Cinco lugares mágicos

venezagrancanale

Eu realmente me amarrei em fazer listas dos lugares que já visitei. Teve post das cinco cidades que mais me impressionaram e dos cinco passeios que, por motivos diferentes, me emocionaram tanto que desabei em lágrimas. Mas existe uma categoria nas viagens que vão além do gostar, do se identificar, do se deslumbrar. É a categoria dos lugares mágicos! Sim! Aqueles que você tem certeza que só poderiam existir na sua imaginação. Ou nas telas do cinema. Ou nas páginas da National Geographic. Mas eles estão lá, prontos para serem desbravados.

Zermatt (Suíça)
Nunca achei que poderia conhecer a Suíça. Quando comecei a viajar por aí esse era um país que eu nem cogitava. Cheio de humildade meu bom senso dizia que, financeiramente, não era para o meu bico. Mas eis que ser jornalista tem suas vantagens. E fui mandada pra lá, em pleno dezembro (maior frio!), pra fazer uma reportagem de turismo. Entre as quatro cidades que visitei, uma delas foi Zermatt, localizada nos Alpes Suíços. É onde fica a estação de esqui preferida dos endinheirados discretos (não dos que posam de celebridade). Zermatt é linda, igualzinha às cidades dos contos de fadas. Até o cemitério é bonito. As ruas cobertas de gelo e aquele ar denso que se forma quando a neve cai em floquinhos davam uma aura de magia pra cada canto que eu olhava – enquanto caminhava com cuidado pra não levar um tombão. Se não bastasse parecer que a qualquer momento seres fantásticos como fadas, gnomos e duendes poderiam surgir, quando chego à “avenida” principal da cidade dou de cara com Matterhorn. A imponente montanha de mais de 4.478 mil metros de altitude, cujo topo se divide entre três países (Suíça, França e Itália), guarda histórias trágicas, com mais de 500 mortes de alpinistas. Mas eu nem sabia disso quando a vi ali, poderosa, emoldurada pela cidade. No dia seguinte, peguei um teleférico pra chegar no alto. A vista era cinematográfica. Brinquei de esquiar (mico, mas divertido). Tomei chocolate quente suíço. E fui embora – com a certeza de que pra lá eu só volto se um dia esse blog for um sucesso tão grande que faça de mim uma milionária!

Veneza (Itália)
“Colorida! Ela é colorida!” Era o que eu repetia pra mim mesma, toda contente, enquanto o barco-ônibus que saiu da estação de trem percorria os canais daquela que é considerada uma das cidades mais românticas do mundo. Sim, eu estava sozinha e isso não diminuiu seu romantismo pra mim (é tudo uma questão de autoestima!). Cheguei no hotel e troquei correndo a blusa de manga comprida, a calça jeans e a bota de cano longo por uma blusinha de seda, saia e uma Melissa vermelha. O tempo mudou muito no percurso, saindo de Florença. Sorri quando vi que da janela do corredor, perto do meu quarto, dava pra ver as gôndolas passando bem ali embaixo. Desci rápido as escadas de madeira, falei “ciao” pra moça na recepção e fui descobrir se Veneza era como nos meus sonhos. E ela era muito mais bonita do que nos meus sonhos. Era colorida! As construções. As famosas máscaras venezianas enfeitando lojas e banquinhas de rua por toda parte. Os cristais de Murano em todas as formas possíveis e imagináveis. Até os pombos (bichinho que eu detesto) combinavam lindamente com o clima na Piazza San Marco. Gelato de framboesa na mão e lá fui eu, desviando de uma infinidade de gente, da turistada animada e embasbacada que mal sabia pra onde olhar primeiro. “Ela é colorida!” E eu só conseguia pensar não ser possível alguém morar de fato naquela cidade. Como você mora num cenário de filme? Todo final de dia eu pensava que um diretor chegaria do nada pra dizer: “Ok, pessoal, valeu por hoje. Podem desmontar o cenário”. Mas eu acordava no dia seguinte e ela ainda estava lá, colorida…

Görlitz/Zgorzelec (Alemanha/Polônia)
Elas eram uma só cidade no passado distante, fundada no século 11. Mas no fim da Segunda Guerra Mundial o rio Neisse se transformou na fronteira entre Görlitz e Zgorzelec. As construções medievais eu já tinha visto em outros lugares. O que me impressionou mais ali foi o caminho entre ambas, repleto de folhas douradas caídas pelo chão, lembrando que era outono. Görlitz é arrumada e rica, como quase tudo que é alemão, né? Limpinha, bem cuidada, restaurações em dia. A pé, apenas atravessando uma ponte de visual deslumbrante, eu saí da Alemanha e ganhei um carimbo no meu passaporte que permitia a entrada na Polônia. Como num passe de mágica, eu estava em outro mundo. Primeiro, se você acha que o idioma alemão é difícil, tenta ler qualquer coisa em polonês. Entendi como um analfabeto se sente. Placas com direções e nomes de comércios em Zgorzelec eram simplesmente impronunciáveis. Eu não conseguia achar nem um museu porque não conseguia dizer o nome do lugar. Quando eu tentava apontar no mapa do que se tratava o pessoal não era exatamente amigável. Não que fossem antipáticos. Mas eram bem desconfiados. Olhando com mais calma, vi que boa parte das construções estavam pichadas. As pessoas pareciam mais empobrecidas. As cidades eram iguais na estrutura, no tipo de prédios e casas. Zgorzelec, porém, tinha algo de triste, de bruto. Os homens me olhavam como se eu não estivesse com um casaco imenso, cachecol, luvas e gorro. Aliás, quase só tinha homem. Devo ter visto umas cinco mulheres só na rua. Foi tenso. E sentada no meio fio de uma calçada, antes de retornar ao lado alemão, eu percebi quão fascinante era a sensação de ter mergulhado numa outra dimensão – e chegando nela a pé.

