O poder do dinheiro (para o bem e para o mal)

dinheiro

Dinheiro é bom. Acho que ninguém em sã consciência consegue negar isso. A história de que dinheiro não traz felicidade é beeem relativa. Porque grana te dá sim tranquilidade, segurança, conforto, ajuda a realizar sonhos. E a gente percebe mais ainda todas as vantagens quando a conta oscila mais do que gangorra em parquinho de criança. É verdade que não é o dinheiro sozinho que te permite experimentar a serenidade, o companheirismo, a amizade sincera, o grande amor, uma conquista pessoal bacana, entre outras coisas incríveis que estão aí no nosso caminho. Quando, no entanto, a vida financeira tá sussa é uma preocupação a menos e tempo a mais pra focar energia naquilo que não tem preço – mas valor. Ou pelo menos deveria ser assim…

O problema do dinheiro na nossa sociedade é ter se transformado numa arma pra triste mania de status e para o preocupante consumo desenfreado. Veja, nada de errado em ser bem recompensado pelo trabalho que se desenvolve e muito menos usufruir do jeito que quiser do dinheiro que você ganha porque merece. O que me deixa meio abismada é a quantidade de pessoas que a cada dia estão mais interessadas em serem reconhecidas por aquilo que elas têm do que por aquilo que elas são. Você pode dizer “ah, Suzane, mas esse discurso é antigo”. Tem razão. E justamente por ser antigo já deveria ter melhorado muito! Já deveria ter entrado na cabeça de todos nós que não é o carro que você dirige, o restaurante que você frequenta, a viagem para o destino exótico, o celular que quase diz que te ama, nem a roupa de grife que faz de alguém um ser humano decente.

Fico sinceramente feliz em perceber quanto nos últimos cinco anos o brasileiro teve a oportunidade de aproveitar uma economia estável (agora nem tanto) pra realizar o sonho da casa própria, de poder viajar, de conhecer mais de gastronomia, frequentar mais o cinema, o teatro, equipar a casa com móveis e eletrodomésticos que facilitem o cotidiano, se dar um presente, estudar… Mas na hora que o consumo vira um “quem pode mais é porque tem” ele perde todo seu lado positivo.

Então, você me pergunta também: “Mas Suzane, não sempre foi assim? Quem tem dinheiro pode mais, faz o que quer, age como quer?” Sim, você tem de novo razão. Historicamente, o poder financeiro permitiu a muitos acreditarem terem aval pra agirem com superioridade, arrogância e exploração. Mas por que a gente vai reproduzir o pior? Por vingança do dia que nos trataram assim? Não me parece muito esperto, não. É desgastante e angustiante demais a eterna luta pra ver quem é melhor seja lá no que for – porque no fundo essa luta é travada internamente. Não é o outro que tem mais. É algo dentro de você que te leva a acreditar que tem menos (e que te diminui como pessoa). Aí é uma urgente necessidade de autoconhecimento, de buscar ajuda pra compreender porque esse sentimento tá presente.

Conversando com duas amigas do mestrado dia desses descobri dois exemplos quase inacreditáveis do quanto o desespero pelo consumo chega a cegar as pessoas. Uma delas esteve recentemente numa cidade no interior do Pará, lá onde o mapa faz curva, bem longe. Numa cidadezinha que nem tinha rede de internet, todo mundo era dono de smartphone!! Os moradores usam o celular mais avançado pra despertador, por exemplo, e pra mostrar que têm um iPhone. Gente, para.

Outra colega, que estuda justamente o consumo na classe C, já se deparou com pesquisas nas quais os entrevistados se dizem muito satisfeitos com a tevê de tela plana, a bolsa de grife, o (de novo!) smartphone de ultimíssima geração, e tudo que andaram comprando recentemente. Mas convivem com esgoto a céu aberto na porta de casa e sofrem num transporte público precário diariamente. Acreditam serem incluídas na sociedade graças ao que consomem. Não percebem, porém, que aquilo que realmente melhoraria consideravelmente a vida delas está longe de ter solução.

De novo, gente, dinheiro é bom e a gente gosta. Ele permeia todas as nossa relações pessoais, inclusive – familiares, de trabalho, de amizade, a dois. E, por isso, grana tem que ser um detalhe, não o foco. Tem que ser usada com equilíbrio, não pra causar discórdia e disputa. Não pode ser mais importante do que nossos relacionamentos e nem ser aquilo que nos destaca no mundo. Eu desejo profundamente ter mais dinheiro nos próximos meses, sim (e eu vou ter). Mas espero que ele só me deixe mais tranquila diante do cotidiano. Nunca faça de mim alguém mais ou menos interessante pra alguém.

Crédito da imagem: Cultura Inquieta

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2 respostas em “O poder do dinheiro (para o bem e para o mal)

  1. Oi Suzane,

    Excelente texto! Concordo plenamente! Eu fico muito cansada dessa coisa de ter que ter. Tem horas que eu acho que as pessoas estão esquecendo o ser e se preocupando com o ter. Infelizmente o ter nunca irá te deixar totalmente feliz, porque sempre vai aparecer um smartphone novo, uma TV 3D ultramax realidade, uma marca de roupa mais chique e famosa, e por aí vai…. Também acho que o dinheiro é bom, mas o dinheiro pelo dinheiro é péssimo para o ser humano. Como você mesma disse, o problema é quando ele vira o foco da vida.
    Gente, vamos desfrutar do que o dinheiro tem de bom, mas não vamos deixar de ser para ter!

    Um beijo,

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