Detalhe faz diferença – e a arte do boicote

coração detalhe

Vivi uma recente sequência de situações nas quais o atendimento ao cliente era sofrível. Parei pra pensar o quanto as pessoas não entendem que investir no detalhe é fundamental. Perfeccionismo é importante em determinados momentos e tarefas. É verdade que tantas vezes descamba para o completo exagero. E eu sempre acho que a gente tem que aprender quando suficiente tá ótimo. Sem esquecer, porém, que a gentileza, o cuidado, a atenção podem ser a cereja do bolo de um serviço, de uma atividade e até de uma maneira de se relacionar. O resultado é receber tudo isso de volta. Se não sempre, quase sempre. Então, vale o esforço.

Foram três ocasiões. Na primeira, eu aguardava meu sobrinho sair do cinema com os amiguinhos. Fui a uma temakeria da praça de alimentação do shopping. A atendente mal olhava pra mim. Pedi um temaki de salmão sem cream cheese. Recebi um temaki com cream cheese. Percebi lá pela terceira abocanhada. Resolvi comer mesmo assim. Na hora de entregar a bandeja, relembrei que tinha pedido sem. A resposta da funcionária da temakeria, com o olhar (sim, finalmente ela me encarou) de completo desdém, foi: “Aqui todo mundo come com cream cheese.” !!!!

A segunda situação aconteceu quando pedi um capuccino na cafeteria de um cinema, enquanto aguardava a sessão começar. A garçonete, de cara fechada, praticamente arremessou a bandeja com a xícara na mesa, derrubando tudo no pires. Ela viu e nem se dignou a perguntar se eu gostaria que o pratinho fosse trocado. Já na terceira situação estava acompanhada dos meus pais. Fomos a uma cafeteria famosinha. O pedido do meu pai veio errado três vezes. Ele acabou comendo um folhado, que nem queria, pra deixar pra lá. Na hora de pagar no caixa, pedi ao gerente que conferisse se os itens cobrados eram os corretos e expliquei o ocorrido. A explicação do sujeito foi pra deixar qualquer empreendedor de sucesso de cabelo em pé: “Ah, mas hoje é sábado. Tem muito movimento. Isso é normal”.

Não, amigo. Não é normal e eu não volto aqui nunca mais. Não falei, mas pensei. E não volto mesmo. Eu sou a rainha do boicote dos lugares com atendimento ruim. Conto pra todo mundo onde foi que aconteceu. Sei que ninguém está livre de ter um dia difícil, de enfrentar problemas pessoais que acabem interferindo de alguma maneira no trabalho. Mas dá pra perceber quando a atitude é corriqueira, falta de educação. Meu incômodo não é simplesmente porque estou pagando. É por me sentir desrespeitada. Faço questão de tratar bem funcionários que me atendem. Espero, sim, cordialidade recíproca. Quem trabalha com público deve ter em mente a clássica lei de ação e reação. Depois, não adianta reclamar que o negócio tá afundando.

Há alguns meses, a esposa de um colega jornalista se viu em desespero quando a filhinha passou mal dentro da loja de uma rede de roupas infantis. A menina vomitou e a mãe, preocupada com o estado de saúde da criança, ainda teve que limpar com pano e rodo o chão. Uma funcionário a avisou que desse um jeito na sujeira! É tão surreal! Não sei qual foi o fim da história. Mas eu entrava na justiça. A empresa pode realmente ter oferecido o treinamento adequado à equipe e a atitude infeliz de uma funcionária não corresponder à regra. Não importa. Jamais algo do gênero poderia acontecer. E acontece muito, em geral, porque também não exercemos a arte do boicote com frequência.

Já quem dispensa atenção e gentileza ao outro (e vale pra muitas áreas da vida, né?), sempre se dá bem. Nunca vi o contrário. Essa semana fui ao cinema e, mais uma vez, pedi meu cafezinho pré-sessão. Era outro cinema (não o do começo do texto). Pedi macchiato duplo, pão de queijo prensado e um camafeu de nozes. Delicinha. O café nem tanto. Masss… O garçom foi muito simpático. E na hora de pagar no caixa, a moça pergunta, com um sorriso largo: “Tava tudo gostoso? Tem alguma observação sobre o serviço?” Falei do macchiato e ela, imediatamente, anotou num caderninho o que eu disse. Claro que volto lá! Não só pra ver se o café melhorou. Porque ela se preocupou em não só atender bem, mas também a melhorar o serviço.

Investir no detalhe e no cuidado, seja no trabalho ou nas relações pessoais, é um excelente caminho pra conquistar a confiança das pessoas. A questão não é adular, mimar. É oferecer o nosso melhor pra que o outro se sinta à vontade pra também oferecer o melhor dele. Ajuda muito se ninguém achar que tá fazendo favor ou que tem direito de humilhar porque está sendo servido.

Crédito da imagem: CSV

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2 respostas em “Detalhe faz diferença – e a arte do boicote

  1. Isso me lembra o ocorrido de ontem à noite com o Vinicius, em casa. Liguei para uma pizzaria onde sempre pedimos e a atendente, ao passar o telefone pro entregador para que eu explicasse um ponto de referência, gritou ao fundo para o funcionário: “Vê se sabe onde é, se não souber, não posso fazer nada, não entrega”.

    Gente, guia de ruas e GPS pra quem faz entregas, cadê?
    Péssimo né!

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