A arte de compreender relacionamentos aos 30

eles elas 30

Relacionamento a dois não é fácil. Por mais que se goste, por mais que se aprenda o tal do ceder, se relacionar de um modo saudável, me parece, é uma arte para poucos. Sim, namoros e casamentos podem ser muito felizes! Eu acredito nisso fortemente porque vejo casais amigos meus, bem próximos, que estão genuinamente contentes e serenos com a escolha que fizeram. Mas se você chegou aos 30 e está solteiro, lamento dizer, terá que encarar uma profusão de desejos confusos. Tanto por parte dos homens como por parte das mulheres.

Porque 30 anos, eu descobri, pode ser a mais angustiante das fases sentimentais da vida de alguém. É verdade que, a essa altura, você já aprendeu aquilo que NÃO quer mais. E, cá entre nós, é um tremendo adianto ter certeza das situações/tipos de pessoas com as quais não se espera mais conviver. Mas dependendo de como conduziu seu caminho até aqui, você ainda não sabe realmente o que deseja, como dizem por aí, para o resto dos seus dias (o que me soa tempo demais, inclusive, caso eu chegue aos 100 anos).

Não bastassem dúvidas como “caso ou dou a volta ao mundo sozinho(a)”, “me torno pai/mãe ou continuo com um foco único na carreira pra ganhar dinheiro e fazer o que eu bem entender”, ainda temos que lidar com as fragilidades alheias. E as fragilidades femininas e as masculinas divergem horrores nessa fase. Comecei a conversa “o que eles querem, o que elas querem” com um amigo num almoço de domingo, que se estendeu num outro dia por telefone e acabou numa partida de sinuca numa noite depois do expediente. Temos teorias diferentes sobre o assunto, mas complementares.

Ele acredita que na casa dos 30, especialmente os caras separados (e são uns tantos) precisam de “espaço”. Querem ter alguém, mas não o tempo todo. Enquanto isso, a mulherada de 30 quer provar para o sujeito que pode amá-lo (em curto espaço de tempo!) mais do que sua própria mãe. Permear TODAS as horas do dia dele. Eu concordo que a situação descrita seja bem corriqueira, com destaque para parte (atenção para a palavra “parte” no contexto) das mulheres que se dedicaram nos últimos anos exclusivamente à carreira e a se realizarem individualmente. Mesmo que inconsciente, o desejo de ter alguém pra compartilhar os dias se torna urgente. Nem sempre pra casar e ter filhos. Mas pelo prazer único que é amar alguém e que andou em segundo plano. De ter companhia nas lutas que estão por vir – porque enfrentar tudo sozinha uma hora enche o saco e você quer sim um ombro mais forte que o seu pra deitar um pouquinho.

Como contrapartida, a outra parte das mulheres que optaram pela realização individual antes de pensar se realmente se encaixam no padrão família margarina é que PRECISA do tal espaço (que meu amigo julgou ser uma exclusividade masculina). Não é regra, não. E essa mulher não entende quando é atropelada pelos desejos de caras que querem sim casar, ter filhos, a família margarina – mas desde que seja do jeito deles. Amigo, essa moça não vai aceitar sem debate suas imposições. Ela foi dona de si até aqui, querido. Você acha mesmo que ela vai trocar automaticamente o estilo de vida dela pelo seu sem concessões? Não vai. E ela pode até chorar uns dias quando vocês romperem pela divergência de ideias. Mas em seguida estará planejando uma viagem pra Ibiza com as amigas.

Uma coisa a gente concordou nas nossas conversas: homens de 30, no fim, graças à insegurança e à preguiça, acabam preferindo meninas bem mais jovens, no começo dos 20 anos. Palavras dele: “Elas são muito mais fáceis de impressionar, têm menos experiência. Se eu te contar da minha última viagem pra Londres não vai ser nada incrível pra você. Tenho que te contar alguma coisa do tipo ‘a última vez que estive no Nepal’.” Significa que eles, bobinhos, temem não serem páreo pra nós em termos de experiências. Não entendem que levamos em consideração muitas outras coisas legais, como caráter, atenção e disposição de aprenderem junto com a gente infinitas possibilidades que o mundo tem a oferecer.

Independente da idade e da crise sentimental em que se está mergulhado, uma regra nunca deve ser esquecida: relação boa é relação saudável. Amor rima com dor só em caderno de poeta. Na vida real, amor tem que ser gostoso e leve. Eu acho. Do contrário, sempre cabe aqui o clássico “antes só do que mal acompanhado”.

Crédito da imagem: Casal Sem Vergonha

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2 respostas em “A arte de compreender relacionamentos aos 30

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