Torcendo pra pagar a língua. Mas eu acho que não…

papa

Temos, então, um novo papa. Ele veio como piada pronta para aqueles que torciam por um brasileiro como novo chefe da Igreja Católica Apostólica Romana. O cardeal Dom Jorge Mario Bergoglio é argentino. E comentários engraçados à parte, o que me interessa mesmo é o que o pontífice vai realizar de fato. Ou não. O que ele vai mudar para melhor. Ou não.

O papa Francisco escolheu o nome do santo conhecido pela humildade, São Francisco de Assis, que optou pela pobreza, deixando pra trás uma vida de privilégios numa família abastada. O novo papa já demonstrou atitudes humildes, como abrir mão de adornos dourados nas roupas que deverá usar e um crucifixo de aço (nem de prata é) para carregar junto ao peito.

Faz sentido se ele é um jesuíta. Faz mais sentido ainda se ele é um sujeito minimamente consciente de que vive numa Itália e numa Europa mergulhadas em crise econômica, assim como sua oscilante Argentina natal. E muito mais se ele tiver sempre em mente que em nome de Deus deve-se buscar ajuda e soluções para aqueles que vivem na miséria, em meio a guerras ou todo tipo de sofrimento. Que em nome de Deus é preciso mais mãos estendidas ao próximo, menos discursos preconceituosos, menos politicagem e disputas de poder.

Ah, o poder… E quanto ele pode subir a cabeça, até do mais santo dos homens? Qual ser humano estará livre do prazer mundano de saber que seu desejo é uma ordem? Espero, de coração, que o papa seja forte o bastante pra suportar a tentação e fique longe das más companhias – que também se escondem por trás de batinas, livros sagrados, orações, reflexões. Em qualquer religião. Porque ser religioso não necessariamente nos transforma em alguém melhor de verdade.

Claro, ele não é só o papa. Francisco passa a ser também um chefe de estado, que representa o Vaticano. Logo, terá que lidar com política – e conchavos, acordos, preciosismos… Provavelmente, corrupção. Haverá tempo de ouvir o povo e seus anseios? De estar realmente próximo da comunidade? De tentar compreender que muitos de nós gostaríamos de continuar acolhidos pela Igreja, mas nos sentimos rejeitados, renegados, reprimidos por comportamentos e escolhas que não prejudicam os demais, nem colocam em dúvida nosso caráter, nem impedem que estejamos prontos a praticar o bem?

Por mais boa vontade que o papa Francisco tenha, eu acho que a politicagem da instituição vai prevalecer. Tem muita gente lá dentro disposta a manter as posturas mais preconceituosas da Igreja Católica. Sim, ela tem suas regras e quem quiser ser parte de seu mundo que as obedeça. Mas ela não pode humilhar, diminuir, segregar. E quantos de nós já não vimos isso na missa de domingo? Eu já vi. Você também, pode admitir.

Espero estar errada. Minha torcida é pra que eu pague a língua e papa Francisco traga novos ares e compreensão ao universo do catolicismo e da religião em geral. Mas eu acho que não… Não, de repente, porque ele não queira. Mas porque a ganância e a ignorância é inerente a muitos de nós que cercam aqueles que que desejam mudar. É uma batalha pesada. Boa sorte, Francisco. Você vai precisar.

Crédito da imagem: Divulgação

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3 respostas em “Torcendo pra pagar a língua. Mas eu acho que não…

  1. É Suzane, acho que o papa começou bem, mas de fato a batalha é pesada! De fato, tomara que ele consiga diminuir a corrupção lá dentro, e renovar a Igreja, diminuindo os preconceitos, discriminações, etc. Afinal, acho que boa parte das pessoas torce e luta por um mundo melhor e mais justo, independente das crenças!
    Gostei das palavras, pra variar, hehehe 😉
    Bom fim de semana! Beijos,

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