Sobre as mensagens queridas que vocês me enviam

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Queridos, quero agradecer demais as mensagens que tenho recebido daqueles que me encontram via blog Fale ao Mundo. Alguns de vocês ficaram chateados comigo porque não os adicionei no meu Facebook. Não me entendam mal, não fiquem tristes, não. Por favor… É só que, no meu Face pessoal, prefiro manter apenas quem eu conheço também na vida real. É verdade que algumas pessoas que estão hoje lá não conheço pessoalmente. Mas são amigos e familiares de pessoas que me são muito, muito próximas. Me perdoem também a demora recente em responder as mensagens. Mesmo que eu demore um pouquinho, por questões profissionais e até pessoais, sempre vou responder. Seja inbox ou encaminhadas para o blog. Para quem deseja acompanhar as atualizações tem a fanpage com o nome do blog também. Aproveito para desejar bom dia e um fds bem bonito pra cada um de vocês. E como o assunto principal das oito últimas mensagens que respondi era “felicidade”, vale lembrar: as horas felizes sempre voltam. Podem acreditar. Obrigada pelo carinho. Desejo a vocês amor em dobro…

Crédito da imagem: Kit Básico da Mulher Moderna

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Fim

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Se a minha vida fosse um seriado americano já estaria na décima temporada, por aí. Eu ganharia um milhão de dólares por episódio. Certeza. Me sinto a própria representação de um entrelaçado de histórias. Minhas e de quem me cerca, de quem é de fato importante pra mim. Do drama à comédia, do romance ao suspense. Não posso reclamar de movimento jamais.

Mas nesses primeiros cinco meses de 2014, me superei. Parece que vivi uns três meses só no despedaçado mês de abril. Parece que lá se foram mais uns dois só nos primeiros 20 dias de maio. Minha alma precisa de calma. Ou termino o ano com cinco anos a mais do que deveria.

Coisas da vida. Fases inevitáveis. Aprendizados. Sem esquecer que, nesse exato momento, tem gente com lutas particulares maiores do que as minhas. As nossas. Então, que tudo ganhe a devida dimensão. Nem um pouco a mais. Nem um pouco a menos.

As duas últimas semanas, principalmente, foram emocionalmente marcantes para pessoas que são especiais pra mim. Teve quem resolveu falar umas verdades para o chefe. Outro que voltou de surpresa depois de uma jornada incrível por vários países. Alguém compreendeu que precisa colocar cabeça e coração em ordem urgente. Alguém mudou de trabalho e transforma agora muito mais do que só a profissão, mas uma parte da vida que conheceu até aqui. Alguém me surpreendeu e pediu perdão. E teve quem passou noites em claro velando a saúde de quem ama.

De alguma maneira, o que é emocionalmente marcante para cada um deles afeta/afetou diretamente a mim. Mesmo que nem todos saibam. Identificação e amor. Seja para estar ao lado mais uma vez, seja para uma despedida inevitável. Porque ciclos se fecham. O novo se apresenta.

Nesse vai e vem do destino, permanecem aqueles que são parte de todas as horas. Isso é certeza. Eles sempre estão lá, não importa a distância. Pode ser que permaneçam aqueles que antes eram só uma ponta da história e se tornaram protagonistas da temporada. Isso ainda não é certeza. Depende de certas capacidades, como a de transformar o profano em sagrado. De carinho e cuidado pelo tempo que cada um precisa.

O que dias tão instáveis, sentimentais, essenciais e exaustivos sempre nos ensinam é que, apesar de tudo, dá pra aguentar o tranco. Dá pra se recuperar. Mas é preciso compreender quando a palavra “fim” tá piscando em neon na nossa cara. Pra não prolongar o indevido. Fim da satisfação no emprego, fim de uma amizade, fim de um amor, fim de uma condição emocional, fim de um comportamento prejudicial, fim de uma crença, fim de um excesso, de uma ilusão.

Não dá pra abraçar o mundo. Não dá pra ganhar sempre. Não dá pra viver na dúvida. Não dá pra encaixar três meses em um. É humanamente impossível. Escolhas são necessárias. Finais também. Pra ninguém ficar triste, só lembrar que apesar da temporada chegar ao último episódio, quando a série é boa, tem continuação.

