“Na origem das mentiras está a imagem idealizada que temos de nós próprios, a qual desejamos impor aos outros.” (Anais Nin)

Amanhã o Fale ao Mundo completa um ano. Infelizmente, não vou comemorar. Não depois de excluir, pela primeira vez, um post. Enquanto as críticas eram direcionadas ao conteúdo, muito bem. Quando as pessoas começaram a se atacar agressivamente (a favor ou contra o texto), incapazes de respeitar outros pontos de vista, e até de ameaçar e ofender gratuitamente, eu realmente não soube lidar. Fiquei de fato confusa sobre quais comentários liberar ou não, se eles deviam ser editados ou não. E admito que também não esperava tanta gente me desejando o pior via redes sociais, apenas porque não concordo em gênero, número e grau com elas. Não descarto a possibilidade de republicar o post. No momento, busco informações jurídicas sobre o assunto, sobre como proceder. Fico feliz, de qualquer forma, de perceber que o apoio não foi pouco. Foi maioria. E de perceber que, mesmo parte dos que discordaram, souberam fazê-lo sem ignorância. Me sinto de verdade abalada. Peço desculpas a quem acompanha o blog. Como alguém me disse hoje “ter a pretensão de ajudar as pessoas a ouvirem outros argumentos é muito perigoso”. Tem razão. Especialmente na terra sem lei que é a internet. E parte considerável delas realmente não merece o esforço. Em 2013, a intolerância vai vencendo…

P.S.: Comentários enviados sobre este post serão lidos. Mas não respondidos e nem aprovados, pelo menos por enquanto.

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Família imperfeita cheia de perfeições

família imperfeita:perfeita

Essa semana recebi um comentário carinhoso aqui no blog sobre o post que falava dos benefícios de tomar sol e andar na praia. A Nazaré, que é mãe de uma amiga querida, acompanha o Fale ao Mundo assiduamente desde o começo. Virou minha amiga também. Disse que achava bonita a maneira como eu me referia à minha família em vários textos. Como recordo nos meus escritos muitas coisas que vivi pra exemplificar situações que acontecem na vida de todos nós, acabo realmente relembrando momentos especiais (e até difíceis) ao lado das pessoas que amo.

Família margarina?! Nada disso!! Aliás, desconfio profundamente de quem não tem um arranca-rabo com pai, mãe, irmãos, filhos, tios, primos, sogro, sogra, genro, nora, cunhados volta e meia. É natural. É saudável. É bem humano. Simplesmente porque onde tem gente tem bagunça. Tem pensamento diferente. Tem desejos diferentes. Ninguém precisa concordar comigo, mas eu sempre tenho um pé atrás com quem não ficou de bico, emburrado, chateado com um parente. A questão é até que ponto manter a cara amarrada ou bater o pé que tem razão e “pronto, cabô”. Precisa mesmo? Vai fazer taaanta diferença assim? Pensa bem…

Claro, conheço pessoas que precisaram se afastar de familiares. Por uma questão de saúde emocional. E é legítimo. Ninguém deve aceitar ser humilhado, mal tratado, só porque a atitude vem de alguém da família. Porque deve respeito ao outro. Alto lá! Independentemente de idade, respeito todo mundo merece. Direito à opinião também. Que cada um aprenda a falar o que pensa e se mantenha preparado pra ouvir. Eu sei… É aí que começam as confusões na sua casa, né? Pensa bem… Não tô sugerindo que você deixe de se expressar. Fale. Uma vez. E deixe aquele que insiste no bate-boca falando sozinho. Funciona. Vai por mim. Foque sua energia de debate e convencimento para o ambiente de trabalho, a sociedade, a rede social.

Com os mais folgados basta colocar um limite sem dó nem piedade – e muito amor e desprendimento – que tudo dá certo. Família imperfeita é a regra. Não imagine o contrário. E que delícia jogar um olhar generoso sobre a sua família imperfeita e ver que ela é cheia de perfeições. Que deixa de lado as picuinhas pra se ajudar nas horas difíceis. Que brinda no Natal. Que dá aqueles conselhos que você pensa “céus…”, mas é com base no que a outra pessoa acredita de verdade ser o melhor pra você.

Acho que nosso maior problema é reclamar demais do que foi, do que passou. Mirar nas situações de desacordo. Meu filtro interno é para as coisas boas. É assim que tenho tão claramente dias felizes à minha frente quando fecho os olhos. Como consigo isso? Não sei se é uma disposição interna, genética, comportamental… Eu só acredito mesmo que não vale a pena perder tempo com chatice. Somos uma história breve. Então, que seja cheia de abraços e sorrisos dos nossos queridos.

