Tudo é uma questão de perspectiva

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Às 10h30 daquela manhã eu já me sentia uma derrotada. Acordei quinze minutos antes das cinco da matina. Céu escuro. Cobri a folga de uma pessoa num dos trabalhos que faço como freelancer. O ônibus, claro, atrasou. E aquela hora já veio cheio. Fui em pé metade do caminho. Cheguei no trampo no laço. O crachá não funcionava na catraca. Deus… Fui pra mesa. Era um trabalho cujo processo eu não conhecia bem. Me enrolei. Não fiz como deveria, poderia. O sistema ainda deu pau. Acabou e fui checar os e-mails pessoais. Uma mensagem era de um outro trabalho – e dizia que o pagamento previsto para aquele dia ficaria para segunda-feira. Xinguei. Saí do prédio. Dei uma baita topada com o dedão num desnível na calçada. E tinha o calor. Já suava em cinco minutos fora do ar-condicionado. O que mais não daria certo?

Às 10h30 daquela manhã em que eu já me sentia uma derrotada, estava dentro do ônibus, a caminho de uma consulta. Largada no banco, me abanando pra espantar a sensação de forno industrial no busão, respirei fundo. Foi quando meu EU disse: “Garota… que reclamona! Você está exagerando… Imprevistos acontecem. Tem gente enfrentando problemas mais graves que os seus e você sabe disso. Não seja egoísta na sua autocomiseração.”

Um pouco depois das 10h30, a caminho da consulta, fiz mentalmente o movimento inverso de tudo o que eu tinha passado. Desde a hora que acordei até ali.

Cinco da matina. Meu primeiro pensamento foi que dormi menos do que deveria. Levantei no meio da noite com insônia. Mas como de praxe quando meu sono vai dar um rolezinho – 😉 -, minha criatividade parece entrar em combustão. Anotei ideias, escrevi um texto que precisava. Me arrumei logo, desci para esperar o ônibus no ponto. Enquanto a condução me fazia experimentar o atraso, aproveitei pra olhar o céu escuro – e estrelado!! A lua estalava de brilhante. Que céu bonito pra terminar a noite/começar o dia… 😀

Chega o busão. Cheio. Mas apesar da madrugada na ativa, motorista e cobrador me disseram “bom dia” com sorrisos gentis! Retribui. Alcanço finalmente meu destino. E o crachá que não funciona na catraca. A recepcionista me ajuda – com simpatia! Aquela hora, ela tinha o direito de não ser simpática, gente… Nem motorista e cobrador. Eu acho. Mas eles foram. Retribui a ela também a simpatia.

Enrolada com o processo do trabalho, gente que eu nunca vi e estava atolada de serviço antes das 8h da manhã parou o que fazia pra me ajudar. E com bom humor. No fim, diante da minha decepção comigo mesma por não ter realizado as tarefas como eu achava que deveria, fui consolada com carinho e serenidade pela moça sentada ao meu lado.

O pagamento previsto para aquele dia ficaria para segunda-feira? Xinguei. Mas lembrei que minha conta estava ok. E tudo bem. A topada? Dói só de lembrar de novo. Podia, porém, ser pior se eu tivesse escolhido o outro par de sapatilhas que pensei em colocar, de couro mais fininho.

O calor insuportável? Lembrei que tem gente em outros países saindo de casa com temperaturas negativas e uma avalanche de casacos. Dei aquela encostada na janela do busão. Aproveitei pra tomar sol.

Lá pelas 13h da tarde, eu já me sentia uma pessoa abençoada por muita coisa boa na vida. Porque tudo é uma questão de perspectiva. Nem sempre é fácil. Mas vale a pena tentar enxergar o que o destino manda com o olhar mais para otimista.

Crédito da imagem: Kit Básico da Mulher Moderna

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