Orlando (EUA)
Ah, é legal, vai? Da cidade de Orlando em si eu não lembro muita coisa. Mas é lá que fica a Disney. E por mais que eu tenha sérias críticas ao que Walt Disney fez com a cabeça das mulheres da minha geração com essa história de príncipe encantado, tenho que dar minha mão à palmatória e dizer que os parque são divertidíssimos. Eu fui ainda adolescente, aos 16 anos. Minha primeira viagem ao exterior. Os parques são muito bem bolados. Você esquece completamente da vida real. Dá pra aprender muita coisa também. Eu, claro, adorei o World Showcase, onde estão pavilhões de diferentes países, no Epcot Center. E os shows com música, fogos de artifício e fontes dançantes iluminadas? É… mágico! Explicação melhor não há. É quase uma catarse, que segundo a psicologia é o experimentar da liberdade em relação a alguma situação opressora. E o que pode ser mais libertador do que fugir da realidade dura, estressante e cansativa do cotidiano pra se perder por uns dias num mundo de fantasia? Conheço gente que gosta tanto que vai todo ano. Eu curti, guardo as lembranças dessa viagem com carinho. Mas se não for nunca mais tudo bem também. Não é dos lugares que penso em voltar. Não sei… Talvez seja minha birra com o Walt Disney e o príncipe encantado…

Delta do Parnaíba (Maranhão/Piauí)
O cenário é paradisíaco. Mas não no sentido da praia paradisíaca, sabe? É… diferente. Exuberante. Daqueles lugares que a gente tem que prestar reverência. O Delta do Parnaíba é formado pelo rio de mesmo nome, com 1.485 quilômetros de extensão, e passa tanto pelo território do Maranhão quanto do Piauí. É o único que deságua em mar aberto. E quando o barco, que deslizou por horas saindo da maranhense Araioses, chegou nesse ponto… A única coisa que consegui pensar é quanto somos frágeis e pequenos diante do que a natureza já criou. A paisagem é um espetáculo, com dunas, mangues, ilhas, lagoas de água doce e floresta tropical. Segundo a geografia, delta é a foz de um rio formado por braços de seu leito. O formato é triangular – por isso, delta. Nadar nas águas e caminhar pelas dunas de um dos pontos mais extremos do Brasil, daqueles que parece que a gente tá pisando na ponta do mapa, foi mais um presente da vida de jornalista. Fiquei uns 15 minutos sentada numa duna, olhando o horizonte infinito a minha frente, pensando quando eu poderia imaginar que um dia estaria ali, tão longe de casa, dentro do meu país onde em nada parecia o país que eu conhecia até então. A parte ruim foi descobrir que a pequena Araioses, meu ponto de partida e chegada, é um dos municípios mais pobres do território brasileiro, com um dos nossos piores índices de desenvolvimento humano. E, infelizmente, isso faz qualquer encanto que tenha acalentado os olhos se desfazer…

Crédito da imagem: Suzane G. Frutuoso

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4 respostas em “Cinco lugares mágicos

  1. Amei os seus lugares magicos…… em especial Veneza. Foi assim que me senti – e tenho que confessar – ainda sinto quando estou no interior da Inglaterra, em pleno inverno. Sensacao de estar num filme, num livro de estorias e de repente alguem aparecer e fechar o livro.

  2. Oi Suzane,

    Estava sem internet esses dias e só hoje li o post dos lugares mágicos! Incríveis, hein! Adorei! Consegui visualizar os que eu ainda não conheço! Vou deixar os meus aqui também:
    1) Franz Joseph, Nova Zelândia: é um glacial incrível, me senti tão pequenininha no meio daquele gelo, das montanhas, do céu cinza e a chuva ameaçando cair. Senti a natureza olhando para mim e me mostrando toda sua força!
    2) Deserto do Atacama, Chile: é mágico! Vulcões, gêiseres, lagoas de sal. Mais uma vez a força da natureza me surpreendeu, um lugar tão árido e ao mesmo tempo tão lindo!
    3) Paris: sim é clichê, mas pra mim Paris é mágica! Eu tive a sensação de estar dentro de um cartão postal o tempo todo. As ruas, os becos, os cafés, os jardins!
    4) Lençóis maranhenses: fui duas vezes lá! Nenhuma delas no auge da cheia, mas aquelas lagoas que brotam no meio do deserto são mágicas!
    5) Praga, Rep. Tcheca: passei minha lua de mel lá! Praga tem uma magia e uma beleza contagiantes! Como diz minha mãe: “até os muros são bonitos”!

    Beijos!

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