Um refresco para os rapazes

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Vocês sabem, por posts anteriores, que sou contra todo e qualquer tipo de machismo. Não consigo entender como alguns homens ainda são capazes de se imaginarem donos de suas mulheres, com mais direitos do que elas, nenhum dever – sem falar naqueles que ainda acreditam ser razoável usar violência e toda sorte de humilhações. E fico em estado de choque – e raiva! – com tantas atitudes machistas que partem das próprias mulheres.

Mas na nossa busca por liberdade, respeito, direitos iguais, algumas de nós, por vezes, passam do limite no feminismo. Tenho amigos reclamando há tempos que já mal sabem se comportar diante de algumas pretendentes. Eles estão completamente confusos se devem ou não continuar com atitudes gentis e de cavalheirismo. Porque tem menina que se ofende. Muito. Um amigo outro dia disse que caiu numa discussão com a moça que ele estava ficando quando ela questionou o fato dele quase sempre fazer questão de pagar a conta do restaurante. Jogou na cara do coitado que aquilo era um “instrumento de dominação do machismo”. Ele desistiu dela não porque não gostava da garota, mas porque não sabia mais como agir.

O programa “Saia Justa”, do canal a cabo GNT, é comandado por mulheres que travam debates os mais diversos sobre o comportamento feminino contemporâneo. No especial de verão, atualmente no ar, quem comanda o bate-papo são quatro homens: o cantor Leo Jaime, os atores Du Moscovis e Dan Stulbach, e o jornalista Xico Sá. Além de divertido, eles conseguem debater o universo da mulher sem esconder os medos masculinos e as dificuldades em lidar com as mudanças de gênero dos últimos anos. Eles não são contra, claro, nenhuma das conquistas femininas de décadas. Pelo contrário. Mas não deixam de clamar por ajuda para compreenderem nossas manias, gostos, ações.

Essa semana, um dos apresentadores citou uma situação em que ele quis dividir a conta do restaurante e a acompanhante ficou brava – meu amigo não está só! Depois, outro deles fez uma observação que eu considero bem pertinente: “Os homens não sabem mais se ao abrirem a porta do carro serão considerados caras bacanas ou uns babacas”. Fico de verdade com dó porque códigos que eles aprenderam durante toda uma vida como sendo algo positivo, agora, são vistos com total descrédito por boa parte da mulherada. Eles ficam confusos, uma hora se enchem – e então ficamos reclamando que não tem mais cara legal por aí.

Garotas, vamos dar um refresco para os rapazes. Nem toda gentileza é demonstração de poder. Nem todo cavalheirismo é sinal de possessividade. Eles podem (mesmo!) ser sinceros no carinho e no afeto sem tramarem o fim da nossa independência. Até porque, se assim for, vocês perceberão e terão liberdade para conversarem sobre dividir a conta, alternar programas que ambos possam bancar… Sem estresse, com amizade, companheirismo… Quem é minimamente esperta vai sacar se por trás de um gesto de proteção tem alguma intenção negativa. Temos que sair um pouco da defensiva. Atenção é gostoso. E ninguém precisa se sentir aprisionada.

Crédito da imagem: Casal Sem Vergonha

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6 respostas em “Um refresco para os rapazes

  1. É verdade, Suzane. Estamos sem saber como proceder com as mulheres – bem, eu, pelo menos estou, pois não tenho tantos amigos solteiros. Apesar disso, continuo com minhas atitudes, que, não tanto aprendidas mas por causa de minha própria personalidade. Tenho duas irmãs, muitas primas e várias amigas, enfim, cresci em um ambiente cercado pelo sexo feminino e a infância e juventude toda ouvi queixas delas sobre o (mau) comportamento masculino. Cresci convicto de que eu não seria um cara como aqueles que desagradavam as mulheres de minha convivência, não agiria daquela forma. Coisas como abrir a porta do carro, bancar a conta do restaurante e cinema, ligar dando um bom-dia etc. são naturais em mim, não têm a intenção de impressionar ninguém e porque eu faria isso com qualquer amiga ou amigo se fosse o caso. O que diferencia na relação com alguém com quem você divide carinhos é a atenção, a dedicação, coisas que minhas amigas e familiares reclamavam. Bem, tive retornos os mais variados. Mas o mais incrível foi ter ouvido, mais de uma vez, que o fato de eu querer uma relação estável (além do ‘ficar’ dos dias de hoje, que não cabe em meus ‘códigos’) ter chocado algumas e feito-as desaparecer de minha vida sem uma palavra de despedida. Típica atitude de macho que elas tanto condenavam. Outras reclamaravam porque ligava sempre para saber como estavam e dizer que sentia saudade delas, achando que isso era um grude inaceitável. Outras, acredite se quiser, disseram que gostavam quando eu tinha uma atitude mais blasé, ‘tô nem aí’, como se atenção fosse algo difícil de engolir. Enfim, que querem as mulheres? Claro, não se pode generalizar, mas que a situação está complicada para nós, isso é fato. Eu pessoalmente gosto de me dedicar a quem gosto e prefiro relações estáveis a ficar cada semana indo a busca de uma nova aventura. Será que um cara apaixonado é tão demodè assim? Que suas recomendações repercutam.. Beijo

    • Carlos, eu acredito mesmo que você deva ficar firme no seu cavalheirismo. Realmente tem uma mulherada meio surtando… rs… Mas pra nós também é difícil porque estamos tentando manter nossa independência ao mesmo tempo que vem uma enxurrada de informação dizendo que tal coisa não é mais aceitável, que uma mulher não pode se sujeitar a isso, aquilo… Estamos todos confusos! Acho que a saída é as pessoas não temerem agir com o coração. E uma hora, tudo se ajeita! 🙂 Bjão e Bom fds!

  2. Lembrei-me de uma situação que aconteceu comigo em que levantei-me para ceder o lugar no metrô a uma mulher que imaginei estar grávida e tive que ouvir um monte de besteiras do tipo “você está querendo dizer que eu estou gorda?”. Fiquei quieto e saí na estação seguinte pensando ” estivesse ela grávida ou gorda, teria se dado bem com a minha atitude”. Se tivesse retribuído a minha gentileza se oferecendo para segurar a minha mochila, sairíamos os dois satisfeitos. Então a dica é esta: retribua a gentileza, nem que seja só com um sorriso!

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