Adestrar o olhar para o mundo

impulsoviajar

Viajar, já contei pra vocês, é uma das coisas que mais faz sentido na vida pra mim. Não entendo meus dias sem chegar mais longe pra ver lugares bonitos, lugares caóticos, provar comidas exóticas, analisar diferentes costumes, conhecer gente inserida numa realidade diversa da minha. E semana passada assisti na tevê uma entrevista com a atriz Denise Fraga, também uma viajante, em que ela deu uma definição de viagem que eu adorei: “Viajar é adestrar o olhar para o mundo. É quando você ‘existe’ de verdade”.

É exatamente a sensação que tenho quando coloco o pé na estrada, seja lá pra onde for. O contato com novas culturas treina nossa maneira de enxergar o que está ao nosso redor. Ensina que sempre dá pra ir além do óbvio. Que diferenças estão aí pra serem respeitadas. Que o que é bom pra mim não necessariamente é bom para o outro – e vice-versa. Que tem um universo quase infinito a ser desbravado, pronto pra te despertar as emoções mais inesperadas. E o “existir” de verdade? Sim! Viajar é ser você, livre das amarras do cotidiano. É o “ser” sem o compromisso de “parecer”. Arrisco dizer que o viajante é até mais honesto, com ele mesmo e com quem o cerca. Porque viajar ensina que é perda de tempo se preocupar com o que vão dizer ou achar. Ensina que o importante é como você se sente.

Hoje li uma frase linda no Facebook de uma amiga, a Juliana, que foi estudar no Chile. “Essa sensação de estar viva, aliada com a sensação de liberdade e de poder ‘fazer qualquer coisa’ é indescritível”. Ela acaba de subir o vulcão Lascar, no Atacama – que ainda está ativo. A descrição da Juju é um exemplo perfeito do que eu chamo de “ir além do óbvio”. Esse momento, pode passar o tempo que for, nunca será esquecido. Tem gosto de conquista – e permite a certeza de que muito mais pode ser conquistado. Outro amigo que anda perambulando pelo mundo é o Ives, que tá lá na China, tentando ensinar chinês a falar “Vai, Corinthians”. Ives, disposto a aproveitar cada segundo, não dispensou nem aula de Tai Chi Fan, uma dança chinesa em que são usados grandes leques (e que ele prontamente batizou de “dança do lek lek”).

Aliás, o que eu mais gosto de fazer no Facebook, descobri, é justamente acompanhar as fotos e observações dos meus amigos em viagens. Vou passeando um pouquinho junto com eles, me emocionando e rindo com os comentários. E pensar que tem gente que já deu a entender que minhas viagens são uma fuga dos problemas, um jeito de preencher um vazio sabe Deus do quê. Vai ver é… Sorte a minha! Tem quem “preencha o vazio” cuidando da vida alheia ou tomando aquelas decisões padrão menos por desejo real e mais por ser o esperado socialmente. Preguiça. Eu prefiro viajar, “existir” de verdade, adestrar o meu olhar sobre o mundo. E vendo o tanto de gente interessante que segue a mesma opção eu só posso concluir que viajar não é preencher vazio. É saber que, enquanto houver um país novo pra pisar, o vazio nunca vai chegar…

Crédito da imagem: Glossário

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11 respostas em “Adestrar o olhar para o mundo

  1. Oi Suzane! Tempos que eu nao apareco por aqui, ne?! Eu sou suspeita pra comentar sobre o assunto, porque tambem acho que viajar e uma das melhores coisas da vida. Alias, eu tenho uma ansiedade interna porque eu acho que tem lugar de mais e tempo de vida de menos para conhecer, hehehe! Sempre que eu chego de uma viagem ja comeco a pensar na proxima. Na verdade, quando eu desco do aviao penso em entrar no primeiro que eu ver que esta indo pra algum lugar que eu nunca fui 🙂 Eu concordo com Fernando Pessoa: ” Viajar e preciso”!
    Um beijo e muitas viagens!

  2. Eu também sou bem chegado a viagens. Viajei bastante por um longo período recente de minha vida, para tirar fotografias, que é um dos meus hobbies preferidos. Foi um período de grande convivência comigo mesmo, busca de conhecimento interno, pois como era fotografia profissional e por isso muito técnica, com uso de câmeras profissionais, eu não podia levar companhia de quem quer que fosse, justamente para não tirar a minha concentração. Então éramos eu, a câmera e o mundo. Dessa forma, acabei numa outra viagem inesquecível, a do auto-conhecimento. Eu viajando longas distâncias neste Brasilzão de Deus e entre rodoviárias, aeroportos, hostéis, hoteis, cidades, campos, lagos, montanhas etc, só encontrava conversa comigo mesmo, além da câmera. Refleti tanto sobre tudo da minha vida que me tornei mais forte e introspectivo, mais paciente e empático com os outros e comigo mesmo. Aprendi a me conhecer, a me amar. E como passei a me amar. Levava comigo um bom celular para eventual contato com outros seres amados, mas como o tempo dedicado a encontrar e escolher lugares e poses para as adoradas fotos, não pude travar tanto contato com outras pessoas além de mim e com isso me conheci muito, viajei no meu interior e descobri alguém interessante, feliz e bonito e era isso que me faltava, o amor-próprio. Claro que nessas idas e vindas acabei por aproveitar as viagens para conhecer algumas poucas pessoas, desfrutar lugares paradisíacos nunca vistos e sai mais enriquecido emocionalmente dessa experiência. Ando meio parado nessas aventuras, fiquei mais na cidade grande, conheci muitas pessoas, muitas decepções, novos amores, mas confesso que sinto imensa saudade desse super e prazeroso contato com a fotografia e com esse adorável ser, aquele único que estará comigo desde o berço até o fim da existência, eu mesmo.

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