Das coisas que eu não entendo

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Por que uma mãe ou um pai perde um filho? Por que uma pessoa jovem adoece? Por que algumas pessoas acreditam de verdade que seus direitos e poderes são maiores do que os dos demais? Por que relacionamentos não são simples, fáceis, sem dor e nem dúvidas? Por que parte de nós não consegue ser honesto? Por que para tantos o trabalho se torna uma angústia? Por que somos facilmente manipuláveis? Por que refletimos pouco sobre o essencial e damos tanta importância para o que é tão vazio?

Por que, afinal, a gente não sabe de antemão o que acontece depois da morte?

Ando rebelde. Aos 35 talvez já nem fosse mais hora de pirar com perguntas existencias que não têm respostas prontas e certeiras. Só conceitos, suposições. Ou sequer elucidação. Minha amiga me desejou ontem Feliz Dia Internacional da Mulher, com a mais bonitinha das frases: “Um beijo especial para uma das mulheres – mesmo mantendo o coração de menina – que mais admiro.” O problema é que o coração de menina também tem lá suas desvantagens. Uma delas é questionar demais o que pra maioria é melhor deixar pra lá. A beleza e a desgraça do coração juvenil, simultaneamente, é querer entender tudo, custe o que custar.

Todas essas perguntas acima são de situações reais e recentes que aconteceram ou estão acontecendo na minha vida. Não saber ou não poder fazer algo concreto para resolvê-las me incomoda, me entristece, me desperta a amarga sensação de impotência. E nada pior para alguém acostumado a dar um jeito das coisas andarem do que se ver impotente.

O resultado são embates com Deus e com a Ciência. Nenhum dos dois – em quem eu sempre confiei tanto – vêm conseguindo acalmar meus nervos. Tô perdida.

Um amigo brincou outro dia comigo lembrando que a ignorância pode ser uma benção. Ele disse isso quando pedi que descobrisse o significado de dois pingentes que levo numa pulseira. São caracteres chineses (e ele estuda mandarim). Minha mãe quem me deu. Na ocasião, ela afirmou que o joalheiro explicou serem a representação de “Amor” e “Paz”. Mas meu amigo disse que não descobriria nada, não. Falou que o importante era a representação do presente dado pela mãe. E que se o significado não fosse o garantido pelo joalheiro que vendeu, eu ficaria decepcionada. Melhor não saber.

Faz sentido. Quanto mais você adquire conhecimento, mais sua visão do mundo, claro, é crítica. Você compreende meandros, ganha capacidade de análise das situações. Acaba também enxergando com lucidez o lado ruim da sociedade, das pessoas. O curioso é que tenho visto tanta gente bem instruída com posturas ignorantes, egoístas e limitadas… Então, eu entendo que conhecimento sem sensibilidade é que é o problema. Sem sensibilidade e generosidade no olhar não há inteligência que segure um discurso, um debate, uma visão.

Na outra ponta, o não saber, o ignorar, o desconhecer só é válido até a página dois. Acho perigoso se deixar guiar sem questionar, por mais sofrido que seja lidar com tantas perguntas rondando a cabeça. Quem aceita um mundo pela metade, vive uma falsa sensação de “proteção”. E mais dia menos dia, ela desmorona e o indivíduo se vê enganado. Prefiro a dolorosa liberdade de brigar com as coisas que eu não entendo.

Conheço uma senhorinha que mora aqui perto de casa que é rezadeira. Uma vez conversamos sobre dúvidas que me afligem. Ela disse que continuar questionando é um propósito importante. O que eu preciso é aprender a deixar o que é mistério ser levado pelo vento e focar no que tem solução. Juro que vou tentar. O problema é que pra minha teimosia se desfazer precisa de um vento na velocidade de um tornado.

Crédito da imagem: Matylda Konecka/ Cultura Inquieta

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4 respostas em “Das coisas que eu não entendo

  1. Muito bom! Tem um livro que indico que nos mostra exatamente esse lado que tanto queremos descobrir e não conseguimos. “Jesus Cristo: os Evangelhos, de Terry Eagleton, pensador e crítico literário. Acho que você irá gostar. Boa semana!

    • Verdade, querida Erika… só podia ser um pouquinho menos angustiante… rs…
      Mas vamos em frente! E parabéns pelo blog Baruquices, que já deixo o nome aqui registrado para que os leitores do Fale ao Mundo também conheçam. Mais uma fonte de inspiração bonita!! 😉 Bjão

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