Mantenha a calma

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Tem épocas da vida que parece que tudo tá meio trancado. Nada desenrola. A marcha não engata. Nossa tendência em dias e noites de tormenta, quando fica bem difícil vislumbrar as saídas, é sentir desespero, pânico, ansiedade, preocupação. A gente cai na confusão. Qualquer escolha vem carregada de dúvida. Pode de fato melhorar? Ou só piorar mais? Vale tentar a solução que já conhecemos? Ou o ideal é se arriscar no completamente novo? Isso se surgir alguma coisa pra resolver. Porque pode ser um momento tão esquisito que a sensação é de que estamos perdendo tempo e deixando semanas passarem sem utilidade, quase em branco. Os afazeres são só os automáticos – e não aqueles que instigam, que animam, que dão movimento.

Andei nessa vibe há umas semanas. De repente, parecia que nada tinha muito sentido. E o que eu queria dar sentido era interrompido por imprevistos. Fiquei brava e desanimada. Tudo o que eu corria atrás escapava entre os dedos. Sempre no quase. Sempre na trave. Não conseguia enxergar a finalização de nada. Só os processos. E eram longos. Aí, uma hora a ficha cai. Foi num dia inteiro de chuva, dia cinza, de temperatura caindo e uma cólica chata, que percebi o óbvio: “Suzane, não adianta. Mantenha a calma e relaxa.” Cobertor, sofá, bolo de laranja, chá, livros, filmes. Me entreguei. Eu não poderia ter sido mais sensata.

Às vezes, pensar demais, planejar demais, tentar demais não é o melhor a fazer. O segredo é aprender quando é suficiente. Tanta gente querendo viver num estilo “slow life” e eu aqui, desejando a pressa, em busca de resultados (ou começos, ou recomeços). Depois, a gente esquece porque acaba doente. Esquece quanto as emoções atrapalham a saúde física. Passei boa parte dos meus 34 anos na maior correria. Mas bastou dar uma oscilada entre compromissos e dias mais calmos pra eu querer achar pelo em ovo. Antes, eu reclamava da falta de tempo. Agora, reclamo por preencher o tempo justamente com o que eu sentia falta quando não tinha tempo.

Entendi que a vida tá me dando de presente a chance de aprender a equilibrar a intensidade e o ócio. De compreender que tudo bem não fazer nada “útil” de vez em quando. Que ninguém precisa ser produtivo 24 horas e tornar até a diversão uma obrigação. De deixar a culpa pra lá. Ela, a culpa, tá mais ligada aos clássicos padrões sociais que nos são impostos desde a infância do que realmente a alguma falha de caráter nossa.

E no fim, daqui a pouco, as coisas andam. Retornam os compromissos em excesso, o cumprir horários, o se virar pra dar conta. Então, que a gente saiba aproveitar bem o devagar e sempre. Que a gente dê valor à demora e aos mistérios ainda não revelados que o destino guarda. Não acredita em quem diz que tem que ser pra ontem, não. Tem horas que basta surfar na onda. Sem exagero, deixando que um tanto vá fluindo por conta do imprevisível. Sem deixar de agir. Sem planejar demais. Sem esquecer também que, simplesmente, nem sempre depende de você.

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