Não merecemos, não! (e qual a parcela de culpa do recalque feminino)

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Sentei em frente a janela do terraço. Abracei os joelhos. Abaixei a cabeça pra chorar. De raiva. Lá fora, chovia. Cheguei ao limite. Da paciência, da compostura, do manter a educação com quem não se incomodava em me machucar dizendo que eu era a culpada.

Já se passavam uns dois meses desde o fim de um relacionamento que não andava nada bom. Mas não importava quão problemática era a situação, a diferença de gênios, de valores, de comportamentos. Com mais de 30 anos, me diziam, eu é que não soube “levar”. Porque, “nessa idade”, a mulher TEM que saber levar – ou acaba sozinha. Era minha culpa também ter opinião demais. Não ser mais condescendente. Não baixar a cabeça pra certos abusos.

A noite em que chorei tanto foi seguida do dia que falei poucas e boas a pessoas que faziam questão de ressaltar que se não consegui “levar” era porque eu era egoísta demais. Não interessava as conquistas pessoais e profissionais que tive até ali, o meu caráter, nada. Nem os (muitos) erros dele!!

O término de uma história que já beirava o precipício foi jogado no meu colo como uma falha particular minha. Uma falha feminina.

Nenhum homem me disse isso.
Foram todas mulheres. Das mais diversas idade.

Lembrei do momento esses dias depois de ver o resultado da pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) que, assustadoramente, revelou opiniões machistas e violentas por parte dos brasileiros em relação à população feminina. As principais:

– 54,9% dos entrevistados concordaram total ou parcialmente com a afirmação: “tem mulher que é pra casar, tem mulher que é pra cama”
– 64% dos entrevistados concordaram total ou parcialmente com a ideia de que “homens devem ser a cabeça do lar”
– 14% acreditam que a mulher deve se submeter totalmente aos desejos sexuais do marido
– 65% dos brasileiros acham que mulher de roupa curta merece ser atacada

E dos quase 4 mil entrevistados, 66% eram mulheres.

Não quero tirar o foco do quanto o estudo mostrou que o comportamento de muitos caras é agressivo e perigoso. De como parte deles ainda se acha sim no direito de subjugar parceiras e fazer valer sua vontade à força caso, por exemplo, tomem uma negativa. E não tem nada a ver com o tipo de roupa, como tentam “justificar” parte dos pesquisados.

Já cansei de ouvir barbaridades e de me sentir ameaçada na rua usando jeans, camiseta e tênis. Mulheres são estupradas no mundo todo, independentemente de como estão vestidas. Inclusive as que são obrigadas a viver debaixo de burcas. Um levantamento realizado pelo Centro para o Diálogo Nacional do Rei Abdulazi apontou que 86,5% dos homens na Arábia Saudita afirmam que uma das causas do assédio sexual em locais públicos do país é culpa da maquiagem usada pelas sauditas. O rosto é a única parte do corpo que elas revelam, vale destacar. Por vezes, são apenas os olhos.

Mas pensando nos resultados do estudo brasileiro, nos números, na maioria dos participantes, como ignorar que o machismo feminino é forte, parece crescente, e tão (ou mais) danoso quanto o dos homens?

O recalque feminino, diz uma amiga minha, é um dos mais graves problemas da humanidade. Gera confrontos, humilhações, bullying, calúnia, difamação. Reforça estereótipos negativos e dá carta branca para que a violência contra a mulher se perpetue. E nem só contra a mulher.

Quantas vezes você já não ouviu de alguma amiga ou conhecida que se o cara não pegou, não se rendeu às investidas dela, ele só pode ser gay? Nada contra os gays, de maneira alguma. Mas colocar a masculinidade de alguém em dúvida é um indício cruel do quanto uma mulher consegue ser machista. Na mesma proporção de quando chama a outra de vadia por um motivo qualquer.

Machista e recalcada, vamos esclarecer. Ela tende a denegrir a imagem da “rival” pra se sentir superior por uma questão de baixa autoestima, insegurança, auto imagem negativa. Mesmo motivo pra detonar o sujeito que não quis nada com ela, pelas mais diversas razões.

