Meu top 5 de viajante!!!

cafémapamundo

Já contei pra vocês aqui o quanto eu adoro viajar. Como dizia um post que compartilhei no meu mural do Face esses dias, viajar não é um luxo. É uma necessidade. Eu PRECISO ver pelo menos um lugar novo por ano. No mínimo. Pode ser outra cidade (mesmo que pequenininha). Mas fico radiante quando é outro país, com uma cultura absolutamente diversa da minha, onde se fala outro idioma. Em terras estrangeiras, percebo meus sentidos mais apurados. Visão, audição, olfato, tato… As sensações são aguçadas. Na verdade, não sei se isso é coisa minha… Mas é como se minha mente ficasse em alerta para o bombardeio de novidades que só as viagens podem proporcionar.

Viajar, pra mim, é uma prioridade. Acredito profundamente nos benefícios de gastarmos nosso rico dinheirinho mais com experiências, menos com objetos. E ainda não descobri experiência mais gratificante do que pegar mala/mochila e partir em direção a mais um destino. Hotel não tem que ser nada caro. Fico tranquila onde tiver uma cama confortável e um chuveiro bom. Melhor quando é super bem localizado (nas metrópoles, o ideal é sempre estar próximo a uma estação de metrô).

Nesses meus anos de viajante (que começaram ainda na adolescência), aprendi que meu coração pode não bater forte por um lugar que sempre sonhei visitar. Eu adoro todos os lugares! Vejo vantagem em todos onde fui. Mas temos aquela mania de idealização. Assim, por exemplo, suspirei a cada esquina que eu virava em Paris. A cidade é toda linda! É incrível! Se você não foi, tem que ir, sabe… Mas… meu coração não disparou. Em compensação, não esperava nada demais de Bruxelas (que era só meu caminho entre Amsterdam e Paris). E fiquei impressionada, lamentando não passar mais um dia além do previsto. Surpresas de viagens… São deliciosas…

Então, o tempo (e mais carimbos no passaporte) me fez compreender o que transforma um destino num lugar especial: afeto. Alguma coisa precisa me emocionar, ir além do simples deslumbramento. É bem subjetivo. Não é a emoção de chorar. É a história, as pessoas que vivem ou viveram ali. É olhar em volta e dizer a si mesmo “eu moraria aqui fácil”. Minhas andanças renderam um top 5. Os cinco lugares que mais me impressionaram e/ou onde me senti bem ao infinito. Talvez você nem concorde comigo. E é assim mesmo que tem que ser. Como eu disse, as sensações em um destino são subjetivas. Por isso, nunca faço uma viagem só porque alguém disse que gostou do lugar. Claro que levo em conta opiniões. Mas tem que ser aquela história de deixar a intuição traçar sua rota também. E esse texto tá ficando enorme! Vamos ao top 5! E me digam qual é o de vocês!!

1) Londres, Inglaterra
Abracei minha amiga na estação de metrô, vindo direto do aeroporto. Ela estava na terra da rainha com o marido para o mestrado. Almoçamos na casa deles e logo depois tiveram que ir trabalhar e estudar. Era fim de tarde e não quis esperar nem mais um minuto pra ver o lugar do qual ouvia sempre uma amiga da minha mãe falar. Enfrentei sozinha o horário de pico do metrô. Me perdi um pouco entre as linhas, mais pelo excesso de pessoas (porque o mapa do “underground” era fácil de entender). Quase 19h. Subi as escadas da estação correndo a tempo de pisar no último degrau e ouvir o sonoro “beeemmm” do Big Ben. Sempre quis presenciar o som da badalada cheia do relógio mais famoso do mundo (o nome, na verdade, é da torre em que o relógio se encontra). Definitivamente, eu estava em Londres. Os ônibus vermelhos de dois andares estavam lá. Os táxis pretos com volante à direita também. O Tâmisa. A garoa fina no dia cinzento de 16 graus. Um pessoal elegante e educado. Pubs cheios. Sim, eu poderia assistir um balé no Royal Opera House! Comecei a andar meio sem rumo pelas ruas próximas. Tudo parecia tão familiar… Tão… meu lugar. “Se existem mesmo outras vidas, eu devo ter passado alguma delas aqui”, pensei. A sensação de “fazer sentido” estar ali não me abandonou nos oito dias seguintes. Uma frenética Londres me trouxe paz de espírito.