Crédito da imagem: CSV

A cruel exigência de que eles sejam fortes demais

homem sensível

A lágrima caiu. Misturou ao café na pequena xícara. Olhos marejados. O choro maior que ele não queria deixar vir à tona era segurado. Engoliu em seco e continuou. Meu amigo, que eu já não encontrava há alguns anos, tem 33. Casado. Um filhinho de dois anos. Trabalha no mercado financeiro. Disse que acompanha o blog desde o começo e pediu pra gente conversar. Achou que eu poderia ajudá-lo a dar significado pra tudo o que vem enfrentando. Me senti até lisonjeada. Bom saber que alguém confia na gente nessa proporção. De auxiliar a clarear ideias. Não sou psicóloga, claro, mas amigo é pra essas coisas. E acho sempre verdadeira aquela história de que quem enxerga de fora pode ver o que no fundo não desejamos.

Ele está no limite. Físico e mental. Vive um efeito sanfona de engorda-emagrece. Agora, me pareceu magro demais. Tem gastrite, insônia, ansiedade. Sua luta é pra manter o padrão de vida que sempre quis. E alcançou. O preço anda alto. Odeia o que faz. Diz que vive pesados embates profissionais diários. Competitividade ao extremo. Ninguém desconfia, diz. “Não quero que as pessoas percebam o quanto me sinto fraco e inútil”. Depois dessa frase, o choro contido (talvez de anos) veio de uma vez. Quase chorei junto. Fiquei firme pra tentar explicar que aquilo que ele sentia era legítimo, um direito. “Ao homem isso não é permitido, Su…”

Infelizmente, não tenho como discordar do meu amigo que a fragilidade dele é mal vista na nossa sociedade. Já melhorou muito. Mas a clássica ideia de que homem não chora persiste. Especialmente quando o ambiente de trabalho pede decisões duras. A cruel exigência de que eles sejam fortes demais é tão machista quanto a ideia de que mulheres devem ser submissas pra serem “valorizadas”, “escolhidas”, “amadas”.

Dias antes, um outro amigo que mora fora me contou como a saudade, a distância de pessoas importantes, tem feito ele sofrer e questionar decisões anteriores. Profissional de humanas, da escrita, encontra mais facilidade em demonstrar seus sentimentos. Não teme falar sobre o assunto. Mas ele ainda não é maioria. Ao homem é quase proibido lidar com um problema emocional. E essa é uma das nossas maiores falhas. Separar. Em gêneros, classes, etnias, idade. Somos todos seres humanos à mercê de dores, batalhas. A resiliência não depende de estar ou não encaixado em determinado grupo. Depende de ajuda. De autoconhecimento. De nos libertarmos de estereótipos, sermos mais generosos e menos preocupados com o “parecer” pra impressionar. Pobre de nós, que precisamos da aprovação alheia, e corremos constantemente atrás disso, mesmo que nossa alma esteja em frangalhos.

Aos meus amigos meninos, pedi, antes de tudo, calma. As tempestades passam. Para o amigo que eu não via há anos, recomendei, a partir da minha humilde compreensão do mundo e com base na amizade sincera, que ele abra o coração para a família. Depois, que procure ajuda de um terapeuta e passe por uma bateria de exames. Por fim, que não permaneça paralisado pelo medo de mudar. Claro, com pessoas que dependem dele, a mudança não pode ser radical. Mas por fases, um passo após o outro, e ele vai conseguir. Temos o direito de viver com mais suavidade. Tanto homens quanto mulheres. Que bom será quando a tristeza e a delicadeza forem permitidas a todos nós.

Crédito da imagem: CSV

Tomar sol, pé no mar

sol faz bem

Dizem que mãe sabe tudo. Sente tudo. Não sou mãe. Então, não sei – nada?! Mas tenho uma mãe inteligente, que me ensinou o valor do estudo, do conhecimento, sem esquecer de me ajudar a enxergar soluções práticas nas ações bem simples. Tomar sol e colocar o pé no mar foram remédios maternos pra uma variedade de problemas na minha vida.

Exemplo 1:
– Tô cansada, mãe…
– Vai tomar sol! Andar na praia!

Exemplo 2:
– Mãe, acho que tô ficando gripada.
– Toma sol. Se o mar não estiver gelado, caminha um pouco na beira d’água. Mas leva um camiseta pra não pegar friagem.

Exemplo 3:
– Ai, mãe, tô tão triste… (lágrimas)…
– Filha… Vai tomar um solzinho, vai… Bota o pé na água do mar, faz uma oração e deixa a energia ruim ir embora.

Exemplo 4:
– Tô ansiosa, mãe! Não consigo parar de pensar nisso!
– Para! Vai andar na praia e sentir o sol pra relaxar. Mas para!

E não é que, segundo pesquisadores, ela sempre teve toda a razão? A ciência já mostrou que os benefícios da luz solar são enormes. Um deles, o mais conhecido, é a produção de vitamina D no organismo, substância que ajuda num montão de coisa: prevenção de vários tipos de câncer, de doenças cardíacas, no fortalecimento do sistema imunológico (o que evita, por exemplo, gripes e resfriados) e dos ossos.

