A palavra que faz toda a diferença

conversa que cura

Semana passada encontrei uma querida que não via há uns cinco anos, mais ou menos. A Anna está no meu Facebook, curtimos fotos e posts uma da outra, mas tinha bastante tempo que a gente não se falava. E eu sempre gostei dela. Moça simpática, bom astral, competente, sorridente…

Fiquei até mais tarde para um evento na editora que ela trabalha. Onde eu já trabalhei e tenho feito uns freelas como jornalista. É de lá que nos conhecemos. Acabei passando num andar em que fica a mesa de uma outra amiga, enxerguei a Anna de longe e fui dar oi. Sorrisos afetuosos recíprocos e abraço idem. Parece que foi ontem que a gente se esbarrava e qualquer conversa de corredor acabava em boas risadas.

Já estava feliz de matar a saudade um pouquinho. Mas aí, ganhei o dia. Anna disse que nunca esqueceu de uma vez que a encontrei chorando perto do bebedouro e que tentei animá-la com palavras gentis. E, voltando pra minha mesa, ainda mandei um e-mail reforçando que, de um jeito ou de outro, uma hora as coisas se ajeitam.

Eu não lembrava disso. Não que seja desimportante, não. Era só que eu devo ter feito aquilo que me parecia certo no momento. Que eu gostaria que fizessem por mim, talvez. Porque não me parecia correto perceber alguém que sempre contagiava as pessoas com alegria não ser amparada num instante difícil. Se tinha quem merecesse um afago na hora da tristeza era a animada Anna.

Fiquei pensando esses dias quanto a palavra certa em determinada situação pode ajudar mais do que a gente imagina. E quanto a palavra áspera, errada, ingrata, egoísta tem a mesma força, só que com efeito contrário. Eu, que tenho a língua meio afiada, ando tentando me controlar. Não porque quero mudar minha personalidade. Mas a gente tem que aprender a quem direcionar nossas falas duras. Se é que a fala precisa ser dura. Lembrar que algumas verdades nem precisam ser ditas. Que a gente pode deixar pra lá, como lembrei a uma amiga numa conversa recente. Ela estava aborrecida com o pai.

Já que é pra sair por aí falando poucas e boas, que sejam poucas bobagens e boas palavras, daquelas que fazem toda diferença no dia de alguém. Que a gente aprenda a controlar os nervos. Tem hora que não dá, eu sei. Dependendo da situação é até melhor dar uma descontrolada mesmo pra fazer com que tudo se encaixe. A minha política é da reciprocidade: se você é legal, eu sou legal; se você é neutro, eu sou neutra; se você levanta a voz pra mim, vai me ouvir falar mais alto de volta. Ainda assim, consigo direcionar mais minha energia pra investir tempo em dizer coisas bacanas e trocar inspirações com quem cruza meu caminho.

A gente acha que ajuda alguém agindo desse jeito. Esquecemos o quanto acabamos ajudados quando descobrimos que valeu parar cinco minutos para ouvir o outro. Cinco minutos que podem demorar cinco anos a serem revelados. Mas que aquecem o coração pelos próximos 50 anos da vida.

Crédito da imagem: CSV

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