“Quem não deve não teme” e a conivência com a difamação de todos nós

Por Vitor Sampaio, psicoterapeuta existencial

Fico muito entusiasmado quando ouço a frase “quem não deve não teme”. Sempre que a ouço imagino que seu enunciador seja alguém iluminado, santo entre os homens, pessoa de ilibada postura.

Quando, no entanto, vejo tal enunciador, descubro, para minha total decepção, que se trata apenas de mais um ser humano, mais um existente. Apesar de existente, esquece que, assim como eu e qualquer outro, possui a medida do bem e do mal. Esquece que, aliás, bem e mal dependem de algo maior que si mesmo, depende de seu convívio com os outros. Por isso mesmo, por existirmos sempre com os outros, vivemos uma constante tarefa de realização de uma existência que não é sozinha nem absoluta, nos deixando sempre devedores de nós mesmos. Devedores na tarefa de ser, devedores frente aos outros. Incompletos e faltosos.

Quando vejo e escuto aquele que profere tal engodo, o “quem não deve não teme”, percebo o triste esquecimento de nossa condição humana, a condição de estarmos sempre tendo de nos realizar junto aos outros e, portanto, endividados. Aquele que profere tais palavras talvez esqueça que, como humano, já errou e magoou, querendo ou não querendo. Mas parece compreender, por uma lógica estranha e indecifrável, que seus erros são perdoáveis. Ou que, porque suas razões achavam-se boas, então não houve erros nem mágoas. Quem existe, erra. Erra muito.

Eu existo e por isso erro. Erro sim, e por isso devo. Digo isso de posse de minha condição humana. Já errei muito na minha vida e me arrependo de um tanto que fiz. Ao mesmo tempo, também não me arrependo de outro tanto. Já pedi desculpas e não consegui ser perdoado. Também já pude me redimir e ser perdoado. Acontece. Já perdoei e já não perdoei. Também faz parte. Mas não trato aqui do perdão, trato da acusação, da difamação. A frase “quem não deve não teme” não enuncia perdão. Ao contrário, enuncia a ideia de que alguém pode, de fato, não dever. Mas eu devo. Eu e todos os outros, incluindo aqueles que dizem que quem não deve, não teme.

Todas as vezes que escuto esta frase encontro em seu princípio e em seu fim mais um ser humano como eu ou outros, que errou, que magoou, que deve, e deve muito. Mais um ser humano igual aos outros, mas que, naquela situação, no que diz respeito àquele tema especificamente, não deve. Descobre-se ali, apenas e tão somente naquele caso, um não devedor, e regozija-se com isso. Regozija-se, aliás, lançando mão de sua condição humana, de suas possibilidades de bem e mal, e não demora a tentar se apresentar com a nobreza do sagrado. Ergue-se ante aos outros – os fracos, os que devem – e aponta-lhes o dedo dizendo “se não devem, não têm do que temer”.

Assim, dá-se colo ao bullying – palavra que detesto, mas da qual não posso abrir mão, visto sua familiaridade conceitual – e ao novíssimo e humano “cyberbullying”. Antes realizado individualmente, selecionando na sociedade indivíduos que, porque deviam, tiveram de pagar (às vezes com a própria vida). Hoje, no entanto, este ato humano – empreendido por aqueles que “nada devem” e que por tanto se permitem a esta maldade – o cyberbullying ganhou caráter mais amplo, onde todo um gênero pode e deve ser atacado. E como “quem não deve não teme”, devemos todos, homens e mulheres, ficar no aguardo de um achincalho qualquer, de uma difamação de qualquer ordem, vinda de qualquer lugar.

A diferença entre a vítima de bullying e seu algoz é a publicidade. Tão somente. A vítima tem suas falhas e dívidas tornadas públicas. O algoz não. Mas ao algoz digo que, por favor, não se engane: você deve, e deve muito.

Lançamo-nos feito ratos sobre queijo quando vemos a primeira oportunidade de acabar com alguém. Seja espalhando individualmente um vídeo que “vazou”, seja por um aplicativo – ah! O admirável mundo novo! – que nos permite, anônimos, expor alguém. Tal atitude faz parte das realizações de quem considera que em suas ações não há nada reprovável, nenhuma dívida. Mas eu sei que devo, e não sou o único. Bem como todos os que existem: devo e temo.

