Focar demais no outro: você está fazendo isso errado

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Nada pior do que conviver com aquela pessoa que se acha o centro do mundo (como eu contei no post de quarta-feira). Focar demais em si mesmo é sinônimo de insegurança, arrogância, egoísmo. Mas debandar para o outro extremo também não é nada saudável. Abrir mão da própria personalidade, gostos e crenças em nome de um relacionamento é roubada, seja no amor, na amizade e até no trabalho. Tem gente que começa a namorar e se transmuta, tornando-se um doentio reflexo do parceiro. Há quem se converta no retrato fiel do grupo com o qual convive, incapaz de divergências para não correr o risco de não mais ser aceito. E caso mude de grupo seus valores mudarão junto. Não raro, o indivíduo passa a apenas enxergar defeitos e tecer críticas àqueles que eram parte de seu cotidiano – e antes tão perfeitos.

Uma coisa é capacidade de adaptação, o que pra mim é uma característica super positiva. É estar aberto a conhecer, ouvir e entender o que mais tem por aí, e até experimentar novas possibilidades de vida, de prazeres, de saberes. Por que não provar uma gastronomia diferente, um passeio inusitado, uma conversa com gente de realidades diversas das nossas? É enriquecedor. Completamente o oposto de se ver dependente, anulado e incapaz de organizar qualquer plano sem o aval do outro. Relações que chegam a esse patamar tendem a uma perigosa ligação – e quando rompida, a parte que se fundiu até desaparecer, vai sofrer. E vai ser muito.

Cuidar do outro, é bom lembrar, não é se anular. Só cuidar do outro é. Sair com os amigos dele(a) não é se afastar dos seus. Sair só com eles é. Ter projetos a dois é uma delícia! Sonhar apenas o sonho do outro pode virar pesadelo… Deixar o parceiro escolher um filme, um restaurante, sugerir um programa, não é ficar sem opinião. Mas se você vê escorregar pelas mãos o direito de opinar no que vocês farão juntos, fique alerta. Isso é grave e não vai acabar bem, não. Quem não está disposto a dialogar, trocar ideias para que acordos em comum se concretizem, tanto apenas para mandar quanto apenas para obedecer (numa insana tentativa de agradar), empurra o relacionamento para o fracasso. Ou para um relacionamento duradouro daqueles em que as feridas abrirão, custando pra cicatrizar – se cricatrizar.

Focar demais no outro traz uma angústia disparada pela eterna dúvida “estou agradando ou não?”. Porque a ânsia pela dedicação extrema é cansativa, a perfeição nunca será alcançada e você sentirá frustração. Em algum momento você “errará” e é natural. Caso o parceiro seja uma pessoa dentro da normalidade vai até achar a atenção em demasia sufocante. Focar demais no outro e esquecer da sua vida é falta de amor próprio. E só é amado e admirado quem tem amor pra dar – desde que sobrando pra si mesmo em doses saudáveis.

Crédito da imagem: Casal Sem Vergonha

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