2) Rio de Janeiro, Brasil
É lindo. E é lindo demais!!! É uma delicadeza para os olhos o entrosamento da natureza com a cidade. Tem seus problemas, como toda cidade grande tem. Mas… é maravilhosa realmente. E está aqui, no nosso quintal, ao nosso alcance. Na última década fui inúmeras vezes ao Rio. Como tive a sorte de fazer amizade com cariocas e de ter amigos muito queridos se mudando pra lá, há uns quatro anos vou todo ano. Não dá pra cansar de admirar os contornos do Pão de Açúcar, de mergulhar na quietude do Jardim Botânico ou do Parque Lage, de caminhar ao redor da Lagoa Rodrigo de Freitas ou no calçadão de Ipanema. Mas o meu lugar preferido é a Urca. Casas lindas, com vista pra Baía de Guanabara. Praia Vermelha (linda, pena que sujinha – mas dá pra tomar uma água de coco admirando a paisagem). Pista Claudio Coutinho (uma bela caminhada entre micos e com o mar quebrando nos paredões de pedra do morro da Urca). De novo, a tal paz de espírito, como a que senti em Londres.

3) Berlim, Alemanha
Eis um lugar que não estava nos meus planos logo de cara quando decidi que viajar seria uma constante em minha vida. Fui para Alemanha em 2007, graças a uma bolsa de intercâmbio para jovens jornalistas, oferecida pelo governo alemão. Três semanas conhecendo de perto a cultura do país. Desde o primeiro momento, Berlim me intrigou com uma mistura de seriedade e contemporaneidade. De construções históricas (de diferente períodos) dividindo espaço com uma intensa vida artística, expressa por diferentes linguagens. A cidade é linda. Os museus são impressionantes. Mas o que dá a Berlim uma atmosfera tão marcante é sua história. Pedidos de perdão pelo Holocausto, que matou milhares de judeus, estão por toda parte. Quantas vezes meu coração apertou por lá… Em muitas calçadas é possível observar pequenas placas de bronze em frente às casas. Nelas, nomes dos membros das famílias que moraram no local, data de nascimento, data de falecimento – e o campo de concentração onde morreram. Estive em um deles, o de Oranienburg, a poucos quilômetros de Berlim. A tristeza era inevitável enquanto a guia mostrava fornos onde corpos eram incinerados e dormitórios escuros em que as pessoas ficavam empilhadas. Tive que sair de um deles pra tomar ar. Me senti fisicamente mal, com muita dor de cabeça. Desde então, qualquer exposição, livro, foto, filme sobre esse período me deixa perturbada. Mas também pude colocar as mãos no que restou do Muro de Berlim. Curiosamente, o que era símbolo de opressão se tornou símbolo de liberdade e de restituição de direitos.

4) Lisboa, Portugal
Solar. Pra mim, ela é assim. As duas vezes que estive em Lisboa (a primeira num mês de julho; a segunda num final de maio) estava muito, muito sol, com um céu de um azul brilhante. Nunca choveu. Familiaridade do idioma. Simpatia instantânea que eu ganhava dos portugueses ao explicar que parte da minha família mora na cidade. Minha mãe nasceu em Torres Vedras, distrito de Lisboa. Tios e primos vivem lá. Na primeira vez, fiquei um mês inteiro. Conheço cada canto, cada ladeira (porque, minha gente, eu ando, viu?). Amo os bondes. Amo a vista do Castelo de São Jorge. Amo sentar ao lado da estátua de Fernando Pessoa e ficar só olhando o movimento… Observar o horizonte diante do rio Tejo (nem dá pra ver o outro lado!). Lembra a sensação de “esse lugar me pertence”, que comentei antes? Em Lisboa o meu são os jardins da Fundação Calouste Gulbenkian (criada por uma ilustre família armênia), um espaço cultural com museu, teatro e biblioteca. E comida! Lisboa é sinônimo de excelente comida – e excesso dela, já que minha família não entende que pra se alimentar a gente tem que sentir fome! Nada disso! Comida é pra festejar, acompanhar a boa conversa… Comida é demonstração de afeto. Minha Lisboa é sol, vento de leve e afeto.

5) Roma, Itália
A beleza da capital italiana não me deixou de queixo caído. A cidade é bonita, urbanisticamente falando. Mas outros lugares impressionam mais nesse quesito. Não é beleza certinha que faz de Roma um lugar especial pra mim. Primeiro, é a sensação de “vida” em todos os cantos. Gente rindo e falando alto. Gente brigando porque alguma coisa não funcionou direito. Gente. Muita. Romanos descolados, italianos de outras partes, paquistaneses inúmeros e turistas. Muitos! Flashes disparando a toda hora e… ruínas. Foi entre o que restou de uma Roma antiga que eu encontrei a Roma que despertou meus sentidos. Visitar o Coliseu debaixo de chuva, num clima meio soturno… e pensar em todas as mortes de gladiadores que aconteceram ali. Pensar nos gritos da multidão que assistia o espetáculo sangrento. Na frente do Coliseu, ficam as ruínas do Fórum Romano e, um pouco mais à esquerda, as do Palatino (onde a cidade teria sido fundada). Dá pra ter uma boa ideia de como era a cidade em épocas de imperadores, séculos e séculos atrás. Era grandiosa. As construções eram gigantescas. E colocar as mãos em paredes seculares e caminhar onde se formou a civilização que contribuiu para o desenvolvimento do direito, da arte, da política, da arquitetura, da tecnologia e da linguagem, é de arrepiar.