Entre quaisquer palavras bonitas e feias que posso ter usado ao longo do texto, prefiro estas que me foram ensinadas logo na infância: “Quem tem telhado de vidro, não deveria jogar pedras nas janelas dos outros”. Falta-nos, como um todo, a noção de que somos todos existentes, estamos todos em dívida conosco e com nosso existir. Mais dia, menos dia, a pedra pode ser lançada contra sua vidraça. Daí é só dizer “quem não deve não teme”, em vão.

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O lado sombrio do Clube da Luluzinha

Baixei o tal aplicativo Lulu (que até ontem de manhã eu mal sabia o que era e minha prima me explicou). O app serve para mulheres classificarem os homens por meio de hashtags, que vão de engraçadinhas a ofensivas. Dá pra usar tanto no smartphone quanto no computador. Aí, de acordo com as observações, o cara ganha uma pontuação. Confesso que dei umas risadas, mas também achei que tem muita maldade, difamação… Tenso. Pode até ter umas verdades ali, mas é sem noção expor publicamente fragilidades tão pessoais de ex-namorados, ex-peguetes. Mais um passinho na falta de limites das “brincadeiras” que acabam em consequências desastrosas com a exposição da intimidade alheia.

Vamos lembrar que duas meninas se suicidaram recentemente aqui no Brasil depois de terem vídeos íntimos jogados na internet. Por desforra, “diversão”, nosso comportamento irresponsável tá levando à morte. E ninguém parece se dar conta do quanto isso é grave, do quanto temos culpa nesses resultados.

Eu também acho que tem muito cara canalha e babaca que merece pagar pelas merdas que faz. Mas do mesmo jeito tem mulher que se sente rejeitada, não aceita isso e não pensa duas vezes antes de ferrar com a vida de caras legais, mesmo que pra atingir esse objetivo inventem barbaridades. Rapazes também têm sentimentos. O Lulu é um dos maiores absurdos dos últimos tempos – e olha que vivemos uma era de absurdos sequenciados! É ultrapassar todos os limites da invasão de privacidade, da falta de bom senso.

Uma das explicações das criadoras do Lulu é que a “classificação” ajuda as mulheres a saberem quem são os caras confiáveis ou não. Mentira. Já teve amigo meu pedindo pra eu inflar a pontuação dele. Obviamente, não vou fazer isso. Mas é um exemplo de como é fácil fraudar as informações do aplicativo.

Vi algumas meninas comentando que “quem não deve, não teme”, sobre os rapazes que conseguiram excluir o perfil. Que desconfiam de quem prefere se “esconder”. Pois eu fico com o pé atrás com os caras que estão vaidosamente achando o máximo serem avaliados como se fossem o prato de um restaurante. Nem que o “score” do sujeito seja 10. Porque só precisa de uma massageada no ego dessa dimensão quem não confia nas próprias qualidades.

Enfim, gente, li agora de manhã essa matéria abaixo (coloco um trechinho e o link) que aborda as implicações jurídicas e psicológicas da polêmica do momento. Mostra também como fazer para excluir o perfil no aplicativo. Os rapazes que estão no Facebook automaticamente aparecem no Lulu.

“A Constituição garante proteção à intimidade e veda o anonimato. O sujeito exposto pode entrar com ação cível, por perdas e danos, ou penal, por difamação e crime contra a honra. O culpado pode pegar de 3 meses a 1 ano de detenção ou pagar multa de R$ 5 mil a 10 mil”, diz. Já a Delegacia de Repressão a Crimes de Informática informou que é possível quebrar o sigilo do aplicativo e desmascarar os autores das supostas injustiças virtuais. O mais difícil, porém, é lidar com as feridas psicológicas, diz a psicóloga Alexandra Araújo. “Pessoas com baixa autoestima podem desenvolver quadro de depressão por acreditarem nos comentários. É uma plataforma perigosa, propícia para disseminar mentira, vingança e cyberbullyng”, avalia.
 
