Cozinhar = amar

macarrao

Das frase bonitas que surgiram por aí ultimamente, tem uma do genial escritor moçambicano Mia Couto que caiu no gosto das pessoas. Virou mensagem edificante constante nas redes sociais. É simples e verdadeira, meio aconchegante, com jeito de abraço, de memória revisitada. Diz assim: “Cozinhar não é serviço. Cozinhar é um modo de amar os outros.”

Adoro comer. Amo culinárias exóticas pra viajar sem precisar ir até o aeroporto. Amo aquelas receitas gostosas que lembram mães e avós. Não gosto de comida com frescura, daquelas que a gente tem que fazer pose pra dar uma garfada. Passo fácil um dia inteiro com família e amigos ao redor de uma mesa entre assados, massas, pães, vinhos, sobremesas, como se não houvesse amanhã – e nem balança.

Apesar de ser uma feliz comilona, nunca fui uma grande cozinheira, conhecedora de pratos elaborados. Mas desde que moro sozinha (lá se vão mais de dez anos) não me rendi aos congelados, miojos e sanduíches da vida. Mantive minha dignidade gastronômica. Fazia o básico, né? Na linha arroz, grelhados, uma saladinha cheia de detalhe, uma massa com um molhinho ok… Por causa do trabalho, almoçava muito na rua, nos bandejões das firmas. Às vezes, acabava jantando também.

Há um ano, quando meu cotidiano virou de cabeça pra baixo e resolvi dar um tempo nos meus dias durante um período sabático, comecei a fazer quase sempre todas as refeições em casa. Aí, percebi que precisava avançar um pouco pra enfrentar melhor o fogão e não comer só as mesmas coisas. Deu certo. Tão certo que tomei coragem e até convidei alguns queridos pra almoços, jantares, chás da tarde. Fico ainda um pouco ansiosa, com medo que dê tudo errado! Mas toda animada pra me aventurar na cozinha!

Ah, não, não… Nada elaborado ainda. Fico em variações de strogonoff, arrisco lasanhas, nhoques… Mas tô cada dia mais destemida! Já planejo uma feijoada pra breve! Ainda essa semana deve ter ratatouille, prato francês feito com legumes, aqui em casa. A vítima da experiência será o meu irmão. Qualquer problema, não faltam folhetinhos de delivery pregados na lateral da geladeira. 🙂 Pelo menos, ultrapassei o trauma de me sentir uma perdedora cada vez que abria uma caixinha de molho de tomate. É que minha vó dizia que molho de tomate de cozinheira de verdade era feito… de verdade. Com o tomate em si. Desculpe, vó. Mas, afinal, é século 21.

Com traumas devidamente deixados pra trás, cozinhar se tornou um aprendizado agradável. E, por tabela, uma maneira delicada de agradecer, de aconchegar, de filosofar junto com quem é importante na minha vida. Com quem foi tão presente e me deu a mão em momentos difíceis recentemente. De dividir alegrias e comemorar conquistas quando tudo vai voltando aos devidos lugares. Não é apenas por mim que eu decidi ser uma cozinheira melhor. É pra amar mais as pessoas. É pra dizer a elas o quanto são especiais. Pra dizer “obrigada”.

P.S.: Mel. Canela. Manteiga.
Nessa minha nova fase Nigella (magina?!), reintroduzi na dieta três ingredientes que me tornam um ser humano melhor. Primeiro, a manteiga. A mais clássica de todas. Aviação. Coloco em muitos pratos, pelo menos uma colherzinha. Até no arroz já arrisquei. Ficou bom. “Ah, Suzane, mas é muito calórico!”. E daí? Vá se mexer! Caminhadas, academia, sexo, dança, artes marciais… Sei lá! A vida é curta demais pra não ver aquela manteguinha derretendo no pão quentinho!

Depois, mel. Em quantidades obscenas. Pra adoçar o chá. Pra lambuzar a banana picadinha. Pra comer de colherada. Adoro o cheirinho. Sim, também é calórico. Mas é super saudável, energético e digestivo. Por fim, a canela, que pra mim tem um aroma sexy. Acho até que os rapazes que colocam canela no capuccino são mais interessantes. Pode reparar. Ou sou eu que tô acrescentando muita canela no meu café – já que estimula a atenção, a memória e a agilidade visual e motora. No mínimo, dá pra ficar mais esperto na paquera.

Manteiga, mel e canela tornaram meus dias mais saborosos. Se você não tem restrições médicas (tipo, diabetes), experimenta também. Aliás, tenta a seguinte combinação: esquenta o pão numa chapa com manteiga, depois joga o mel e a canela. Certeza que você vai até ficar mais otimista. Juro.

Crédito da imagem: As Devoradoras

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4 respostas em “Cozinhar = amar

  1. Lindo! MAs uma vez vc toca meu ser com seus posts.
    Partilho deste sentimento de que cozinhar e mais que preparar o alimento para nutrir o corpo, cozinhar é uma das mais belas formas de demonstrar amor e gratidão.
    Já dizia minha mãe, que é a melhor cozinheira que já conheci, “se não fizer com amor a comida não tem sabor”.
    Adorei.
    bj

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