Crédito da imagem: Photography

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6 respostas em “Meu top 5 de viajante!!!

  1. Caberia aqui facilmente um top 10, porque eu também adoro viajar, mas minhas experiências são na maioria pelo nosso Brasil, fui apenas uma vez ao exterior (a segunda agora, Canadá, e a falta dele em sua lista me preocupa…. mas vou lá mais para rever minha filha, e quem sabe goste). Uma coisa comum em minhas andanças é a presença da música; os lugares que mais me marcaram sempre foram acompanhados por alguma trilha musical, o que ajuda a fixar na memória algo da cultura local, e também os aromas, os diferentes tipos de fala, o tratamento que as pessoas lhe dão…
    Eu colocaria no topo da lista o rio São Francisco, por onde navegamos em 1991, pegando a gaiola Benjamin Guimarães, construída em 1900 e pouco, em Pirapora e, três dias depois, chegando em Januária, passando por São Romão e São Francisco. É um rio imenso, lindo, o velho Chico, tão judiado em alguns pontos, mas portentoso… A cada parada do vapor, o povo local vinha visitar o barco, com roupa de domingo, a ida à embarcação um verdadeiro passeio a eles e fonte de renda, com as pessoas tentando vender o que tivesse à mão. A música marcante ficou a cargo dos forrozeiros com sua música tão própria, nada a ver com o que se ouve aqui no Sudeste. E, razão principal de estar em primeiro, foi lá que minha filha foi concebida (era lua de mel, rs).
    Em seguida, também coloco o Rio, onde fui inúmeras vezes durante o ano de 2009. Mas conheci o Rio onde os turistas não vão, pelo menos acho que não. Não vi Cristo nem andei de bondinho. Mas curti muito sambão na Lapa, uma baladinha muito maneira ao ritmo de surf music em Ipanema e funk no morro de São Carlos, onde subi escoltado para não ser confundido com meganha pelo pessoal barra pesada. Incrível o medo que passei, a adrenalina de ver aquele ambiente tão diverso do meu, só visto em filmes. Fora isso, claro, é uma linda paisagem, deslumbrante mesmo.
    Depois eu cito Chicago, onde fui rapidamente em 2004, mas que me marcou pela imponência do lugar; tão diferente de NY e de Washington (as duas outras cidades por onde estive naquela semana de novembro). Fomos ao Legends, bar do Buddy Guy. E, felicidade incrível, ele estava lá, e deu uma canja com a banda que lá toca. E, depois, gentilmente atendeu a todos nós do MBA, uns 20, acho, tirando fotos e dando autógrafos, Tenho o meu no CD que lá comprei. E até me respondeu a uma pergunta: ao ver no disco uma música chamada “Rememberin Stevie”, quis saber se era uma homenagem ao blueseiro texano Stevie Ray Vaughan, morto em 1990. Ele respondeu que era, sim. (O CD que comprei é ‘Damn Right. I’ve Got The Blues’, de 1991, Silverstone Records. O Legends – se não mudou – fica em 745 South Wabash.)
    Em Icapuí (CE), fui em 2000. Praias incríveis, desertas. São umas cinco apenas, cada uma com uma geografia diferente: falésias, coqueirais, pedras, pescadores de lagosta… Estivemos lá na semana do Festival da Juventude – Brasil: Outros 500. Uma série de eventos organizados pela prefeitura, diversas atividades culturais. Assisti a um show de Chico César encantador. Um lugar,na época, pouco explorado pelo turismo, infra precária, mas melhor assim, aproveitamos muito e com melhor acesso à cultura local. Na volta, passagem por Canoa Quebrada, perto dali, onde estive em 1983. Que diferença! Em 17 anos, Canoa virou um Porto Seguro, lotado de turistas barulhentos, bares e hoteis de todas as estrelas. Espero que Icapuí não se tenha tornado igual..
    Por último, mas não menos importante, Três Pontas, cidade do sul de Minas onde se criou Milton Nascimento. Estive no Festival Música do Mundo, em 2009, quando reeditaram um festival ocorrido em 1977, quando inauguraram a praça Travessia e Bituca, já famoso, retornou à cidade que o acolheu e lá foi homenageado e homenageou seu povo. Em 2009, pude ver Milton pela primeira vez nos palcos ao vivo, e, antes do show, estive a poucos metros dele, assistindo à apresentação de um grupo local, e ele subiu ao palco e deu sua canja. Três Pontas respira Milton Nascimento, a casa onde ele viveu – ao lado da praça Travessia – é ponto obrigatório de passagem; em cada esquina há alguém tocando alguma coisa. A cidadezinha não é lá grande coisa pelo critério turístico, mas é mágico estar onde o nosso Milton viveu a infância e adolescência e perceber o quanto aquele lugar o influenciou e é cantado em suas músicas… Inesquecível…

