Quantas vezes descobri que uma amiga não estava muito legal por ter postado uma música com letra mais triste ou uma frase melancólica. Ou apaixonada… O que é que tem demais? Não quer saber, não lê! Passa batido, ué?

Como redes sociais são um novo formato de comunicação, acho natural que sentimentos, os mais diversos, sejam expressados, comunicados, ali. Se eu, que tenho dificuldade de pedir ajuda (lembram do post da semana passada?), não tivesse abordado no meu Face alguns momentos difíceis pelos quais passei, talvez eu não tivesse sido tão forte para enfrentá-los. Porque muita gente apareceu dizendo “tô aqui”, “vai dar certo”, “confia”. Fora aqueles que passaram a mão no telefone ou deram um jeito de me ver pessoalmente depois de lerem uma das minhas mensagens.

Pelo Facebook eu só posso ter carinho. Ele me ajuda a estar perto de quem quero bem, me diverte, me faz descobrir o que às vezes eu nem queria saber (mas que é melhor saber logo). O mais especial, porém, foi me fazer lembrar, com tantas recordações boas, da menina que eu fui um dia. E que, no fundo, mesmo escondida, eu ainda continuo sendo…

Crédito da imagem: TechTudo

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4 respostas em “Ao Facebook, com carinho…

  1. Essas redes sociais são realmente uma forma de a gente ficar conectado não apenas com aqueles que fizeram parte de nossa vida em algum momento, mas também ter acesso a novas pessoas, ideias, movimentos… é um mural livre, e é bom que assim o seja, lembram os da faculdade, nos quais pessoas expunham o que lhes desse na cabeça e podíamos, por meio deles, saber o que se passava na mente de tantos anônimos. Lembro-me de um post seu (se estiver enganado, desculpe-me) sobre envio de cartões de Natal pelo correio (o físico, antigo, com selo e carteiro). Fui um correspondente assíduo com amigos que foram morar em outros Estados, cidades e países, e era um bom tempo. Mas as novas tecnologias permitiram expandir e muito essa prática. Primeiro foram os chats, dos quais fiquei meio viciado também. Escrevia a uma moça de Fortaleza e o fiz durante um longo tempo e, incrível, 20 anos depois e ainda não nos conhecemos pessoalmente! Mas sinto-a como se fosse uma amiga de infância… Segui sua vida, suas queixas, dúvidas, preocupações, alegrias, ela entrando na faculdade, conhecendo o namorado, agora, já casada, foi morar em outro país e perdemos o contato, apesar de ela estar lá no Face, mas não fala comigo, sei lá, talvez o marido não goste (rs)… Enfim, o que quero dizer é que essas redes permitem isso, você criar relações virtuais, um mundo à parte, e, ao mesmo tempo, estreitar as relações reais, interagir. Também sou contrário a qualquer tipo de censura ou controle externo; se algo incomoda, é só acionar os mecanismos de privacidade ou excluir a pessoa e pronto. Mas sem esquecer que há um mundo real pulsante lá fora, pessoas interessantes e cuja voz e olhar é muito melhor conhecermos também. Enfim, é um ponto de partida.

    • Oi, Carlos! Sim, escrevi o post dos cartões de Natal… 🙂
      Concordo… E nunca tinha parado pra pensar assim… de como redes sociais são um ponto de partida para novas relações e estreitar relacionamentos antigos… É bárbaro! Basta, como vc disse, não esquecermos o mundo real tão interessante que existe lá fora.
      Bom dia! Bjão

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