Faxina, casinha arrumada e uma boa vibe

faxina e vibe

Em tempos de PEC das Domésticas sou obrigada a revelar um talento pessoal, talvez maior até do que a escrita: sou boa de faxina. Cozinho ok. Detesto passar roupa. Lavar louça até que não é martírio. Nada, porém, me deixa mais realizada do que esfregar chão, aspirar pó, espanar móvel, deixar pisos com cheirinho de eucalipto. Pode rir. Pode achar bizarro. Mas a satisfação de ver tudo limpo é inexplicável. E olha que eu tô em boa companhia! Descobri que Luiza Brunet e Ivete Sangalo também são fanáticas por faxinar! Amam um balde, um rodo, um esfregão. Tenho turma.

Não bastasse a alegria de ver tudo em ordem, fazer faxina (eu já tinha notado há algum tempo) me ajuda a controlar emoções. Cientistas já publicaram várias pesquisas indicando que a atividade física realmente equilibra nossos sentimentos. Raiva, ansiedade, euforia, melancolia… A oscilação de sensações diminuem com os exercícios. Eu faço yoga, caminhada, musculação. Também sinto os efeitos positivos de me mexer. Mas aquele pano úmido deslizando em movimentos circulares pelo vidro da janela, ah, me deixa em êxtase… Pra desestressar, há quem corra, quem nade, quem pedale. Eu, faxino.

Além do bem-estar, limpar a casa tem um outro lado especial (sim, especial!), que funciona muito quando estou triste… É quase uma terapia. Ponho pra tocar alto aquela música de fossa e lá vou eu, esfregando, chorando, espanando, soluçando… A mágoa vai afogando e começo a prestar atenção em cada objeto que seguro. Porque tudo – tudo mesmo – que eu tenho dentro do meu kinder apê é de enorme valor sentimental. Representa o carinho de alguém, um momento bonito, uma conquista. São presentes dados pelos mais queridos. São presentes que eu me dei porque mereci. Não tem nada caro, nenhum móvel de designer, nada disso. Tem afeto. Tem boa vibe.

Não sou eu quem estou me gabando da energia bacana do apezinho, não! Uma amiga já disse que o legal da minha casa é, justamente, ter cara de… casa. E é verdade. Quando olho em volta percebo aconchego. Daqueles que você sente na casa da mãe, da vó, da tia… Tenho fotos das pessoas que amo, fotos que eu mesma tirei em viagens, cartas de amigos, quadros (alguns vieram do meu quarto de menina, da casa dos meus pais). Meus cds antigos estão lá… Parados, mas lá, como trilha sonora da minha vida… Meus livros, que me ensinaram e me emocionaram tanto… Tenho pequenas porcelanas portuguesas, pequenos cristais italianos… Minhas plantinhas… Meus paninhos bordados de enfeitar mesa e outros móveis… Minha geladeira cheia de ímãs que me lembram tanto o que eu já vi pelo mundo… O aviso dos ventos no terraço, com seu som melodioso, é capaz de espantar meus demônios. Os budas me protegem, assim como dois deuses indianos que tenho na parede, representando prosperidade e integridade.

Não é uma questão de ser materialista. Mas de lembrar que objetos são parte da nossa memória afetiva…

O resultado é a alegria de saber que as pessoas gostam de vir aqui. Dizem que se sentem melhor depois de uma tarde com café e bolo no meu sofá. Nem tudo está do jeito que eu queria. Muito do que era pra ser provisório se transformou em definitivo porque a grana encurta vez por outra… Mas tá bom. A casinha é bonitinha, mesmo com uma parede ou outra pra pintar. Me recorda o que e quem tenho de melhor na vida, que sou querida. E talvez por isso eu goste tanto de faxinar ela. Cuidar do lugar que vivo é como cuidar das minhas relações. A organização doméstica mantém em paz o meu coração, limpa as dores dele…

Crédito da imagem: Casal Sem Vergonha

Anúncios

6 respostas em “Faxina, casinha arrumada e uma boa vibe

  1. Su…amei esse texto!!!! Parabéns…sabe que eu tenho loucura por criar um site só de mulheres, com textos interessantes, criativos e sugestivo? Quem sabe um dia…

  2. Oi Suzane,
    Eu diria que não sou tanto da faxina, mas pra mim o que funciona muito é a organização. Parece que eu me organizo interiormente. Gosto de abrir o armário, tirar tudo lá de dentro, limpar tudo e organizar delicadamente. Dobro peça por peça, divido por cores, limpo cada caixinha, cada gaveta, organizo os sapatos, os livros (em ordem de tamanho com os textos pro mesmo lado), jogo fora papéis velhos, faço uma pilha de doação, e por aí vai… É terapêutico. Eu sinto que acabo organizando a mim mesma, meus sentimentos, minhas aflições, meus desejos….
    Eu acho que mexe com a energia da casa como um todo, sinto uma renovação cada vez que faço isso!
    Confesso que não sou neurótica com organização, pelo menos não me acho, mas eu fico muito satisfeita quando vejo armários organizados, hehehe 🙂
    Beijos,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s