    • Carlos, o Canadá não entrou no meu top 5, mas é demais também!! Só que fui em dezembro, um frio absurdo e muita neve… rs… Mas Toronto é uma NY menor. Montreal é linda! Niagara Falls nem se compara as nossas cataratas de Foz do Iguaçu… rs… Mas a cidade é uma graça. Tenho certeza que vc vai curtir o Canadá!! Boa viagem! Bjão

  2. Adorei Suzane! Me fez lembrar das minhas viagens a lugares marcantes pra mim: Colonia del Sacramento e Montevideo (URU), Salvador, Paraty e Poços de Caldas! Cada canto com seu encanto. Bjs, Marcus.

    • Adorei seu top five, Marcus!! Tô super querendo ir ao Uruguai, inclusive… Também acho Paraty um encanto, Poços uma graça e Salvador uma festa!!
      Brigada por compartilhar sua experiência de viajante!! Bjão

  3. Oi Suzane!
    Eu super me identifico com o desejo de viajar porque eu sou o tipo de pessoa que acha que existem lugares de mais e tempo de menos para conhecer! Eu sempre volto de uma viagem pensando na próxima, hehehe! E para mim vale a máxima “viajar é preciso”!
    Acho até difícil montar um top 5, mas eu tenho alguns lugares, cidades, que pra mim são mágicos:
    1) Nova Zelândia: o país inteiro é incrível, as pessoas são incríveis, a paisagem é deslumbrante! Cada curva da estrada é um flash! E se eu tivesse que eleger uma cidade seria Nelson. Uma cidadezinha pequena, charmosa, com feirinhas e artistas de rua, velhinhos passeando tranquilamente, jardins bem cuidados! Eu me mudaria pra lá agora mesmo!
    2) Cape Town: confesso que eu fui embora de Cape Town chorando, entrei no avião soluçando de vontade de ficar! Quis abandonar tudo e me mudar pra lá. A cidade é linda, me lembrou o Rio, as pessoas são fantásticas, come-se bem e barato e o vinho é divino! Eu me apaixonei!
    3) Barcelona: eu sou apaixonada por Barcelona! Acho que é coisa de outra vida, porque eu já gostava de lá antes de conhecer. Adoro a cidade, o clima, a atmosfera, as pessoas andando de um lado para o outro, parece que o tempo todo está acontecendo alguma coisa por lá!
    4) Santiago: foi uma surpresa enorme Santiago. Eu não esperava tanto da cidade. É uma mistura de cidade européia com pessoas latinas que faz toda a diferença. Além de estar próxima das montanhas e do mar!
    5) Paris: eu sei que é um clichê, mas eu acho Paris deslumbrante! A minha sensação é que cada canto daquela cidade é um cartão postal. Eu moraria fácil, fácil lá! Adoro os jardins, as ruas, os cafés! As pessoas são elegantes, e eu acho francês uma língua lindíssima, adoro o som do francês!
    Bom, acho que esse é meu top 5 de cidades no mundo! Ainda tenho muito o que conhecer, e muitos lugares queridos não entraram na lista. No fim das contas, cada lugar tem seu charme, sua beleza, sua diferença!
    Ah, acabei deixando de fora o Brasil, mas o nosso país é incrível e lindo também! Cada vez que viajo pelo nosso país tenho certeza que fomos abençoados com tamanha beleza!
    Um beijo grande e vamos viajar sempre!

    • Adriana, amei seu top five!!! Nem sabia sue exist uma cidadezinha chamada Nelson!! E você tem razão: o Brasil é deslumbrante… fiquei até com dó de só acrescentar o Rio… mas em outros posts, em breve, falarei de outros lugares especiais… 🙂
      Brigada por compartilhar sua experiência! Bjão

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