A rotina, seu valor, seus pequenos prazeres

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Dia desses eu escrevi aqui num dos posts que nos últimos três anos minha vida passou por incessantes mudanças – tensas, intensas e variadas. Sempre fui mais a favor da transformação constante do que da rotina, cuja ideia me parecia um tanto antiquada pra quem é curioso e quer ver o que mais o mundo tem pra oferecer. Mas desde o ano passado compreendi melhor como a rotina pode ser de grande valor. Não significa se acomodar. É disciplinar com alguma sabedoria as exigências do cotidiano justamente pra ganhar mais horas de descanso, lazer, diversão, estar entre os queridos.

No geral, eu sempre fui organizada, só que mais preocupada em finalizar as obrigações e aí encaixar no que “sobrava” o lado bom. Não deixava de fazer nada, nem o dever e nem a farra. Mas pra dar conta de tudo tinha que viver como ligada numa tomada. E um dia a saúde, física e emocional, cobra o preço. Aproveitei o empurrão que enfrentei quando o jornal que eu trabalhava fechou as portas pra tirar uns meses só viajando, estudando e passando mais tempo com família e amigos. Aprendi que muitas vezes o suficiente já tá ótimo e perfeição é um dos maiores mitos da humanidade. A gente vai falhar, sabe? E tudo bem.

Com mais tempo pra mim, “reprogramei” minha rotina. Avaliei os hábitos que deveriam permanecer e os que deveriam finalmente partir. Incluí pequenos prazeres diários. Volta e meia a danada da culpa aparecia – porque eu não estava sendo “produtiva” como sempre fui. Ela ainda me assombra eventualmente. Mais na TPM! Hormônios… Mas já não tem a força de antes, não. E por que eu tô aqui brindando o “slow life” ao qual me dei direito? Porque uma hora a agenda cheia de compromissos retorna. Ela voltou desde março. E lá fui eu criar uma nova rotina. Agora, porém, consigo com muita tranquilidade equilibrar trabalho e hedonismo.

Em tempos influenciados pela rapidez da tecnologia e da modernidade, que acabam influenciando também nossos comportamentos, minha decisão é um desafio. Causa algum estranhamento pra parte das pessoas dizer que paro tudo o que tô fazendo no final da tarde pra ver o sol se pôr aqui da janela, por exemplo. Hoje, trabalho de casa – e há quem considere a falta de vínculo com uma empresa específica (e até o estresse) um retrocesso profissional. Eu nunca acreditei que a rotina de bater cartão e ter mesa num lugar faria de mim uma jornalista mais ou menos competente. Liberdade.

“Home office” é uma tendência, especialmente em metrópoles como São Paulo, onde existem sérios problemas de mobilidade, trânsito, transporte público deficiente. E justamente por enfrentar menos vezes na semana os complexos deslocamentos pela cidade, dá pra ser eficiente com o trabalho em menos horas e preencher muitas outras com o que a gente gosta. A tal qualidade de vida. Claro, como a única certeza da nossa existência é a mudança, as coisas podem… mudar. Mas enquanto isso não acontece, vou curtindo minha rotina mais leve e feliz depois de anos mergulhada numa eterna ansiedade. Quando a transformação chegar novamente será recebida por uma Suzane mais em paz com sua história. Espero que você também consiga se sentir um dia assim. Como diz uma frase que li recentemente: “De reviravolta em reviravolta a alma chega a um destino interessante”.

Crédito da imagem: CSV

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