Que direito eu tenho?

direito de escrever

Já tive dúvidas se continuaria o blog. Não por receber críticas vez por outra, o que é importante e ajuda a me situar. Mas porque volta e meia me pergunto: que direito eu tenho? Que direito eu tenho de mexer com os pensamentos, sentimentos e percepções das pessoas com o que escrevo?

Quando comecei o Fale ao Mundo foi muito pra dar vazão a um lado da escrita que não era tão constante pra mim e que me interessava desenvolver. Acreditava que eu tinha algo a “falar” para o “mundo”. Como jornalista e trabalhando em grandes empresas, quase sempre minha função era ouvir todos os envolvidos em uma história e reportar, com base em análise de especialistas também, o que me contavam. Um tipo diferente de texto.

No blog, não. Aqui, são minhas opiniões, histórias pessoais e de pessoas que me cercam, que acabam servindo de exemplo pra muita gente. Simplesmente por serem histórias possíveis de serem vividas por todos nós. Coisas do cotidiano comum a qualquer indivíduo e que envolvem alegrias e tristezas, derrotas e conquistas, tempo pra pensar e tempo pra agir, erros e acertos.

Mas outro dia uma professora de uma faculdade de psicologia me disse: “Por mais lúcida que seja sua visão das situações, nem sempre as pessoas estão preparadas emocionalmente para lidarem com elas. Escrever com delicadeza e profundidade, a ponto de alguém se identificar, é um dom. Você pode, porém, ferir até por meio de palavras bonitas. Porque o interlocutor, por problemas pessoais que nada têm a ver com você, pode se sentir ofendido por não te entender ou não se achar merecedor daquilo de bom que está descrito no texto.”

Fiquei mal. E pensando. Pensando. Pensando.

Lembrei de quantas vezes os posts mais polêmicos causaram rebuliço. E de quantas pessoas nessas ocasiões me estimularam a parar ou escrever apenas sobre amenidades. Dúvida. Mas pensei – sem querer me achar nenhuma heroína e com toda a humildade do universo – que se cada vez que for difícil todo mundo desistir, como ficam sociedade, relações, reflexões sobre nossos comportamentos?

Tenho certeza absoluta que tem gente mais preparada do que eu pra debater tudo o que escrevo aqui. Mas há 15 anos o jornalismo me permite acompanhar de muito perto a História e a relatar histórias. Como pesquisadora das ciências sociais, mais especificamente da sociologia, há quase três anos, venho aprendendo a analisar e a entender os comportamentos presentes na sociedade. Viajo por aí, atrás de entender novas culturas, há quase 20 anos. Então, bem, não sou exatamente incapaz de construir olhares sobre aquilo que me rodeia.

O retorno de quem acompanha o blog tem sido bacana, positivo e crescente. Essa semana uma leitora escreveu dizendo que se vê em muitos dos textos e que outros a inspiram. Há pouco tempo, três pessoas que não se conhecem e em ocasiões diferentes, me disseram a mesma frase: “Seus textos me fazem companhia.” São só alguns exemplos recentes que reforçam minha ideia de que, sim, eu tenho turma! E que faz sentido pra essas pessoas, as ajuda de alguma maneira, aquilo que eu tenho a dizer.

De verdade, de verdade, sem falsa modéstia, quando comecei a escrever não dimensionei os efeitos de algumas palavras que saem da minha cabeça e correm a tela do computador (tablet, smartphone) dos leitores. Acho, portanto, que ainda tenho muito a aprender como autora. Muito mesmo. E como a gente é sempre obrigado a fazer escolhas na vida, eu escolho continuar escrevendo aqui. Nunca, jamais, desejando machucar alguém. Pelo contrário. É pra que a gente pense junto quais são nossas possibilidades, tanto de melhorar a nós mesmos quanto melhorar nosso cotidiano. Vale pra mim também, claro. Uma grande terapia em grupo, digamos… 😉

Gostem ou não, queridos, o blog continua. Não tenho ilusão e pretensão de agradar a todos. Impossível! Mas me dou, então, o direito de pensar em “voz alta” e levar comigo umas tantas pessoas na minha reflexão. Ainda assim, se o que escrevo te incomoda, talvez o problema não seja o dito aqui. Talvez seja o que você carrega na cabeça e no coração.

Crédito da imagem: CSV

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2 respostas em “Que direito eu tenho?

  1. Oi Suzane! Primeiramente, feliz ano novo! Como vc pode perceber eu ando atrasada na leitura do blog. Eu gosto muito dos seus textos, eu me identifico, me emociono, reflito… por favor, não pare. A não ser que você queira férias! Sempre abro seu blog com a certeza de que o que eu vou ler irá me acrescentar, me fazer refletir… obrigada por continuar. Beijos

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