No fim, entrei em choque com os resultados da pesquisa não só porque confirmei a sensação de ameaça que sinto por parte dos homens como algo real. Mas porque tive a triste certeza de que as mulheres são incapazes de perceber quanto contribuem para piorar a própria situação.

Que as pessoas não pensam duas vezes antes de machucar alguém com opiniões limitadas e preconceituosas eu já sabia. Só não acreditava que elas pudessem assinar embaixo de um crime achando que estão garantindo “moral”. Nada mais imoral.

Crédito da imagem: Brasil Post

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O resultado da pesquisa deu origem ao movimento “Eu Não Mereço Ser Estuprada”, criado pela jornalista Nana Queiroz. A página da comunidade no Facebook já conta com quase 18 mil seguidores: https://www.facebook.com/pages/Eu-n%C3%A3o-mere%C3%A7o-ser-estuprada/262686010579662?fref=ts
#EuNãoMereçoSerEstuprada #NinguémMerece

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Tudo deve ser dito?

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Sempre tive uma mania que eu achava saudável e agora já não sei mais se é: dizer tudo o que penso, desejo e sinto. Comecei a refletir a respeito quando um amigo, há quase um ano, lembrou que as coisas não ditas também têm sua beleza, mas precisam ver a luz. Ou seja, não podem se tornar angústias a serem carregadas.

Difícil é manter a beleza do não dito sem pirar na dúvida do “e se…”. E se eu tivesse falado. E se eu tivesse feito. E se eu tivesse escolhido aquilo e não isso. E se fulano(a) soubesse o que vai no meu coração. A gente tem essa gana pelo controle. Quer dizer… De imaginar que tem o controle. É claro que traçamos metas, planejamos. É importante que seja assim. Só que o destino sempre é dono de uma margem grande das mudanças. Nem tudo será como definido. Nem tudo precisa ser dito porque não modificará a situação.

Término de namoro é um clássico. Quem nunca quis ter AQUELA última conversa antes de aceitar o fim? E você quer dizer como está se sentindo. E dizer que lamenta muito pelas vezes que errou. E dizer quanto ficou magoado naquela festa em 2004. E que… Não.

Ainda sou a favor do fim olho no olho, da dor no peito com a lágrima que cai pelo rosto de quem a gente tá “machucando”, ou da dor no peito de se sentir deixado, não mais amado. Tem que ter um drama. Tem que ter um carinho final, um beijo na testa. Mãos que desenlaçam devagarinho pela última vez…

Acho uma desonra relações atuais que acabam por sms, inbox, whatsapp e afins. Na tentativa de amenizar sofrimento a gente tá é minimizando demais emoções, nos tornando mal preparados para as relações que chegam depois. Uns insensíveis diante do mundo.

Mas não exagera, vai. Analisa friamente. O que você precisa tanto falar que realmente mudará a situação? Mais: será que a situação deve mesmo mudar? Mais ainda: será que a pessoa pra quem você tanto deseja dizer algo… se importa?

Não quero, por favor, desencorajar ninguém aqui de abrir o coração, de falar umas verdades, de deixar claro que o outro é importante, que deseja sua confiança, que entende seus conflitos, que as coisas não podem continuar como estão, entre tantas outras possibilidades. Só não quero ninguém tristinho, poxa vida… Só espero que não exista precipitação. Nem pelo desejo urgente de ser feliz logo, nem pelo desejo urgente de acabar com algo logo.

Analisa. Não desespera. Se a conclusão for que sim, tudo precisa ser dito, corre. Porque ainda por cima precisa saber o timing pra que não seja… tarde demais. Quem falou que seria fácil? “E se” fosse fácil?

