Um ídolo – e os obstáculos da falta de organização

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Viajar é minha grande paixão, como vocês já perceberam em alguns posts. A segunda coisa que me anima demais na vida é ir num show. Ou assistir na tevê mesmo. Vejo vários nos três canais a cabo que tenho com programação voltada para música. Show tem aquela energia única, de um monte de gente reunida vibrando admiração, carinho e alegria pelo ídolo ali presente. Especialmente quando a apresentação é grandona, com milhares de pessoas, num estádio. É de arrepiar. Quem nunca foi tem que ir pelo menos uma vez.

A listinha de famosos com quem já cantei junto inclui U2 (três shows!!), Aerosmith, Lenny Kravitz, Madonna, Pearl Jam, Muse, Franz Ferdinand – só para citar os gringos. Desde o último domingo aumentou, com Nickelback e… ele, o Fabio Junior do rock (amei essa definição… rs…): Jon Bon Jovi. Me diverti horrores relembrando músicas da minha adolescência que eu dançava na matinê da Lofty, uma balada que tinha em Santos. Aliás, nem era conhecida como “balada”. Era discoteca mesmo. Lembrei de uma foto dele posando de gatinho, com aquele topetão loiro, colada na porta do meu armário. Um enxuto, ainda bem bonitão (só achei que tá rolando um botox meio além da conta, mas ok), sorridente, simpático e performático Bon Jovi arrancou suspiros e animou a galera. Valeu cada centavo.

Seria tudo perfeito se, infelizmente, a gente não estivesse falando de um show no Brasil, onde pagamos o olho da cara pelos ingressos – por isso vou a menos concertos do que gostaria – e ainda enfrentamos uma sequência de falhas, erros seguidos, na organização do evento. No do Bon Jovi começou pela fila. A que levava à pista, local escolhido por mim e minhas amigas, cruzava em determinado momento com a fila de quem se dirigia a um setor de cadeiras e outro de arquibancadas do Estádio do Morumbi. Mas cruzava mesmo. Do tipo, as pessoas se atropelando pra cada uma conseguir seguir na fila certa.

Observar o lixo pelo caminho (o que sempre acontece em show) me deixava intrigada. Dizem que o povo é mal educado e joga latas de cerveja e refrigerante, pacotes de salgadinhos, garrafas de água, tudo no chão. É verdade. Mas as lixeiras ao redor do estádio já estavam lotadas às 16h, quando fui jogar fora meu chiclete. Por que raios em dia de show não colocam mais lixeiras? Depois de desviar de um lado para o outro da sujeira e dar um monte de encontrão pra continuar na fila correta, passei a prestar atenção na polícia. Quase na hora que alcançávamos nosso portão de entrada, lá vem a polícia montada com os cavalos trotando rápido. As pessoas ficaram intimidadas. Pensei logo se alguma confusão tinha se formado. Nada. Era só pra botar banca.

Ainda na fila um policial vira pra mim e diz: “Por aqui agora. É pra formar uma segunda fila”. Só que ao invés dele puxar a fila, mandou que eu fizesse isso. A galera que ficava pra trás achou que eu queria furar o esquema. Antes de ser linchada, simplesmente parei de andar. Quem reclamou não estava errado. Eu também não. O erro foi do policial que mal sabia o que fazer, atordoado com o tanto de público que chegava (dava pra ver na cara dele que o sujeito tinha controle zero da situação). Já prestes a entrar no estádio, minha amiga reparou na quantidade de policias femininas pra realizar a revista. Num show cheio de mulher, tinha que ser o dobro. Aí, a gente viu segurança sendo estúpido com os rapazes que paravam depois da revista pra aguardar namoradas, amigas, esposas, filhas, irmãs. Gritavam pra que esperassem lá dentro. Imagina em manifestação.

Quando nada mais parecia piorar a falta de organização, percebemos que a entrada pra pista foi feita por uma das laterais, não pelo fundo do estádio. Uma multidão ficou concentrada do lado do símbolo do time do São Paulo que tem no campo. Quem tentava ir adiante enfrentava mais empurra-empurra. Mas enfim, o show foi ótimo. Pra sair de lá o público levou cerca de duas horas num trânsito infernal nas imediações do estádio. Em qualquer lugar decente desse mundo as pessoas chegam de transporte público eficiente para um evento que reúne multidão. Aos brasileiros esse “luxo” é vetado. E vamo pagando também R$ 100 de estacionamento.

Nem adianta virar pra mim e dizer a clássica e idiota frase “se não tá satisfeita, muda de país”. Gosto do Brasil. Não consigo, no entanto, fingir que vivemos bem, com nossos direitos desrespeitados constantemente. Com nosso dinheiro rendendo menos do que poderia porque metade vai para impostos que nem são de fato convertidos em benefícios. O que não é de hoje. É histórico E é histórico por culpa de nossos braços cruzados. Temos preguiça.

A sequência de erros evitáveis na organização do show do Bon Jovi (recorrente em outros eventos grandes, como disse antes) é só um exemplo da nossa mania de fazer tudo de qualquer jeito. Pior: de pagar caro por um produto/serviço, receber aos trancos e barrancos e ficar quieto. Provavelmente, gosto muito mais do país do que você que me manda cair fora. Quero que ele melhore. É patético demais alguém considerar status pagar fortuna em ingresso e os percalços como parte da “aventura”, da “diversão”. Não é. É só sinal de que somos feitos de trouxas. Mais uma vez. E não será a última.

Crédito da imagem: David Bergman

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