O melancólico fim da amizade

amizadeacaba

Tive a sorte de passar os últimos dias na companhia de três amigas muito queridas. São aquelas pessoas que, lá se vão os anos, continuam ali, na alegria e na tristeza, curtindo o meu melhor e suportando meu pior. E vice-versa. Em tempos de tantos contatos pela internet, mas de relações profundas tão raras, cultivar amizades de longa data é um privilégio. Laços fortemente atados nos ajudam a enfrentar a vida com mais serenidade. Inclusive a aceitar e a entender que, em algum momento, amizades antes importantes também acabam.

A gente costuma chorar e se descabelar com o término dos nossos amores. Geralmente, o romance deixa de ser meio que de forma inesperada (pelo menos pra uma das partes). Pode reparar. É aquele sofrimento. Amizade que se desfaz nunca é no “de repente”. Tem um processo marcado por uma série de episódios. Até custa um pouco pra sacar quando acabou. No momento que a gente se dá conta, não é doloroso, mas melancólico. Eu, pelo menos, costumo ser mais paciente com as amizades do que com os namorados. Deve ser coisa minha. Mas acho que amigo te aceita mais do jeito que você é. Em relacionamentos a dois não é incomum a tentativa do parceiro de te “moldar”. Bom, assunto pra outro post…

Escrevi aqui há umas duas semanas que afeto e afinidade nem sempre andam juntos. Quando acontece é bom preservar. Porque é especial. Fins de amizades, me parece, tendem a ser o fim da afinidade, que pode acontecer por mil motivos. E a não ser que exista uma briga feia, o afeto continua. Ficam guardadas as recordações das horas boas e das batalhas, das farras, das vitórias compartilhadas. Mas não é mais com aquela pessoa que você deseja dividir sua história. As pessoas mudam. Há quem deixe uma característica pessoal se tornar cada vez mais forte – e isso não agradar. Talvez, aquele defeito do outro que antes você até aturava e compreendia se torna, simplesmente, um porre. E é um direito seu não querer mais ter que lidar com a situação.

O melancólico fim da amizade não é um não aceitar as diferenças. Ainda bem que não é todo mundo igual. Mas amizade também precisa ser uma relação equilibrada. Quantos de nós só ouvem e não são ouvidos? São procurados apenas quando surgem os problemas? E pelo amigo que acha que só ele tem problema? Vale lembrar que amigo que é amigo torce por você. Não te coloca pra baixo, não. Te chama a atenção quando você tá errado, bobeando. Mas não te humilha e nem te dá um fora em público, por exemplo. Amigo de verdade sabe que cada um tem seu espaço e até te ajuda a conquistar o seu – não compete.

Aliás, sempre reparo se meus amigos têm outras amizades de muitos anos. Pra mim é sinal de que eles sabem dar valor a esse tipo de relação, que pra mim é fundamental. Quem não consegue manter vínculos constantes, olha, desconfio que bom amigo não é. Repara. É natural que entre gente nova na nossa vida. É tão bom descobrir que existe mais alguém por aí pra dividir empatia e afeto. O segredo é não criar expectativa. Em tudo, né? Mas em amizade a gente se policia menos nesse sentido. Então, acho que a saída é agradecer tudo o que passamos com aquele amigo. Guardar o carinho, na medida do possível. E lembrar que tem uma multidão de pessoas bacanas pra gente recomeçar – e também aqueles amigos especiais que sempre estarão lá.

Crédito da imagem: site Casal Sem Vergonha

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7 respostas em “O melancólico fim da amizade

  1. Hoje acordei lembrando de velhas amizades (que já não são mais amizades), joguei no google “como lidar com o fim de uma amizade”, ai apareceu esse texto que por sinal é muito bom, e me ajudou a entender que o fim talvez nem seja mesmo o fim, afinal, talvez nunca começou. Tive grandes pessoas, com quem passei inúmeros momentos que, mas que hoje nem olham mais na minha cara. (talvez haja uma explicação, fico procurando-a .. as vezes me culpo.. as vezes os culpo.. mas nunca chego a uma conclusão). É estranho não saber o que aconteceu, apenas seguir em frente, sem um ponto final. É estranho quando não se quer isso (ou não se aceita talvez). Ate procurei alguns.. pedi desculpas sem nem saber o porque.. mas sem respostas.. (somente o silêncio)!!! Bom, nem sei porque to falando isso aqui.. (talvez porque aqui eu faloaomundo sr)

    • Emille, o vai e vem de amizades é da vida mesmo… Em determinadas épocas acho que temos mais afinidades com algumas pessoas, depois com outras… Amizades também acabam. Talvez não o afeto. Mas a afinidade, né? E outras virão. Claro, é muito bom quando preservamos amizades de longa data. Meus velhos amigos são aqueles que me ajudam a lembrar quem sou, por exemplo. Quais são minhas raízes, valores e o que deve ser preservado. Mas acho que outros ficam por um tempo e depois se afastam (e nós deles) para aprendizados. O importante, no final, é não esquecer de manter grandes amigos queridos. E não sofrer quando alguns outros laços ficam menos atados… Tudo é experiência… Bom fim de semana pra vc! Bjão e obrigada pelo comentário!

  2. Tinha uma amizade com uma moça no meu trabalho, ai ela começou a namorar um rapaz também da empresa. Passou um tempo, e ela mudou seu comportamento com migo.naoentendi nada.

  3. Eu tava meio que no tédio e pensando em todo esse lance de amizades que acabaram, putz… é algo tenso pra mim, ja perdi algumas pessoas que eu considerava pra caralho e acho que nem sempre existe um culpado, as coisas só não eram pra ser. Mas as vezes penso sobre isso e admito que me dói algumas que perdi, mas a vida segue… gostei bastante do seu post, continue postando cada vez mais, rs.

  4. Muito bacana o texto, achei esse blog pois tenho um grande amigo, que já não percebo tanta afinidade, sempre saiamos juntos e riamos bastante, o que mais me encantava era o seu senso de humor, porém hoje com dez anos de amizade, não sinto o mesmo encanto que sentia antes, por vezes me pego achando mais a vontade quando saio sozinho, o grande problema é que ele parou no tempo, e nunca tem dinheiro para fazermos coisas diferentes. Atualmente estou querendo viajar pelo país, e conhecer cidades e pessoas novas, baladas diferentes, fazer coisas novas, e ele ainda quer continuar na mesma mediocridade de sempre, digo, pra ele, encher a cara em um boteco qualquer já está bom, esses dias chamei ele para ir a um parque para andarmos de bicicleta, porem chegando lá ele já comprou latas de cerveja e queria ficar sentado na beira do lago enchendo a cara. Enfim, eu gosto também de beber, mas não quero só ficar nisso, quero viver outras experiências, e infelizmente já não tenho mais vontade nenhuma de encontra-lo, pois sei que os papos dele continuam o mesmo, queria ler em algum lugar que outras pessoas já fizeram isso, e que isso é normal, o problema é que pra ele a amizade não acabou ainda não sei como me afastar, nem se isso é o certo a fazer… enfim foi só um desabafo. Parabéns pelo texto.

    • Oi, Diego! Faz parte da vida, sim… Não se culpe. Apenas não esqueça as coisas legais que vcs viveram e, se puder, esteja sempre pronto a estender a mão se assim ele precisar 🙂 Obrigada pelo comentário!

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