Carnaval, minha primeira balada

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A fantasia era toda azul. Chapeuzinho pontudo, sainha de tule, varinha… Vestida de fadinha eu fui conhecer o Carnaval com apenas um ano. Meus pais nunca curtiram muito a ocasião. Gostavam de ver na tevê até, mas não de ir ao clube. Deixavam a tarefa para minhas festeiras tias (irmãs do meu pai), que me levaram pra cair na folia até uns 12 anos. Confete, serpentina, o piso de madeira do chão do salão, a banda que tocava marchinhas e os hinos dos clubes de futebol…

Nada de ar-condicionado. Ventiladores Ventisilva tinham que dar conta do calor de verão do litoral. E eu pulava, pulava, pulava. Adorava! “Filhinha, agora senta um pouquinho pra comer”, pedia minha madrinha. Guaraná numa mão, cachorro-quente na outra, eu sentava – mas meu pezinho lá, batendo no ritmo da música.

Carnaval é minha primeira lembrança forte de alegria. De diversão. De gandaia! Do que seria uma balada no futuro!! Uma das minhas tias, caprichosa que só, se esmerava numa fantasia nova pra mim todo ano. Me vesti de um tudo: baiana, havaina, romana, rumbeira, odalisca… She-Ra!! Um pouquinho só de maquiagem, muito glitter nos ombros, nos braços… Aquelas minúsculas estrelinhas coloridas (sabe, as de colar em papel mesmo?) por vezes eram parte do meu penteado. Além daquele pastoso gel colorido New Wave, super anos 80.

Eu me acabava de dançar. E esperava ansiosa pelo ano seguinte. Na adolescência, ainda na matinê, fui liberada pela família pra ir ao “outro” lado do salão – aquele onde, além de pular, você podia acabar beijando um menino! Na boca!!! Era muita emoção. Já nos dois primeiros anos da faculdade eu pulava quatro noites e três matinês. Dos dois últimos anos da faculdade em diante, eu viajava pra praias do litoral norte de São Paulo, sempre acabando em algum baile.

E tem cada história… Uma (que por sorte não acabou mal) foi em Ilhabela. Três amigas. Um Peugeot 106 (aquele antigo, parecendo caixinha de fósforo). E roda pra procurar lugar pra estacionar. Era noite, carnaval de rua, já dava pra ouvir a música ao longe… “Ali, Fe!” Apontei um lugar pra minha amiga que dirigia. Não dava pra ver bem o que tinha à frente. Tava escuro. Mal iluminado. Parecia a areia da praia só, olhando meio assim… Eu no banco ao lado.

Ela vai estacionar é… pá! Uma batida na parte de baixo do carro. Acelera. Alguma coisa prendendo. Acelera mais um pouco, quase conseguindo avançar… e “Paraaaa!!” Uns meninos começaram a gritar pra ela parar de acelerar. Eu saí do carro e… vi o despenhadeiro! “Para, Fe! Para! Para! Para!”, eu gritei, lutando contra o ronco do motor, balançando os braços. Não era tão alto, mas a gente se machucaria feio. O carro ficou preso numa mureta de concreto. Como tirar agora? “Vem, gente! Vamos ajudar as meninas”. Os garotos que gritaram, uns oito, estavam com uniformes de time de futebol americano. Juntos, com nossas duas outras amigas no banco de trás, eles levantaram o carro e afastaram pra trás. Tirando o incidente foi um dos melhores carnavais da minha vida…

Sambódromo eu só fui uma vez e pra trabalhar. Cobri uma noite do Carnaval paulistano de 2011. Como jornalista era uma das experiências que eu queria ter. Estava bem tranquila, achando legalzinho… Até que entrou a primeira escola. A observação é batida, mas não tem como explicar melhor: é de arrepiar. Não tem como ficar indiferente à bateria e ao brilho das fantasias. É verdade que depois de ver muitas cansa um pouco. Mas é lindo. Pelo menos uma vez na vida tem que ver de perto.

Esse ano? Ah… a vida muda, né? Talvez eu encaixe um bloco de rua da Vila Madalena entre uma página e outra da minha tese de mestrado. É assim que eu passarei a festa, escrevendo. Mas o Carnaval sempre vai simbolizar pra mim o quanto a gente pode viver momentos de alegria – apesar de enfrentarmos muitas “quartas-feiras de cinzas” pela vida. Divirtam-se por mim, queridos. Bom Carnaval pra vocês!

Crédito da imagem: WikiRio – Blocos de Carnaval

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2 respostas em “Carnaval, minha primeira balada

  1. Oi Suzane!

    Nossa, eu super usava gel New Wave com Glitter no carnaval, achava o máximo do máximo! Eu me lembro de ir num bailinho de carnaval na escola vestida com uma sainha de tule lilás, uma maquiagem toda cheia de brilhos e feliz da vida com um pacote de confete e outro de serpentina! Esses bailinhos eram muito gostosos! Gostava também de ver os desfiles, até hoje eu canto: “Explode coração na maior felicidaaaadee”! O carnaval também sempre me dá essa alegria, mesmo que eu passe fora da folia!

    Um beijo e um ótimo carnaval!

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