Crédito da imagem: Creative Commons

Como anda o coração feminino

Pessoal, nesse link abaixo está uma reportagem que escrevi para a Revista Cláudia, do mês de dezembro. Fiquei muito feliz ao saber essa semana que a matéria está concorrendo ao Prêmio Abril de Jornalismo:

http://issuu.com/paj2012/docs/paj2014_mc_saudefitnessesporte_clau?e=4648746%2F7086338

Coloco aqui o link pra vocês porque tem informações importantes sobre doenças cardiovasculares em mulheres. Mostra como a mulherada não identifica uma série de fatores de risco, ainda acredita que infarto acomete mais os homens (nada disso!) e não sabe identificar os sintomas de uma problema cardíaco (que pode se manifestar de maneira diferente do modo que se manifesta no sexo masculino).

E, sim, emoções, sentimentos negativos e estresse também afetam a saúde do coração feminino, que anda em perigo. Espero que gostem e que ajude a todas nós. 😉

Compaixão

“Atingir certa idade tem seu lado positivo. Você perde algumas coisas pelo caminho, mas ganha outras também. Aprende a ver o mundo de outra maneira. Por exemplo, desenvolve sentimentos estranhos. Sentimentos como a compaixão. E a compaixão não é mais que querer ver os outros livres de sofrimento, independentemente do sofrimento anterior que eles nos possam ter causado (…) Dizem que a compaixão é sinal de maturidade emocional; não é uma obrigação moral nem um sentimento que nasce de reflexão (…) Hoje é Dia de Ação de Graças e acho que todos os presentes, apesar do que o passado nos fez sofrer, temos muitas coisas pelas quais expressar nossa gratidão (…) agradecer por tudo que nos ajuda a ser feliz a cada dia. Os olhos para ver as estrelas, o abecedário para compor palavras lindas, os pés para percorrer cidades e todas essas coisas cotidianas que algumas pessoas já não têm e pelas quais devemos estar agradecidos (…)”

Trecho do livro “A Melhor História Está Por Vir”, da escritora espanhola María Dueñas. Ela também é autora de “O Tempo Entre Costuras”. Recomendo, gente… Feliz semana pra todos nós!

Além de educação, aprender a pensar

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Uma vez uma pessoa me perguntou se, caso eu pudesse definir verbas de governos, para qual área destinaria mais recursos: saúde ou educação? Acredito de verdade que saúde é a coisa mais importante na vida. Com ela, a gente corre atrás do resto. Mas sem educação, uma das muitas consequências é, inclusive, não saber cuidar da saúde.

Na ocasião, então, minha resposta foi educação. E minha convicção só aumenta. Com uma ressalva importante – não me interessa apenas a educação formal para todos que é incapaz de levar o sujeito a refletir. A clássica decoreba pra passar de ano vem perdendo força no ensino e dando lugar à reflexão. É o que forma cidadãos questionadores, conscientes de seus direitos, deveres, limites e liberdades. Mas essa é uma realidade nas escolas particulares de elite. Aparece muito pouco nas redes públicas.

Enfim, há avanços, cujos resultados demorarão algum tempo pra aparecer. E ainda não dá pra saber se de fato essa educação “pensadora” vai se expandir para todas as classes. Mantenhamos o otimismo. Enquanto isso, é de chorar o tanto de opinião destrambelhada que a gente ouve por aí. Eis um dos ganhos que as redes sociais trouxeram: escancarar o quanto somos despreparados e ignorantes.

Não falo aqui de gente que não teve a chance de estudar, não. Tô falando de gente que frequentou bons colégios, gente pós-graduada, viajada. Mas que, apesar dos diplomas, não consegue fazer uma observação “fora da caixa”. Só enxerga o mundo por uma ótica simplista demais, não faz conexões da realidade, de como uma situação puxa a outra. Por exemplo, que violência tá sim ligada aos padrões de uma sociedade consumista, que dá tanto valor e julga pela aparência e por questões materiais. A arma na cara na hora do roubo é impulsionada por desejos e instintos alimentados pela desigualdade.

Em ano de eleição (e não só de Copa!), me impressiona quanto ainda as pessoas não têm a menor ideia de como funciona a divisão das responsabilidades de governos municipais, estaduais e federal. Falam mal da presidente por um problema que é municipal. Xingam o prefeito por uma questão estadual. Detonam o governador que não pode se meter numa determinação federal. E esquecem completamente a poderosa força de deputados e senadores e como eles dão as cartas no jogo.