Até as funções cognitivas ficam comprometidas quando a exposição ao sol não é suficiente. Os bronzeados têm os neurônios mais protegidos, o que retarda o aparecimento de males como Alzheimer ou falhas de memória.

Andar na praia tem efeito calmante. Relaxa, desestressa, desacelera. No quesito estética, a caminhada na areia exige maior desempenho muscular, cria resistência. E melhora uns tantos indicadores de saúde: mantém peso em equilíbrio, diminui taxas como as do colesterol e de diabetes, traz mais disposição física, entre outros benefícios.

Claro, como tudo em excesso, sol demais e sem protetor solar causa câncer de pele e envelhecimento precoce. Um mar poluído, contaminado, pode levar ao aparecimento de doenças de pele. Mas com cuidado e informação é possível aproveitar só o lado bom.

Nos últimos dias provei tanto a máxima da minha mãe (tomar sol, pé no mar) quanto as conclusões dos cientistas. Me sinto mais disposta do que há algumas semanas, desacelerei preocupações e pensamentos. Na verdade, coloquei em prática uma outra função da dupla sol/mar que descobri ao longo de tantas andanças na praia. A de decidir.

Quando fico em dúvida, tenho uma decisão a tomar, é com a água salgada cobrindo o tornozelo, o sol batendo nas costas e os olhos fixos no oceano que eu defino que rumo seguir. Há 34 anos. A julgar pelo que vivi até aqui, no balanço de prós e contras, deu certo. Mais uma vez, sei o que fazer. Certeza absoluta? Jamais. Nada nunca é 100% certeza. Sei, porém, qual o próximo passo. O que acabou e o que vai adiante. O que não merece mais esforço e em que colocar energia. Vem, volta, leva, se desfaz de vez, refaz o novo com força. Como movimento de onda do mar.

Crédito da imagem: Suzane G. Frutuoso

Outubro Rosa

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Esse seria o mês de aniversário da minha vó Lourdes, que foi embora há sete anos. Minha vozinha perdeu para um câncer que começou na mama. Lutou algum tempo. E que bom que uma hora descansou. Senhorinha de 75 anos na ocasião, ela já tinha sofrido bastante. Eu não queria mais que minha vó ficasse amuadinha e fraquinha como a via naqueles últimos meses, não.

Minha mãe sempre se preocupou bastante com a saúde da minha vó. Nunca deixou que ela passasse um ano sequer sem fazer exames de rotina. O nódulo no seio dela surgiu de repente, num intervalo de poucos meses, entre uma mamografia e outra. Se mesmo com todo cuidado o tumor apareceu, imagina o risco que você, que não dá a devida atenção ao seu corpo, anda correndo.

O Outubro de aniversário da minha vozinha é também o Outubro Rosa, o mês de conscientização na prevenção contra o câncer de mama. Dos casos diagnosticados no início, 95% têm chance de cura. O exame de mamografia é o principal meio para detectar o tumor. A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda a primeira mamografia a partir dos 40 anos, anualmente. Para mulheres com histórico familiar de câncer de mama em parentes de primeiro grau, como mãe ou irmã, o acompanhamento deve começar dez anos antes da idade que a parente apresentou a doença.

Mas mulheres entre 20 e 30 anos também precisam se submeter a exames clínicos com o ginecologista e realizarem o auto exame, apalpando os próprios seios para verificar alguma mudança ou caroço. Desde os 25 anos, passo por ultrassonografia nas mamas. Ano que vem, com 35, minha médica já avisou que vai pedir minha primeira mamografia porque existem outros casos de câncer na família.

É bom lembrar que apesar do câncer ser uma doença muito ligada ao envelhecimento, também atinge pessoas jovens. Há outros fatores de risco para o câncer de mama: primeira menstruação precoce (antes dos 12 anos), menopausa tardia (depois dos 55 anos), não ter filhos, reposição hormonal por mais de cinco anos na menopausa, obesidade, consumo de álcool, de cigarro ou quem fez tratamento de radioterapia.

Entre os sinais de alerta estão aparecimento de nódulo, inchaço da pele da mama, ulceração ou vermelhidão, abaulamento em alguma região da mama, sangramento pelo mamilo ou retração da aréola. Qualquer dor no seio fora do período menstrual deve ser investigada. Como prevenção, alimentação saudável, atividade física, manter o peso adequado, evitar cigarro sempre e bebida alcoólica em excesso, além de agendar visitas periódicas ao médico.

Na era da juventude a qualquer preço, vejo muitas amigas preocupadíssimas com a aparência, mas que passam anos sem enfrentar uma bateria de exames. Que o Outubro Rosa sirva também pra gente lembrar que vaidade em equilíbrio é saudável. De nada adianta, porém, se a beleza é montada e não reflexo de cuidados que realmente importam.