Recuperando a fé na humanidade

fé nas pessoas

Não tá fácil, não. Acreditar no ser humano anda um tremendo desafio. Muito egoísmo, falta de generosidade, de educação, intriga pra lá e pra cá, um festival de arrogâncias. Tem por aí também um pessoal com caráter, digamos, elástico, sabe? Nem tudo, porém, está perdido. Como eu sempre digo: tem muito pilantra no mundo, mas também tem muita gente bacana. Tem quem seja do bem e cultive o desejo sincero de passar essa boa vibe pra frente. E consegue fazer isso, inclusive, com gestos simples, daqueles que pela delicadeza embutida acabam surpreendendo, emocionando.

Na noite de terça-feira, quando a temperatura despencou em São Paulo e veio acompanhada de uma chuva constante, decidi desistir de uma baladinha pra ficar no conforto quentinho do lar. Era perto das 22h. Maroon 5 tocava no meu note. De repente, recebo um bilhete por baixo da porta da sala. Dizia assim: “Você ouve música um pouco alto a noite. Mas não nos importamos porque a seleção musical é sempre muito bonita e sensível. Obrigada!! Apt. Tal”. O casal vizinho, do apê ao lado do meu, mandou o recadinho. Eles poderiam ter batido na minha porta e me xingado. Ou terem me entregado pra síndica. Ao invés de criarem picuinha, optaram pela classe com uma pitada de doçura.

Estamos tão desacostumados com gentilezas e tão acostumados com reações completamente desmedidas das pessoas que são contrariadas, que uma atitude assim impressiona. Coloquei na minha timeline do Facebook o conteúdo do bilhetinho: 102 curtidas e 32 comentários de amigos admirados e felizes por descobrirem que partir para a ignorância não é a vontade de todos nós. Que há sim quem se preocupe em ser cuidadoso com seus atos, de um maneira que não venha a ferir o outro.

A boa notícia é que esse é apenas um exemplo de tantos. Percebemos pouco porque quase sempre estamos imersos num stress se fim, prontos pra reclamarmos da vida mais do que contemplarmos o que e quem ela nos presenteia de positivo. Acabei lembrando de outra coisa que vem me chamando a atenção. Praticamente em frente ao meu prédio tem uma faixa de pedestres. Não há semáforo. Logo, quem deseja passar por ali precisa contar com a boa vontade do motorista. E notei, de um ano pra cá, que ao apenas colocar o pé na faixa muitos carros já diminuem a velocidade, vão parando para as pessoas passarem. Numa cidade dominada pelos carros chega a ser a glória.

É verdade que agora tem a história da lei que multa o motorista que não parar para quem estiver na faixa e também o poder que os pedestres ganharam ao “brecarem” veículos em geral com apenas um movimento do braço. Só que eu nunca fiz esse movimento de braço pra atravessar na faixa em frente ao prédio. E nunca tem fiscal de trânsito na minha rua. Significa que se o sujeito não parar pra mim, ele não vai levar multa. É conscientização realmente. Vou mais longe: é um desejo sincero das pessoas diminuírem um pouco a tensão diária de uns com os outros.

Ainda não se convenceu? Bom, olhe ao redor. Duvido que você não encontre gente educada, simpática, amigável, cuidadosa, até mesmo com um estranho, que se esforça em manter a “atmosfera” um pouco mais leve. E seja você também capaz de gestos que suavizam a convivência entre as pessoas. Pra inspirar, eis um link que adorei de um site americano com 21 imagens que restauram nossa fé na humanidade: http://www.buzzfeed.com/expresident/pictures-that-will-restore-your-faith-in-humanity. Porque eu acredito que sempre tudo pode ser melhor. As pessoas também.

Crédito da imagem: blog Casal Se Vergonha

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2 respostas em “Recuperando a fé na humanidade

  1. Que legal!! Já a minha vizinha de cima jogou um balde de água na minha cabeça, porque eu estava fumando um cigarrinho na minha varanda no final do dia, depois do trabalho (pq não fumo dentro de casa). Nem sei como ela conseguiu isso!!! Olha que eu moro num edifício bacana, num bairro igualmente bacana, na zona sul do Rio.

    Seu blog é sensacional!! Sempre acompanho!!!

    Um abraço,

    Andrea

    • Nossa, desnecessário, né?! É aquela história de que muita gente acha que só elas têm direitos e podem fazê-los valer na marra… Triste.
      Obrigada por acompanhar o blog, Andrea!! Uma linda semana pra você!
      Bjão

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