Taí algo que nem de longe aparece na educação do brasileiro: política. Especialmente de uns cinco anos pra cá, surgiu uma enorme preocupação com educação financeira nas escolas. É mesmo essencial. Quem sabe lidar com dinheiro não se endivida, se mantém em segurança, ganha a chance de realizar sonhos e ter uma vida mais tranquila. Mas conhecer política é ter nas mãos a oportunidade de decidir melhor pra onde caminhará nosso país e saber de quem cobrar os erros.

Por fim, era bom que nossa educação nos ensinasse também a avaliar situações com generosidade. Nos últimos dias choveu no Facebook posts sobre todos os motivos pra ser contra o Bolsa Família, dizendo que tem gente que se aproveita do benefício pra levar vida mansa. Numa nação corrupta (lembrando que é corrupta porque nós também somos no cotidiano) é claro que alguém vai se aproveitar. Não significa ser a regra.

Pesquisa indicam, por exemplo, o empoderamento de mulheres que recebem o benefício. Menos dependentes financeiramente, elas puderam colocar pra fora de casa homens que as espancavam e exigiam que os filhos trabalhassem ou mendigassem ao invés de estudarem. Como a gente é preconceituoso demais, também tem o outro triste lado. Um levantamento da Organização Internacional do Trabalho diz que essas mesmas mulheres são vistas no mercado de trabalho como preguiçosas. É, no mínimo, injusto e generalista. É a tal ótica simplista.

Preguiçoso é quem tá com a faca e o queijo na mão desde sempre, teve todas as oportunidades, mas não se dá ao trabalho de estudar, analisar, debater e buscar informações coerentes pra fazer escolhas mais conscientes e uma sociedade menos doente. Ativismo de Facebook tem pouca valia se você não sabe (e nem quer) compreender como fazer a sua parte de verdade.

Crédito da imagem: Creative Commons

Das coisas que eu não entendo

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Por que uma mãe ou um pai perde um filho? Por que uma pessoa jovem adoece? Por que algumas pessoas acreditam de verdade que seus direitos e poderes são maiores do que os dos demais? Por que relacionamentos não são simples, fáceis, sem dor e nem dúvidas? Por que parte de nós não consegue ser honesto? Por que para tantos o trabalho se torna uma angústia? Por que somos facilmente manipuláveis? Por que refletimos pouco sobre o essencial e damos tanta importância para o que é tão vazio?

Por que, afinal, a gente não sabe de antemão o que acontece depois da morte?

Ando rebelde. Aos 35 talvez já nem fosse mais hora de pirar com perguntas existencias que não têm respostas prontas e certeiras. Só conceitos, suposições. Ou sequer elucidação. Minha amiga me desejou ontem Feliz Dia Internacional da Mulher, com a mais bonitinha das frases: “Um beijo especial para uma das mulheres – mesmo mantendo o coração de menina – que mais admiro.” O problema é que o coração de menina também tem lá suas desvantagens. Uma delas é questionar demais o que pra maioria é melhor deixar pra lá. A beleza e a desgraça do coração juvenil, simultaneamente, é querer entender tudo, custe o que custar.

Todas essas perguntas acima são de situações reais e recentes que aconteceram ou estão acontecendo na minha vida. Não saber ou não poder fazer algo concreto para resolvê-las me incomoda, me entristece, me desperta a amarga sensação de impotência. E nada pior para alguém acostumado a dar um jeito das coisas andarem do que se ver impotente.

O resultado são embates com Deus e com a Ciência. Nenhum dos dois – em quem eu sempre confiei tanto – vêm conseguindo acalmar meus nervos. Tô perdida.

Um amigo brincou outro dia comigo lembrando que a ignorância pode ser uma benção. Ele disse isso quando pedi que descobrisse o significado de dois pingentes que levo numa pulseira. São caracteres chineses (e ele estuda mandarim). Minha mãe quem me deu. Na ocasião, ela afirmou que o joalheiro explicou serem a representação de “Amor” e “Paz”. Mas meu amigo disse que não descobriria nada, não. Falou que o importante era a representação do presente dado pela mãe. E que se o significado não fosse o garantido pelo joalheiro que vendeu, eu ficaria decepcionada. Melhor não saber.

