Meu irmão e o Dia Mundial de Combate ao Câncer

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Ontem foi o Dia Mundial de Combate ao Câncer. No texto bonito abaixo, meu irmão, que descobriu um linfoma (o câncer do sistema linfático) em 2012 conta como foi enfrentar a doença, tudo o que ele aprendeu (nós aprendemos, a família junto). E como o 8 de abril passa a ser seu novo aniversário! Pra inspirar, pra gente dar valor ao que realmente importa! Porque todos nós enfrentamos, neste momento, batalhas pessoais. Mas, sim, de algum jeito, sempre vai existir um caminho para vencê-las. 🙂

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Por Alex Frutuoso

O 8 de abril passou. Dia Mundial de Combate ao Câncer. Dia que, por coincidência, um ano atrás, foi especial pra mim. Foi nessa data, numa das minhas consultas com a Dra. Rosane Rezende, que descobri que estava livre do linfoma. Hoje, sinto como se o 8 de abril fosse meu segundo aniversário. Ali, a partir daquele momento, comecei a viver de novo. Até porque, enquanto você está em tratamento, a sensação que se tem é que a vida está parada no tempo. O único objetivo é vencer a doença, não sobrando espaço na mente para imaginar como será depois que tudo passar. Onde eu iria trabalhar? Como iria me comportar diante das situações do cotidiano? Como reagiria frente aos mesmos problemas do passado?

Um ano depois, a sensação que tenho é que vivi aquilo tudo ontem. Mas, por mais paradoxal que seja, parece que foi apenas um sonho ruim, algo do qual não guardo recordações. É estranho, uma grande mistura de sentimentos. Foi sofrido? Foi, evidente. Saber que existe dentro de você um negócio de capacidade extremamente letal assusta, dá medo. Principalmente quando você tem um filho pequeno pra criar. Depois, no entanto, vendo o que outras pessoas em situação mais delicada do que a minha viviam, tinha vergonha de reclamar da vida.

No fundo tive muita sorte. A descoberta no começo, o bom tratamento que fiz, a sustentação de parentes e amigos, a fé que exercitei, tudo ajudou. E me fez recomeçar minha caminhada nesta vida. Do zero. Sim, serviu para alguma coisa. Serviu para me fazer entender que guardar rancor, discutir por se achar mais dono da verdade que os outros, ficar com raiva por coisas tolas, só nos envenena. A alma e o corpo. Me fez entender que os meus problemas eram apenas meus.

Temos o infeliz hábito de achar que quando algo de ruim nos acontece a culpa é da vida, é do azar, é do marido, da esposa, dos filhos, dos pais, dos irmãos, do chefe, e por aí vai. Não. A culpa de se viver amargurado é de cada um. Quem alimenta o espírito com coisas ruins somos nós mesmos. Mas, é sempre mais fácil transferir a responsabilidade. Deixar para trás o que lhe faz mal cabe apenas a você. É assim que penso. Não que hoje eu seja perfeito, um exemplo moral. Quase ninguém neste planeta é. Mas hoje eu me esforço bastante para ser melhor, para sorrir mais, para tentar viver a vida de forma mais leve. Nem sempre consigo. Mas tento.

Procuro também compartilhar nas redes sociais boas notícias sobre a prevenção e o tratamento do câncer. Mantenho até a página “Não pare, acredite” com esse objetivo. Escrever mais sobre o assunto é algo que faz parte de meus planos futuros. Não quero passar a sensação de um sentimentalismo barato. Sempre que for possível, entretanto, darei meu testemunho, até como forma de incentivo aos amigos que vivem o problema atualmente de forma direta ou indireta. Que Deus dê a todos vocês muita saúde. Sempre. É isso que importa.

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