Arthur, Suellen, Tito: os pequenos que me ajudaram a compreender o tempo

hora do recreio

Foi amor à primeira vista. Quando olhei para Arthur, então com seis meses, no colo de sua mamãe, minha amiga, ele logo abriu aquele sorriso gostoso que só os bebês têm. O que derrete e ganha seu coração instantaneamente. Abracei meu amiguinho com a certeza de que seremos parte da vida um do outro sempre. Nosso encontro foi no Rio de Janeiro.

Passar os dedos pelos cachinhos macios de Suellen foi uma alegria de enorme significado. Aos cinco meses, ela era o impulso que faltava para, finalmente, eu reencontrar sua mãe, minha amiga da época de faculdade. Quantos anos separadas por quilômetros de estrada… Os olhinhos brilhantes e felizes, logo notei, eram herança materna. Nosso encontro foi em Itararé, interior de São Paulo.

Tito veio correndo pelas escadas da entrada do hotel, falando sem parar – conforme seu pai, meu amigo, já havia me alertado. Elétrico, engraçado, conversador, uma figurinha única. Cabelos escuros, cheios, bonitos, brilhantes. Bochechudinho. Misturava um pouquinho o português com o espanhol. Já tem seis anos. E pensar que fui monitora do pai dele quando ainda éramos aprendizes de jornalistas… Nosso encontro foi em Santiago, Chile.

Ver os filhos dos amigos nascerem, acompanhar o crescimento (mesmo que virtualmente) e se dar conta de que, daqui a pouco (mas bem pouco mesmo), é no baile de formatura deles que a gente estará brindando mais uma etapa, vem me ajudando a compreender o tempo. Tanto o tempo bem utilizado como o tempo que perdemos, literalmente, com o que menos importa: disputas, mesquinharias, temores, crises de ansiedade, rancores, as tentativas de ter a última palavra, de alcançar o sucesso custe o que custar, entre tantas outras ações que no fim de tudo, no fim do dia, no fim da vida, terão somado praticamente nada. Ou nada realmente.

Fui feliz ao conhecer de perto, abraçar e beijar os pequenos. Mas fiquei um pouco melancólica ao perceber o quanto vamos sempre achando que “amanhã dá tempo”. E não dá. A gente tem essa mania besta de deixar pra depois o estar perto de quem amamos, o enviar aquele e-mail longo contando de um tudo ou dar um telefonema de horas só pra matar a saudade mesmo. Claro, as pessoas seguem seus caminhos. Vão morar em outras cidades, países. Mas com tanta tecnologia à serviço da aproximação entre as pessoas, como é que deixamos pra lá?

Nossa desculpa é sempre o cotidiano estressante. Eu sei como você se sente. Pude ficar horas e até dias na companhia de Arthur, Suellen, Tito e seus pais porque me permiti um sabático – aquele momento de parada pra repensar os rumos até ali (considerado loucura por muitos, mas que garanto ser um dos melhores presentes que você pode se dar). Se tem uma coisa, porém, que aprendi no período do meu sabático é que algumas das atitudes que tive, decisões que tomei, são perfeitamente encaixáveis no dia a dia. Ninguém precisa esperar pra amar mais, sorrir mais, abraçar mais. Pra parar dez minutos diariamente e entrar em contato com os que são queridos. Ou tirar algumas horas da semana pra eles.

Só não temos tempo quando somos desorganizados. É verdade que algumas épocas são mais puxadas do que outras. Mas, na maioria das vezes, estamos apenas perdendo minutos preciosos com desgastes desnecessários e com o que não merece de fato nossa energia. Arthur, Suellen e Tito me fizeram compreender que o tempo corre a passos largos. E pra termos o seu melhor é preciso desapego dos valores superficiais e apego ao realmente fundamental. Como uma vez disse o escritor português José Saramago: “Não tenha pressa. Mas não perca tempo”.

Crédito da imagem: Suzane G. Frutuoso (Paris/França)

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