Faz sentido. Quanto mais você adquire conhecimento, mais sua visão do mundo, claro, é crítica. Você compreende meandros, ganha capacidade de análise das situações. Acaba também enxergando com lucidez o lado ruim da sociedade, das pessoas. O curioso é que tenho visto tanta gente bem instruída com posturas ignorantes, egoístas e limitadas… Então, eu entendo que conhecimento sem sensibilidade é que é o problema. Sem sensibilidade e generosidade no olhar não há inteligência que segure um discurso, um debate, uma visão.

Na outra ponta, o não saber, o ignorar, o desconhecer só é válido até a página dois. Acho perigoso se deixar guiar sem questionar, por mais sofrido que seja lidar com tantas perguntas rondando a cabeça. Quem aceita um mundo pela metade, vive uma falsa sensação de “proteção”. E mais dia menos dia, ela desmorona e o indivíduo se vê enganado. Prefiro a dolorosa liberdade de brigar com as coisas que eu não entendo.

Conheço uma senhorinha que mora aqui perto de casa que é rezadeira. Uma vez conversamos sobre dúvidas que me afligem. Ela disse que continuar questionando é um propósito importante. O que eu preciso é aprender a deixar o que é mistério ser levado pelo vento e focar no que tem solução. Juro que vou tentar. O problema é que pra minha teimosia se desfazer precisa de um vento na velocidade de um tornado.

Crédito da imagem: Matylda Konecka/ Cultura Inquieta

Auto sabotagem

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Chegou a hora. Aquela. Que você quis, desejou, planejou. Até ensaiou. E então você… faz-dar-errado. Não fala o que esperava, não age como pensa. Como deve. Disfarça, inventa, foge, se esconde. Fica tímido, se intimida. Ah, auto sabotagem… Quem nunca? Eu sempre! Um clássico.

É duro admitir. Mas a gente enfia os pés pelas mãos. Bem na hora das mudanças profundas, as que podem trazer toda felicidade. Ou a gente chega a dar início ao trabalho, relacionamento, projeto, sonho. Entra nele. Concretiza. Só que na hora de manter a coisa funcionando, já era. O processo degringola porque repetimos os erros do passado. Ressuscitamos fantasmas, medos que deveriam estar enterrados.

Auto sabotagem é uma praga que fica à espreita, esperando o menor dos deslizes. Aguardando a recordação ruim dar uma passada de leve pela nossa infeliz cabecinha oca que, boba que é, ouve um tal de subconsciente – esse recalcado que insiste em guardar o que a gente tem que esquecer. Traumas, por exemplo. Tristezas. Decepções. É tudo parte da vida. A gente tem mais é que tirar lições desses momentos e cabô. Segue em frente, confiante. As novas e melhores chances sempre surgem. Não. Preferimos ficar às voltas com as dores e os receios de outrora.

Essa semana vi quatro amigos se auto sabotando escandalosamente. Sabe que não tem nada a perder. Sabe que tá projetando expectativas pessoais carregadas de dias que se foram que nada têm a ver com o presente. Sabe. Tá consciente. Mas prefere a via torta. A que tem certeza que vai machucar bem fundo, que vai trazer à tona o que já passou da hora de ficar bem resolvido. A que empurra para o precipício da chance desperdiçada.

A gente é esquisito demais. Teme ser feliz de verdade. Coisa estranha… Quando me percebo com o pé no processo de auto sabotagem, corro pra ler uma citação do Steve Jobs. É um trecho de um discurso que o empresário, criador da Apple, realizou para formandos da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos:

“Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que se tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.”

Se você tá pensando “puxa, agora já me auto sabotei”, calma. A vida é generosa em oportunidades. Mas vê se presta atenção! E seja amável consigo mesmo. Você merece.

Crédito da imagem: CSV