Focar demais em si mesmo: você está fazendo isso errado

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Quem nunca se sentiu entediado – até desrespeitado – por um amigo ou familiar que só sabe falar de si mesmo? Ele é a maior vítima do mundo. Ou seus programas são os mais legais. Ou seus problemas são mais importantes. Ou suas vitórias, viagens, relacionamentos, trabalho são, de longe, o que há de mais fascinante na face da Terra. Ah, sim… Provavelmente, ele sabe mais do que qualquer um sobre qualquer assunto. Nada incomum ele ter certeza absoluta de que está… certo. Sempre. Cansa. E como.

Se seus interlocutores vêm participando de conversas com você respondendo só de vez em quando “ahã” e tentando dar aquela educada (ou não) guinada no tema, cuidado. Você corre o risco de ser conhecido (pelas costas mesmo) como alguém que só sabe falar e não ouvir. Que só se preocupa com seu mundinho. Que é egoísta demais para olhar ao redor e entender que você não é a estrela de um show em que as pessoas têm a obrigação de adorá-lo. Sei que vai ser difícil ler isso, mas tenho que te dizer com todas as letras: não, você não é mais especial do que ninguém. Você é mais um entre tantos de nós, com seus defeitos e qualidades, com suas alegrias e tristezas, com seus desejos e escolhas.

Focar demais em si mesmo, pra mim, é sinal de insegurança. Quem muito precisa chamar a atenção sofre de um ego oscilante e frágil – e pela segunda vez na semana vou lembrá-los de que terapia tá aí pra ajudar, meu povo! Acredito que é um comportamento também ligado à educação recebida em casa. Vale pra quem é pai e mãe parar pra avaliar quão mimados seus filhos estão sendo. Nada contra o elogio saudável por uma tarefa, por exemplo, que é um meio de construção positiva da autoestima. Mas reforçar que uma criança tem razão o tempo todo e que ela pode tudo só cria um serzinho mala – que lá na frente se transformará num arrogante sem limites, um tirano.

Não duvido que sua vida tenha bastante coisa interessante pra você dividir. Eu sempre achei que as melhores histórias surgem justamente das experiências de quem tá ali, do nosso lado, cujo cotidiano parece tão simples… Todos nós tivemos grandes momentos, passagens marcantes. Significa que é bacana falar do que enfrentamos, sofremos, vimos, encontramos pelo caminho. Mas o exercício de ouvir o que o outro enfrentou, sofreu, viu e encontrou em sua jornada é enriquecedor. Não só aprendemos mais, com diferentes olhares e perspectivas. Nos reconhecemos. E quem prefere continuar se achando a última bolacha recheada do pacote acaba é falando sozinho.

Crédito da imagem: Um Milhão de Beijos

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