Não tem jeito. Se você é do sexo masculino e tem conta no Facebook, automaticamente já existe no aplicativo Lulu. Mas há um jeito — não muito simples, porém rápido — de deletar o perfil dos mais indignados e insatisfeitos. Basta acessar o link http://company.onlulu.com/deactivateO site em inglês pode ser traduzido para português.
 
Depois, o usuário deve clicar em ‘remover meu perfil agora’ e esperar até 15 minutos. Se houver falhas, pode repetir o procedimento. Outra alternativa é enviar um e-mail, indicando seu perfil para iwantout@lulu.com e esperar que os responsáveis pelo aplicativo retirem-no do ar.”

Namoro violento, casamento errado

machismo controle

Meu coração apertou esse fim de semana quando eu assistia o noticiário. A imagem da câmera de segurança de um supermercado no Paraná mostrava uma adolescente, funcionária do local, sendo arrastada com violência pelo ex-namorado. É possível vê-la correndo, tentando fugir ao ser baleada nas costas. Não satisfeito, o cara deu mais um tiro na cabeça da menina. Letícia, 17 anos, foi morta por dar fim ao namoro de oito meses. Choca muito porque acompanhamos nas cenas o desespero dela. E a valentia dele, como se tivesse direito de tirar uma vida ao levar um “não quero mais”.

O problema é que casos como esse são mais corriqueiros do que se imagina. Há alguns meses, escrevi um post aqui sobre como o machismo é presente em atitudes, masculinas e femininas, no cotidiano. Recebi um comentário de um jovem de 20 e poucos anos (consegui checar o perfil dele no Facebook), que dizia o seguinte: “Mulher tem que saber que respeito é bom, eu gosto e preserva os dentes.” Não liberei a mensagem, que carregava mais algumas barbaridades. Mas é um exemplo claro de que estamos falhando na educação das atuais gerações quando se fala da questão de gêneros, de poder, de igualdade, de preconceitos.

Em geral, a violência entre casais é exemplificada com histórias de relacionamentos longos, de casamentos, tendo a mulher como principal vítima. E é assim porque as estatísticas de violência com raiz no machismo são alarmantes. Ainda é pouco abordada, porém, a violência no namoro. Jovens enfrentam relações tóxicas com discussões que passam muito do limite, empurrões, tapas e terror psicológico. Familiares de Letícia disseram que a relação com o ex que a matou era tumultuada, com brigas constantes. Ele já teria a agredido fisicamente, inclusive.

Segundo um estudo recente da Universidade de São Paulo (USP), coordenado pela psicóloga Tânia Flake, com 362 jovens de ambos os sexos, 75% já sofreram algum tipo de violência durante o relacionamento. Outros 67% foram alvo de agressões psicológicas. São índices muito altos. Nos EUA, 30% dos adolescentes relatam abusos nos relacionamentos, de acordo com o Serviço de Referência da Justiça Criminal. Os rapazes não estão livres de serem eles as vítimas. E também devem sair o quanto antes de relações tão pesadas. Bom lembrar que a justiça reconhece como violência doméstica, passível de pena, as agressões no namoro, mesmo que os envolvidos nunca tenham morado juntos. Tem advogado que diz que não. Juízes, porém, vêm entendendo que cabe a punição, sim.

O mais triste é que muita gente (especialmente as moças) acreditam no clássico e falível “ele(a) vai mudar”. Acabam casando com seus agressores e passam uma vida entre insultos e o medo de “desagradarem” os parceiros. Conheço alguns casamentos nessa linha (e que nem têm tanto tempo). A pesquisa da USP indicou que a violência iniciada no namoro aumenta ao se tornar relação conjugal. Meninas e meninos, os sinais estão sempre lá. É um ciúmes exagerado, um tom de voz levantado, seu celular e e-mail checados (sem ou com sua autorização), um apertão no braço, um beliscão, a tentativa de fazer você se sentir inferior seja pelo que for.

Uma amiga psicóloga disse que até aquela tentativa de “trazer” você para o mundo do outro excessivamente, desconsiderando o que você gosta de fazer, é perigoso. A princípio, pode parecer o sincero desejo do apaixonado de nos colocar na vida dele. Romântico? Será? Pode ser a tentativa de sufocar a sua personalidade de tal maneira que você nem lembrará mais, depois de alguns anos, quem é de verdade. Onde há controle e intimidações não há amor.

