A vacina contra HPV para meninas – e o que isso nos diz sobre responsabilidades

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Em meio a constantes notícias sobre vergonhosos problemas na nossa saúde pública, a última segunda-feira trouxe o anúncio de uma grata surpresa: meninas de 10 e 11 anos receberão, gratuitamente, a vacina contra o HPV (papalomavírus humano) a partir de 2014. Hoje, cada dose custa, em média, R$ 370. São necessárias três para surtir efeito. O vírus causa o câncer de colo de útero, que atinge 500 mil mulheres por ano no mundo. É a mais comum das doenças sexualmente transmissíveis. Estudos indicam que cerca de 80% da população feminina sexualmente ativa será infectada por um ou mais tipos de HPV (são mais de cem) pelo menos uma vez ao longo da vida. Muita gente nem desconfia que carrega o vírus. Ele pode demorar anos para se manifestar e apenas 10% das pessoas apresentam doenças relacionadas.

Há quem associe a contaminação por HPV com promiscuidade (termo que por si só já é questionável, mas isso é post para outro dia). Não é por aí. Não são poucas as mulheres contaminadas que tiveram apenas um parceiro. É aí que o anúncio, apesar de excelente, me incomodou um tanto. Homens também têm HPV. E a prevalência é equivalente à feminina. A diferença é que nas mulheres a evolução para um tumor é bem mais comum. Não justifica a completa despreocupação masculina do tipo “se eu não vou ter nada, não preciso tratar e azar de quem se relacionar comigo”. Outro dia um amigo me contou de um cara que ele conhece que pensa exatamente assim. Egoísmo, machismo e falta de caráter no mesmo balaio.

Culturalmente, eles vão muito menos ao médico do que as mulheres. O urologista só entra na agenda deles depois dos 40 anos, enquanto nós vamos ao ginecologista já a partir da adolescência ou no máximo no começo dos 20 anos. Significa que, caso uma mulher se cuide a vida toda para evitar um mal assim, nada impede que ela seja contaminada pelo namorado ou marido. Porque não adianta dizer que tem camisinha pra resolver. Tem que usar. Mas eu tô pra conhecer quem namora muitos anos ou casa e continua usando preservativo. Até porque tem gente que deseja engravidar! Não vai usar sempre e não adianta tapar o sol com a peneira.

A vacinação para meninas parte do princípio de que somos nós que podemos vir a sofrer com um câncer de colo de útero. Mas pra desenvolver a doença precisa pegar de alguém. Como quase tudo na nossa sociedade, as responsabilidades femininas formam um leque bem maior do que as masculinas. Isso vem mudando. Homens da minha geração já são mais conscientes e acredito que os da geração seguinte tendem a ser maioria numa divisão infinitamente mais igualitária de tarefas, por exemplo. Só que, até lá, vamos continuar carregando tantos deveres a mais? Até quando se fala de saúde? Não acho certo.

Meninos e rapazes também deveriam ser vacinados e terem o hábito de se submeterem a exames anuais em urologistas. A consciência dos pais fará toda a diferença para que uma mudança de comportamento positiva seja possível.

Em tempo: HPV é preocupante, precisa de controle e tratamento. Mas se diagnosticado logo é muito difícil que evolua para um quadro mais grave. A contaminação também só acontece quando há alguma lesão nas partes genitais ou na boca que entram em contato na hora do sexo. Por isso, a importância de passar por uma série de exames anualmente e identificar o quanto antes qualquer suspeita. No site do Instituto Nacional de Câncer (INCA) tá tudo bem explicadinho: http://www1.inca.gov.br/conteudo_view.asp?id=2687. Ninguém precisa se apavorar. Mas tem que cuidar. E espero que o alerta sirva pra mulheres e homens.

Crédito da imagem: Junior Luz/Photography

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