Toda incapacidade de nossas instituições

incapacidade

A gente merece sofrer. Porque somos pouco combativos. Porque não reclamamos nossos direitos. Porque não nos mobilizamos. Eu sei… É um saco falar, por exemplo, com atendente de telemarketing. Se você faz qualquer pergunta fora da curva daquilo que foi decorado, ele não consegue responder. É desgastante esperar horas para ser atendido para registrar uma reclamação e, de repente, a ligação cair misteriosamente! E o produto que não é entregue no prazo? Ou é entregue com defeito?

Hoje, depois de quatro meses sendo legal com a AES Eletropaulo, dei chilique. A empresa nunca mais entregou minha conta de luz, não consegue descobrir qual o problema do número da minha instalação que impede que a conta seja colocada em débito automático, tem um número de telefone de ouvidoria que ninguém atende e o formulário via internet de reclamação sempre dá erro na hora de enviar. Bem conveniente.

Às 8h12 da manhã eu levantei a voz para a atendente que parecia estar dormindo. Já estava no limite da paciência há tempos. Eu repeti cinco (CINCO) vezes o meu e-mail para ela me enviar a conta do mês de fevereiro. Lá pela quarta vez pedi pra ela repetir o e-mail que eu acabara de dizer. E a pessoa fala errado!!! Isso tudo depois de mais uma vez o formulário da ouvidoria dar erro e a atendente me comunicar que não havia registro de reclamação minha no sistema. A última que fiz foi na segunda-feira.

Toda incapacidade de nossas instituições reflete nossa cultura do deixa pra lá, faz mais ou menos, vai do jeito que dá. A política de tirar o cliente do sério, muitas vezes com má-fé, pro sujeito cansar mesmo, só existe porque a gente não briga. Mais pessoas no meu condomínio deixaram de receber suas contas. Queria ver se todo mundo se unisse e fosse num órgão de defesa do consumidor ou até mesmo um juizado de pequenas causa se a empresa não se mexia rapidinho.

De novo, eu sei que é um saco brigar. Mas enquanto as instituições não tomam vergonha na cara e se tornam eficientes como devem ser, tem que se impor, sim! Pagamos por esses serviços e pagamos caro. E mesmo que fossem gratuitos seriam custeados pelos nossos impostos – ou seja, não seriam nenhum favor. Muito pelo contrário.

Também falta postura e comprometimento de funcionários. Outro dia, no pronto-socorro de um hospital, observei o descaso de recepcionistas que riam, falavam alto e demoravam para atender pessoas que chegavam passando mal. O mesmo aconteceu semana passada, quando desembarquei no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Na fila gigante para passar na imigração, muitos passageiros precisavam fazer conexão e pegar vôos que partiam dali alguns minutos. Um grupo de garotas com o colete do tipo “posso ajudar?” não ajudava em nada. Elas tiravam sarro do sotaque de estrangeiros e fofocavam, enquanto as pessoas que precisavam pegar seus vôos começaram a pedir, desesperadas, desculpas e licença para passar na frente dos demais passageiros. Nunca vi isso acontecer em qualquer aeroporto do mundo. Só aqui.

Provavelmente, alguém vai dizer “coitadinhos, ganham mal”. Primeiro de tudo, nem sempre quem atende mal ganha mal, não. Isso é desculpa pra boi dormir. Segundo, se as condições de trabalho não são satisfatórias, ou o indivíduo procura trabalhar com outra coisa que não atendimento ao público ou exigir de seus contratantes o necessário para desenvolver bem suas atividades. Aí, mais uma vez, alguém vai dizer “coitadinhos, se reclamarem serão mandados embora”. Eu não tô dizendo pra ninguém meter o pé na porta do chefe e bater na mesa da diretoria. Mas, de novo, se o bom senso prevalecer e funcionários de unirem para conversar com seus superiores, será mesmo que vai dar errado? Ou, simplesmente, é mais cômodo reclamar pelos corredores? Definitivamente, precisamos aprender a nos comunicar com clareza – aliás, em todas as esferas de nossa vida.

A boa notícia dos últimos tempos é que as redes sociais se transformaram num canal poderoso de reclamação. Muita gente já me disse que foi o caminho que funcionou. Deixei na página da AES Eletropaulo no Facebook minha reclamação. Vamos ver. Se até hoje a noite não me responderem é com o Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) que eles vão começar a tratar.

Crédito da imagem: Nobuyoshi Araki

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6 respostas em “Toda incapacidade de nossas instituições

  1. Pois é, Suzane, mas, enquanto a união não faz a força, Procon e Tribunal de Pequenas Causas neles… Temos, sim, direito de ser tratados com decência por esses prestadores de serviço e exigir qualidade… Afinal, nãom temos alternativa, só a AES fornece energia aqui. Mas, mesmo onde há concorrência, caso das telefônicas, o serviço e atendimento deixam a desejar… Vc está certa, tem que reclamar e ir aos tribunais…

  2. Pois é assim mesmo, estou há 15 dias com problemas em minha linha de telefone, qdo entro em contato com a “Vivo Telefonica”, só consigo obter alguma informação de uma secretária eletrônica e qdo espero na linha pra argumentar descontos dos dias em q fiquei sem telefone, simplesmente a ligação cai e fico falando sozinha, meu último recurso depois dessa palhaçada toda, será um contato com a Anatel.

      • Acho que todos nos brasileiros ja tivemos este tipo de problemas, e uma pena que nem todos briguem por seus direitos. Ja sou uma pessoa muito conhecida na Anatel e em varios outros servicos de atendimento ao consumidor. Ja cansei, agora eu ligo para o prestador de servico uma vez, pego o protocolo e ja aviso, se meu problema nao for resolvido no prazo estabelecido vou para os orgaos responsaveis. Nao e facil agir assim, pois voce fica horas no telefone. Mas acho que tenho que brigar pelo meu rico dinheirinho (suado).

      • Eu tambem sou a favor de brigar sempre pelos nossos direitos. Se mais pessoas agissem assim, talvez essas instituicoes tivessem mais vergonha na cara… Bjo

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