Vida, uma desequilibrada (ou como os dias melhores sempre voltam)

diasmelhores

Em outubro do ano passado montei pela segunda vez uma exposição de fotos minhas. Não sou fotógrafa profissional, não. Mas gosto de dar minhas clicadas por aí e tem coisa (modéstia a parte) que fica bem legal. O nome da mostra era “Me Conte a História Que Você Vê”. Ao lado de cada imagem deixei um bloquinho com caneta pra quem quisesse escrever quais sensações os retratos despertavam. Eram fotos de lugares em Amsterdã e Paris. Não dos locais turísticos, especificamente. De cenas cotidianas, com pessoas em situações corriqueiras, paisagens vistas de ângulos inusitados. Muitas das mensagens deixadas – curiosamente – desejavam dias melhores, superação de adversidades, força para suportar as horas complicadas… E amor, em suas diferentes formas e acima de tudo, como a resposta pra quando nada mais parecesse dar certo.

Uma das mensagens era apenas “stay strong”, algo como “fique firme”, “seja forte”. O público, ao contrário da primeira exposição, não era de gente conhecida minha. Nem sabia o que acontecia na minha vida naquele momento… Intuição coletiva, talvez…

Os três meses anteriores a outubro foram conturbados. Passei por situações bem difíceis. Vi pessoas que eu amo sofrendo. Perdi a compostura pra fazer burocracias funcionarem. Minha saúde precisava de atenção. Acompanhei a tristeza de grandes amigos. E, nisso tudo, eu ainda tinha que lidar com uma busca essencial: a de encontrar o meu lugar no mundo. De questionar o que tinha valido a pena até ali e o que deveria ser deixado pra trás. O que eu perdi e o que ganhei nos últimos tempos. O que eu desejaria pra mim dali em diante. E olha… esse processo pode ser uma piração. Sua autoestima vacila. Seu amor próprio oscila. Suas certezas descem ladeira abaixo.

Me senti sozinha não porque estava sozinha. Mas porque só a solidão me esclareceria uma série de dúvidas. Não tinha como fugir dela. Eu precisava tomar decisões por minha conta e risco – inclusive pelos outros. Era o ápice de uma fase na qual, independentemente do lugar em que eu pisasse ao meu redor, eu poderia afundar e bater no fundo do poço. Parecia que nada teria saída. Ou pelo menos uma saída simples.

Aquele dia de outubro foi marcante, no entanto, não só pela exposição e pelas mensagens que me emocionaram – como se tivessem sido escritas diretamente pra mim. Mas porque reencontrei seis pessoas muito amigas. Sabe aquelas que te adoram do jeito que você é e te admiram? Que você sabe que torcem por você, te desejam o melhor com o sentimento mais sincero? Os problemas não tinham acabado. Estavam no meio, no desenrolar. Mas me sentir querida e acolhida por afeto despretensioso me ajudou a compreender que os dias melhores sempre voltam. É possível se sentir em paz novamente mesmo que ainda exista muito a resolver. Mesmo que a vida pareça em seu mais completo desequilíbrio. O segredo é se cercar de gente que conhece seu valor – e sabe que ele é enorme.

Na real, a vida é uma desequilibrada. A gente que acha que vai conseguir deixar tudo perfeitinho. Vai nada! É assim: quando arruma de um lado, desarruma do outro. Quando uma coisa se resolve, outra se complica. Chega uma felicidade e vem outra rasteira na sequência. E aí, quando a danada parecia ganhar o tal equilíbrio… Rá! Ela desandou. Machucou. Chocou por provar, mais uma vez, que adora te pregar uma peça e te fazer de palhaço – é só pra te deixar esperto e não deixar você esquecer o seu valor (e nem vender ele barato).

Porque sim, os dias melhores sempre voltam de verdade! Ontem foi desses dias. Com gente de boa vibe que me ajudou a esquecer o eterno sobe e desce do cotidiano. Os dias melhores não são garantidos. Eles podem, porém, serem prolongados. Basta aprendermos a enxergar certas experiências com distanciamento. Depende apenas da dimensão que a gente dá para nossas tempestades pessoais. No fundo, boa parte delas, é só um vento mais forte – e que logo volta a ser brisa.

Crédito da imagem: Photography

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4 respostas em “Vida, uma desequilibrada (ou como os dias melhores sempre voltam)

  1. Su, aí está o que eu precisava ler hoje… Talvez essas fases sejam pra gente conhecer outras faces nossas, outras formas de evoluir… Estou numa fase assim, convivendo com novas ideias e percepções sobre mim mesma e sobre a vida! Mudar dói, machuca, mas eu sempre me lembro que vale a pena quando passa… Seu texto me ajudou a lembrar disso, nessa segunda-feira cheia de boas energias!!! Uma ótima semana pra você e obrigada 🙂

    • Que bom, querida! Fico muito feliz mesmo em ter ajudado… E é assim que é… Pode ser um pouco difícil no começo, mas quando a gente olha pra trás, depois de um tempo, entende o motivo daquela transformação. Bom restinho de semana pra você também. Bjoka

  2. Oi Suzane!

    Sim, também acho que dias melhores voltam! Com diz o ditado: “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe”, ou qualquer coisa parecida com isso! Sei que às vezes uma situação, principalmente ruim, parece durar para sempre, mas quando menos esperamos ela passa! Vamos seguindo a vida, arrumando de um lado, desarrumando do outro, um dia mais feliz, outro mais triste, mas importante é ter em mente que dias melhores virão! E que os problemas são da dimensão que damos para eles, ou tentar ter isso em mente para diminuí-los!

    Beijos e bom começo de semana!

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