O que nos salva da vida

arteconfiamos

O post de hoje está atrasadíssimo. Antes de tudo, peço desculpas por escrever somente agora, a essa hora. Mas os últimos dias foram de imersão em mim mesma. Um exercício por vezes tão necessário. Não, não andei procurando respostas para mil dúvidas. E olha que no momento eu tenho tanta coisa pra questionar e resolver… Optei por parar só pra sentir um pouco os dias passarem. Pra sentir o que eu sentia ao conversar com as pessoas. Pra sentir barulho de silêncio, sabe? Eu, que penso em tudo o tempo todo, me dei de presente uma espécie de não pensar. Uma tentativa de, pelo menos… E quando a gente precisa descolar do mundo, ser salvo da vida, tem que entrar numa outra dimensão.

Em geral, escolho a arte pra me salvar da vida. Costumo ir por esse caminho… Pode ter ficção. Ou histórias reais que carregam aquela beleza/tragédia/graça que as transformam em algo a ser apreciado. Então, essa semana fui ao cinema três vezes: comédia, romance e drama – um choque de oscilação de humores pra ficar esperta. Deixei as horas pra trás em duas tardes na livraria, perdida entre os livros. Andei também separando três obras pra ler, completamente distantes da sociologia, que vem sendo minha leitura constante por causa do mestrado. Enquanto a multidão corria na rotina, parei pra contemplar uma exposição de fotografia.

Não, eu não entendo de arte. Eu gosto. Bastante. Mas minha avaliação é sempre pela emoção. Gosto ou não gosto. Me emociona ou não. Me causa estranheza ou não. Me faz refletir ou não. Claro, por acompanhar e vez por outra ler sobre o assunto, dá pra aprender, entender, fazer conexões, reconhecer estilos… Mas a técnica, em si, é o que menos me importa. Me vejo feliz diante daquilo que me tira por algumas horas da agressividade cotidiana, que me permite sonhar acordada…

Tempos atrás uma amiga minha ouviu a mãe dela cochichar com a irmã mais nova: “Ela ter tantos livros só serve como fuga da realidade”. E quem disse que não é? E quem disse que não é bom fugir dela, a realidade? Acho até que é justamente quem se permite escapar do real eventualmente que encara o dia a dia com mais equilíbrio.

Mesmo que aquilo que nos salva da vida traga uma momentânea melancolia é preciso encarar o desafio. Sentir os sentimentos. Sentir as sensações. Sentir as emoções. Mergulhar na fantasia pra emergir na realidade. Depois, seguir em frente com mais tranquilidade. Talvez, até, com mais coragem. No meu caso, parece ter dado certo…

Crédito da imagem: Cultura Inquieta

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