Crédito da imagem: O Machismo Nosso de Cada Dia (a ilustração acima que acompanha o post é voltada para mulheres, mas vale também como entendimento para os rapazes que são as vítimas dos abusos)

Detalhe faz diferença – e a arte do boicote

coração detalhe

Vivi uma recente sequência de situações nas quais o atendimento ao cliente era sofrível. Parei pra pensar o quanto as pessoas não entendem que investir no detalhe é fundamental. Perfeccionismo é importante em determinados momentos e tarefas. É verdade que tantas vezes descamba para o completo exagero. E eu sempre acho que a gente tem que aprender quando suficiente tá ótimo. Sem esquecer, porém, que a gentileza, o cuidado, a atenção podem ser a cereja do bolo de um serviço, de uma atividade e até de uma maneira de se relacionar. O resultado é receber tudo isso de volta. Se não sempre, quase sempre. Então, vale o esforço.

Foram três ocasiões. Na primeira, eu aguardava meu sobrinho sair do cinema com os amiguinhos. Fui a uma temakeria da praça de alimentação do shopping. A atendente mal olhava pra mim. Pedi um temaki de salmão sem cream cheese. Recebi um temaki com cream cheese. Percebi lá pela terceira abocanhada. Resolvi comer mesmo assim. Na hora de entregar a bandeja, relembrei que tinha pedido sem. A resposta da funcionária da temakeria, com o olhar (sim, finalmente ela me encarou) de completo desdém, foi: “Aqui todo mundo come com cream cheese.” !!!!

A segunda situação aconteceu quando pedi um capuccino na cafeteria de um cinema, enquanto aguardava a sessão começar. A garçonete, de cara fechada, praticamente arremessou a bandeja com a xícara na mesa, derrubando tudo no pires. Ela viu e nem se dignou a perguntar se eu gostaria que o pratinho fosse trocado. Já na terceira situação estava acompanhada dos meus pais. Fomos a uma cafeteria famosinha. O pedido do meu pai veio errado três vezes. Ele acabou comendo um folhado, que nem queria, pra deixar pra lá. Na hora de pagar no caixa, pedi ao gerente que conferisse se os itens cobrados eram os corretos e expliquei o ocorrido. A explicação do sujeito foi pra deixar qualquer empreendedor de sucesso de cabelo em pé: “Ah, mas hoje é sábado. Tem muito movimento. Isso é normal”.

Não, amigo. Não é normal e eu não volto aqui nunca mais. Não falei, mas pensei. E não volto mesmo. Eu sou a rainha do boicote dos lugares com atendimento ruim. Conto pra todo mundo onde foi que aconteceu. Sei que ninguém está livre de ter um dia difícil, de enfrentar problemas pessoais que acabem interferindo de alguma maneira no trabalho. Mas dá pra perceber quando a atitude é corriqueira, falta de educação. Meu incômodo não é simplesmente porque estou pagando. É por me sentir desrespeitada. Faço questão de tratar bem funcionários que me atendem. Espero, sim, cordialidade recíproca. Quem trabalha com público deve ter em mente a clássica lei de ação e reação. Depois, não adianta reclamar que o negócio tá afundando.

Há alguns meses, a esposa de um colega jornalista se viu em desespero quando a filhinha passou mal dentro da loja de uma rede de roupas infantis. A menina vomitou e a mãe, preocupada com o estado de saúde da criança, ainda teve que limpar com pano e rodo o chão. Uma funcionário a avisou que desse um jeito na sujeira! É tão surreal! Não sei qual foi o fim da história. Mas eu entrava na justiça. A empresa pode realmente ter oferecido o treinamento adequado à equipe e a atitude infeliz de uma funcionária não corresponder à regra. Não importa. Jamais algo do gênero poderia acontecer. E acontece muito, em geral, porque também não exercemos a arte do boicote com frequência.

