Barriga negativa, o exagero da imagem – e uma resposta à altura

balança

Recebi uma mensagem inbox no meu Facebook semana passada de uma conhecida. Não falava com essa moça há muito tempo. Nunca fomos amigas, mas temos amigos em comum e resolvi aceitar o pedido de amizade dela. Ela viu uma foto em que estou com meus pais num restaurante. Comemorávamos o aniversário do meu irmão, que passa por um tratamento de saúde. A sujeita escreve a seguinte frase na mensagem: “você não se incomoda de sair ‘gorda’ nas fotos que posta?” Antes de vocês saberem o que respondi, basta estarem cientes de que a pessoa é neurótica por dieta, aparência e afins.

Também achei que eu estava gordinha naquela foto. Não dei a mínima, porém, para o que “mostrava” a imagem, e sim para o que ela “transmitia”. Porque minha família estava feliz e cheia de esperança por dias melhores (que, tenho certeza, estão a caminho). É a única coisa que realmente me importa no momento.

Tenho 1,63m de altura. Hoje (me pesei de manhã na academia), estou com exatos 59,8 quilos. Já fui bem mais magra, especialmente quando estudava balé e me submetia a um ritmo intenso de atividade física. No post de segunda-feira, contei pra vocês o quanto sou ansiosa. E uma das válvulas de escape para minhas tensões são carboidratos. Pão quentinho faz de mim um ser humano mellhor! Juro! E A-DO-RO comer. É um dos maiores prazeres da vida e desconfio fortemente de quem é incapaz de se entregar a uma mesa farta com boa conversa entre amigos e família.

Mas em meio a um 2012 turbulentíssimo, enfrentei problemas hormonais que desregularam completamente meu organismo. Um dos resultados foi justamente ganhar sete quilos e bater nos 63. Firme na academia e com reeducação alimentar, a saúde vem entrando nos eixos novamente. Devagar, como deve ser. Porque mudanças físicas rápidas não são positivas. Se você é minimamente esperto, deve ter consciência disso.

Ah! A calculadora de IMC (índice de massa corpórea) disse o seguinte pra mim: “Seu IMC é de 22,5. Parabéns! Você está em seu peso ideal!” O IMC é mais importante ao avaliarmos a saúde do que a balança. Só pra constar. De qualquer maneira, quando olho no espelho, gosto muito do que vejo. Acredito até que teve uma época que emagreci demais.

Mas… eu fiquei chateada ao abrir minhas mensagens e dar de cara com a observação de uma pessoa que não sabe nada sobre o combo problemas + saúde em desequilíbrio que enfrentei recentemente. E parei fortemente pra pensar que sociedade pequena é essa que julga tanto pela aparência. Claro que é bacana se cuidar. Não acho saudável alguém que não tá nem aí pra si mesmo, que não tem alguma vaidade. Mas perceber que minha atenção é chamada porque optei em postar uma foto na qual não pareço esteticamente “adequada” pra alguns me deixa enfurecida.

É gente assim que inventa a imbecilidade estética do momento: barriga negativa. Não, não é a clássica “tanquinho”. É ter o abdome com a curvatura invertida, com ossos do quadril e das costelas mais proeminentes que a barriga. Igualzinho o de quem passa fome na África. Imaginar que uma aparência dessas é bonita é ter uma noção muito perigosa do que é beleza. Doentia, eu diria.

Acredito que avançamos muito nos últimos cinco anos no debate sobre o que é esteticamente bonito e saudável ao mesmo tempo. Foi nesse meio tempo que explodiu o mercado plus size, de moda para quem está acima do peso. Campanhas publicitárias e blogs surgiram com a mensagem de que não existe um só padrão de beleza. Mas vários, cada um com sua particularidade. A diversidade é sempre infinitamente mais rica e interessante. Lembrando que tem muito gordinho com a saúde muito mais em dia do que quem parece em forma…

Para a sujeita que questionou minha aparência na foto, não entrei em muitos detalhes. Só fui rápido dar uma pesquisada no álbum dela pra me certificar que ela continuava a viver no melhor estilo magra-com-cara-de-doente. Então, ela só merecia uma resposta… “Querida, alguns preferem ficar bem nas fotos. Eu prefiro ficar bem sem roupa.” Ela não respondeu.

Crédito da imagem: Blog da Helo

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10 respostas em “Barriga negativa, o exagero da imagem – e uma resposta à altura

  1. Que absurdo, Su! Sua resposta foi muito delicada para uma mensagem tão indelicada. Qual é o objetivo dessa menina? Vender Herbalife? Vender um curso de Photoshop? Ainda bem que você transcendeu e transformou tudo isso em mais um texto ótimo para o seu blog! =)

    Beijos!

  2. Oi Suzane!

    Amei o post! O dia que eu vi a notícia dessa moda de barriga negativa fiquei muito triste, não pelo fato de querer possuir uma, mas sim pelo ponto a que chegamos! Gente, as pessoas só podem estar loucas, isso não é nem saudável. Essa mania de magreza, corpo escultural, não é normal. Vamos ser felizes pelo que somos! Concordo que também não precisa ficar com 320 kg, mas não adianta querer ser algo que não é. Cada um tem um bio tipo, e não dá pra mudar, o que dá é pra ser saudável, se alimentar direito, praticar exercícios, com o corpo que temos. Eu sou baixinha, tenho perna grossa, bunda, e minha barriga tá longe de ser negativa, mas estou feliz assim. Eu malho, procuro manter uma alimentação saudável, mas não deixo de comer a macarronada gostosa da vovó, e nem dispenso um pão de queijo com café (como boa mineira!). Também acho que comer é um dos melhores prazeres da vida!
    Eu não te conheço pessoalmente, e muito menos a pessoa que fez o comentário, mas só posso dizer uma coisa: “coitada”. E pra mim, ser feliz é que é bonito na foto!

    Beijos,

    • E pão de queijo e café com uma amiga querida? E a macarronada da vovó com a companhia da vovó?! Isso sim é felicidade, né?
      Brigada, Adri! Seus comentários são sempre enriquecedores para o blog! Bjão

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