Pequenas emoções diárias

emoções

Não sou a pessoa mais paciente do mundo. Mas juro que me esforço pra melhorar. Às vezes consigo. Às vezes, não. Ontem fiquei prestes a perder a paciência. Estava em outra cidade e precisava voltar pra São Paulo. Embarquei num ônibus na rodoviária que não costumo pegar. E quase tive um ataque ao perceber que o trajeto seria demorado. O busão ficou mais de uma hora rodando por municípios da região antes de entrar na estrada de fato.

Eu já dava aquela batidinha de pé típica dos impacientes quando olhei pela janela em uma das paradas. Um casal bem jovem, com uma menininha de mais ou menos um aninho, se preparava para o embarque. Um senhor, que parecia ser pai do rapaz, abraça cada um deles apertado. Dá um beijinho de olhos fechados na provavelmente netinha. Faz um carinho nos cachinhos dela. Ele abraça o rapaz de novo. Observa os três subindo no ônibus. Coloca as mãos nos olhos, agora já aguados, dando extra brilho num olhar azul infinito. Notei que ele fica que nem eu quando choro – com a cara toda cor-de-rosa (destaque para o nariz).

O senhor, já aos soluços e mandando beijos em direção ao lugar de seus queridos no ônibus, como se não houvesse vidro na janela para evitá-los, foi amparado por uma senhorinha. Ela parecia achar um pouquinho de graça no chororô. Segurou a mão dele. Não evitou uma carícia confortadora com leve roçar de dedos.

A essa altura, o meu era o mais derretido dos corações. Não pelo calor de 40 graus que espantava termômetros. Mas pelo prazer de registrar um momento de delicadeza. A impaciência derreteu junto. No meio da nossa loucura cotidiana até esquecemos de prestar atenção às pequenas emoções diárias. Elas acontecem o tempo todo. Nem sempre com a gente, mas com alguém de quem gostamos. Ou mesmo com desconhecidos, como foi o caso ontem. Com essa mania de valorizar o que não temos, esquecemos de valorizar o que já é nosso. O que está aqui, agora. Vivemos numa insanidade sem parada buscando… mais o que mesmo? Vivemos hoje, pensando no que desejamos pra amanhã. Claro que é importante fazer planos. Só que sem deixar de lado a energia necessária pra sentir um dia de cada vez e tudo o que esse dia pode nos dar de presente.

Chegando em São Paulo, ainda peguei um trânsito razoável. Impaciência? Nem valia a pena. Resolvi focar na brisa morna do cair da tarde, começo de noite. Aproveitei as ruas paradas pra olhar as cores variadas do céu naquele horário. Porque as únicas coisas que a gente realmente leva dessa vida são amor e paisagem.

Crédito da imagem: CSV

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2 respostas em “Pequenas emoções diárias

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