Já quem dispensa atenção e gentileza ao outro (e vale pra muitas áreas da vida, né?), sempre se dá bem. Nunca vi o contrário. Essa semana fui ao cinema e, mais uma vez, pedi meu cafezinho pré-sessão. Era outro cinema (não o do começo do texto). Pedi macchiato duplo, pão de queijo prensado e um camafeu de nozes. Delicinha. O café nem tanto. Masss… O garçom foi muito simpático. E na hora de pagar no caixa, a moça pergunta, com um sorriso largo: “Tava tudo gostoso? Tem alguma observação sobre o serviço?” Falei do macchiato e ela, imediatamente, anotou num caderninho o que eu disse. Claro que volto lá! Não só pra ver se o café melhorou. Porque ela se preocupou em não só atender bem, mas também a melhorar o serviço.

Investir no detalhe e no cuidado, seja no trabalho ou nas relações pessoais, é um excelente caminho pra conquistar a confiança das pessoas. A questão não é adular, mimar. É oferecer o nosso melhor pra que o outro se sinta à vontade pra também oferecer o melhor dele. Ajuda muito se ninguém achar que tá fazendo favor ou que tem direito de humilhar porque está sendo servido.

Crédito da imagem: CSV

Pequenas emoções diárias

emoções

Não sou a pessoa mais paciente do mundo. Mas juro que me esforço pra melhorar. Às vezes consigo. Às vezes, não. Ontem fiquei prestes a perder a paciência. Estava em outra cidade e precisava voltar pra São Paulo. Embarquei num ônibus na rodoviária que não costumo pegar. E quase tive um ataque ao perceber que o trajeto seria demorado. O busão ficou mais de uma hora rodando por municípios da região antes de entrar na estrada de fato.

Eu já dava aquela batidinha de pé típica dos impacientes quando olhei pela janela em uma das paradas. Um casal bem jovem, com uma menininha de mais ou menos um aninho, se preparava para o embarque. Um senhor, que parecia ser pai do rapaz, abraça cada um deles apertado. Dá um beijinho de olhos fechados na provavelmente netinha. Faz um carinho nos cachinhos dela. Ele abraça o rapaz de novo. Observa os três subindo no ônibus. Coloca as mãos nos olhos, agora já aguados, dando extra brilho num olhar azul infinito. Notei que ele fica que nem eu quando choro – com a cara toda cor-de-rosa (destaque para o nariz).

O senhor, já aos soluços e mandando beijos em direção ao lugar de seus queridos no ônibus, como se não houvesse vidro na janela para evitá-los, foi amparado por uma senhorinha. Ela parecia achar um pouquinho de graça no chororô. Segurou a mão dele. Não evitou uma carícia confortadora com leve roçar de dedos.

A essa altura, o meu era o mais derretido dos corações. Não pelo calor de 40 graus que espantava termômetros. Mas pelo prazer de registrar um momento de delicadeza. A impaciência derreteu junto. No meio da nossa loucura cotidiana até esquecemos de prestar atenção às pequenas emoções diárias. Elas acontecem o tempo todo. Nem sempre com a gente, mas com alguém de quem gostamos. Ou mesmo com desconhecidos, como foi o caso ontem. Com essa mania de valorizar o que não temos, esquecemos de valorizar o que já é nosso. O que está aqui, agora. Vivemos numa insanidade sem parada buscando… mais o que mesmo? Vivemos hoje, pensando no que desejamos pra amanhã. Claro que é importante fazer planos. Só que sem deixar de lado a energia necessária pra sentir um dia de cada vez e tudo o que esse dia pode nos dar de presente.

Chegando em São Paulo, ainda peguei um trânsito razoável. Impaciência? Nem valia a pena. Resolvi focar na brisa morna do cair da tarde, começo de noite. Aproveitei as ruas paradas pra olhar as cores variadas do céu naquele horário. Porque as únicas coisas que a gente realmente leva dessa vida são amor e paisagem.

Crédito da imagem: CSV

“Eu Maior”, um documentário sobre autoconhecimento e felicidade

Pra inspirar um pouquinho nosso dia que começa, trechos do documentário “Eu Maior”, que será lançado dia 21. Uma reflexão contemporânea sobre autoconhecimento e busca da felicidade com entrevistas de líderes espirituais, artistas, esportistas, intelectuais. Tem 3 minutinhos. Vale a pena iniciar a quinta-feira assim… 🙂 Bom dia, gente bonita! ♥

http://vimeo.com/77457161

eumaior