Dúvida, essa corrosiva

nãoquebrar

Descobrir uma mentira é uma das dores mais insuportáveis e incompreensíveis que o ser humano pode experimentar. Ao mesmo tempo, uma verdade amarga, aquela que vai direto na cara, tira nosso chão. Confunde tudo o que parecia compreendido, lúcido, concreto e… amável. Mentira descoberta e verdade amarga se completam. Uma puxa a outra. Uma reforça a outra. Uma é a clarividência daquilo que a outra mascarava.

Mas entre elas – e até sem elas – existe um outro tipo de sofrimento, que ainda não é dor, nem sempre acaba sendo dor, mas dói por criar uma oscilação dos sentimentos. É um jogar de ácido no coração: a dúvida, essa corrosiva. A fantasia de que podemos controlar nosso destino é permanente. E quando ela é confrontada pela realidade, pela obviedade de que nem sempre, mesmo fazendo o melhor, não temos a certeza de algo, a dúvida corrói. Em tudo.

No amor que a gente não se sabe se é correspondido. No tratamento que precisa de tempo pra surtir efeito. No trabalho pelo qual não temos um retorno (nem positivo e nem negativo) e do qual dependemos muito. Na empresa que não confirma, afinal, se haverá demissões e quando. Naquele dinheiro que não parece chegar nunca para aplacar a dívida que cresce. “Será que consigo pagar o aluguel até semana que vem?”, pergunta uma ansiosa e triste voz interior. Como é difícil…

O cuidado é saber quando a dúvida é ou não doentia. Se ela é fruto de uma mania de perseguição, de um pessimismo, de uma postura de vítima diante da vida. A dúvida pode ser um ressoar de sensações que remetem a uma situação desconfortável, assustadora, repressora, traumática do passado. Ou ela surge quando lidamos com cenários em que até o mais equilibrado dos mortais se sente na corda bamba. Relações em que uma das partes diz uma coisa e faz outra, ou diz uma coisa e depois diz outra completamente oposta, não ajudam muito a ter dúvidas dissipadas. Na real, só quebram (ou deixam de construir) confiança.

Se o seu modus operandi é duvidar até da própria sombra, cuidado. Você pode querer tanto se defender daquilo que hipoteticamente te machucaria que acaba se fechando, se afastando do convívio das pessoas. Ou elas do seu. No outro extremo, se você não cumpre o combinado ou confunde as pessoas com palavras (mesmo que não seja por mal), alguns desejos podem ser colocados à prova, andar pra trás… Se essa não é a intenção, sempre existe a chance de repensar algumas ações.

A dúvida é um destilar de veneno lento. Mas ela tem antídoto – disso eu tenho certeza! O importante é a gente não deixar ela se espalhar e estilhaçar três coisas essenciais na vida: confiança, promessas e corações.

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