Meu afeto pelo Starbucks (e como isso me ajudou a superar a lembrança de uma escolha errada)

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Sei que o Brasil tá fervendo, mais Brasil do que nunca. Que tem muita coisa importante e fundamental acontecendo pelo país afora. Hoje, porém, eu vou pedir a vocês permissão pra declarar meu amor a uma empresa americana. Lá não tem o melhor café tirado (e pra quem gosta de café, como eu, deveria ser imperdoável). É caro, bem caro (se bem que tudo parece bem caro atualmente). Mas entrar num Starbucks, pra mim, é mais do que entrar numa cafeteria. O Starbucks me salvou da saudade e de um coração em dúvida. Me ajudou a aprender outro idioma e a compreender novas realidades. Tudo numa das épocas mais especiais da minha vida. Há exatamente onze anos. E cada vez que eu peço meu “caffe latte tall”, acompanhado de uma torta de maçã com nozes, a sensação é de que uma hora as coisas se ajeitam. É o conforto do café quente e a doçura da torta que me freiam daquele um passo que a gente às vezes fica da amargura.

Meu primeiro Starbucks foi o da Montrose Boulevard, em Houston, Texas, onde eu fazia intercâmbio. Era no meio do caminho entre a universidade e a casa de família na qual eu morava. Não curti o café. Mas gostei do ambiente. As pessoas estudando nas poltronas, as mesinhas baixas de apoio. Por aqui, ainda não tinha visto esse conceito de decoração pra um local público. Pelo menos não que eu me lembre. Também ainda não morava em São Paulo. Só tinha passado uma temporada de três meses na cidade. Bom, pra mim era novidade. E era aconchegante, amigável.

Passei a estudar na loja da Montrose quase todas as tardes. Os funcionários já me conheciam – e ajudaram muito, com paciência e simpatia, na melhora do meu inglês. Entre um latte e outro, o namoro daqui começou a perigar graças a uma paixonite platônica por um amigo italiano. O primeiro latte derrubei todo na perna esquerda, acabando com minha calça jeans. Inesquecível – porque tava quente demais! Lá de dentro vi chuva, ventania, pensei na vida, me protegi do calor texano no ar condicionado, comecei a escrever minhas primeiras crônicas e artigos (que nunca publiquei em lugar nenhum e nem vou publicar), sem saber que seria agora uma escrita tão essencial pra mim. Quantas das minhas risadas entre amigos de nacionalidades tão diversas o Starbucks da Montrose registrou? Muitas. Quase infinitas. Até o sabor do café melhorou…

O Starbucks continua sendo um dos lugares onde gosto de sentar pra conversar com gente querida. Mas, principalmente, ele me acolhe na minha tristeza. Parece que tem um “deixa a menina sossegada um pouco” no ar. Proteção. Ontem lá fui eu, numa das lojas que fica na região da Avenida Paulista. Todas as poltronas ocupadas. “Caffe latte tall” (agora, acrescento canela) e torta de maçã com nozes em mãos. Sentei num banquinho alto, de frente pra uma bancada. Tinha um espelho. Tive que me encarar, emoldurada pelo cabelo vermelho, recordando que há cerca de um ano fiz uma escolha errada na vida. A gente tem mania de arrumar bode expiatório pra tudo que acontece de controverso. Mas tem hora que a realidade é única: a culpa foi sua. Uma escolha errada, por birra, orgulho e vaidade. Por não ter coragem. Por acreditar em bobagem. Por não arriscar. Às vezes, a vida dá chance de arrumar. Não é sempre. Quase nunca, talvez…

Por sorte, eu tinha as garfadas da torta ao meu alcance pra amenizar a lembrança amarga. O latte me ajudando a pensar, praticamente sussurrava um “tudo se renova”. Serenidade. Fica a lição. Outras escolhas virão, afinal. Que o Starbucks me inspire com café e doce pra acertá-las.

Crédito da imagem: Suzane G. Frutuoso

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2 respostas em “Meu afeto pelo Starbucks (e como isso me ajudou a superar a lembrança de uma escolha errada)

  1. Su, não acho que as escolhas são erradas, são sempre um risco, mas sempre apostamos em nós e em nossos sentimentos. Valeu a experiência, um passo para o crescimento, agora já sabemos o que dói, o que machuca e o que nos faz mal.
    O Starbucks eu também gosto, do ambiente aconchegante, e agente dá uma escapadinha do Brasil né. O café é bem diferente do nosso, enquanto o brasileiro gosta de um café mais forte, encorpado e amargo com açúcar. Os americanos tomam um café tostado, mais aromático e fraco, como um chá, Gosto muito desse café também, de tomá-lo em mug cups com creap ou creme. Gosto muito das guloseimas americanas com texturas diversas.
    Beijos e obrigado por compartilhar seus momentos com a gente. Qto a manifestaçao , á parte torço para um final feliz.

    • Sabe que o Starbucks que eu fui nesse dia foi aquele que fomos juntos! 🙂
      É, querido, vou tentar pensar assim… Que vale a experiência… mas sempre fica um “mas”…
      Brigada pelo comentário! Bjoka e saudade!

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