No meu seriado particular arrisco dizer que a próxima temporada começa com uma grande vitória, que custou à mocinha concentração e noites em claro. Mas deu certo. A primeira cena, então, é uma espécie de comemoração. Num lugar distante, ela afunda os pés nas areias claras de uma praia exótica…

O que eu desejo, portanto, a você que está aqui comigo agora, é que aceite os fins e acredite nos inícios. Espere um pouquinho, só um pouquinho… Só o tempo de descansar. Porque tudo vai recomeçar. E você ainda vai ser muito feliz.

***
A música que ouvi enquanto escrevia esse post foi essa aqui, ó: https://www.youtube.com/watch?v=Bw3tYiAFVfg

Crédito da imagem: Reprodução CSV

 

Dê tempo…

“Mas tudo passa, Blanca, tudo passa, acredite. É a coisa mais difícil do mundo e nada volta a ser como antes. Mas, no fim, e sei do que estou falando, chega a reconstrução. Você volta a se abrir para a vida, avança, progride. Assim transitei pelos anos desde então: dando minhas aulas e escrevendo meus livros, fazendo outros amigos e vivendo outros amores, voltando à Espanha algumas vezes todos os anos…”

Do livro “A Melhor História está Por Vir”, da escritora espanhola María Dueñas

O que a sereiazinha nos ensina sobre determinação

Eu tenho um baita pé atrás com os contos de fadas que ensinaram uma geração de mulheres a acreditar no príncipe encantado modelo perfeição. E que pra se ter valor na vida a única saída é encontrar um marido – custe o que custar e a qualquer preço. Às vezes, nem amando de verdade… Já vi acontecer.

Todo mundo quer amar e ser amado. Acho difícil que alguém não almeje viver uma relação bonita, feliz e saudável. Sempre me incomodei, no entanto, com as histórias da mocinha tão frágil e até meio boba que só enfia os pés pelas mãos (come maçã envenenada, espeta o dedo no fuso de uma roca, baixa a cabeça pra madrasta que a explora), cuja única salvação é o príncipe valente e que ainda precisa de empurrão de fada madrinha pra saber o que vestir.

Os tempos mudam e hoje Valente é o nome de uma princesinha corajosa e cabelão ruivo-rebelde. Ainda bem que a indústria do entretenimento se deu conta e criou uma personagem atual (sem perder a ternura), que serve de exemplo pra milhares de menininhas.

Mas ruivinha como a Valente, a princesa Ariel – mais conhecida como A Pequena Sereia – já era um bom exemplo quando eu tinha meus dez anos. Por muito tempo foi meu filme preferido. Também Ariel, no fim, só foi feliz porque conseguiu um príncipe pra chamar de seu. Não era, porém, o que mais me prendia a atenção na história. A sereiazinha era determinada! Ela queria mais do mundo! Ela queria respostas, queria conhecer o que era diferente. Era sagaz, inteligente, tinhosa.

Nunca esqueci da cena que posto aqui pra vocês, com uma musiquinha doce (que eu canto junto cada vez que ouço, admito, sei direitinho… rs…), com letra que até hoje me faz pensar: “Ariel, eu te entendo!”. A Pequena Sereia nos ensina que, no fundo, quando a gente quer dá um jeito. Seja o sonho que for, o desejo que for. Não há temor, falta de tempo, desculpa que impeça a gente de ir atrás do que é especial ao nosso coração. Pode não dar certo, é verdade. Mas precisa ser tentado.

Espero que a sereiazinha inspire todos nós nesse começo de semana. Pra que possamos ir atrás do que nos é caro, importante. Que completa nossa essência. Que ajuda nossa alma a ser mais completa e feliz. Pra ouvir alto. A letra é lindinha. 🙂

Céu de final de tarde no Dia das Mães

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Eu adoro céu de final de tarde. É das coisas bonitas que a vida nos dá, assim, de graça mesmo. É quase uma mensagem de “vai ficar tudo bem”, seja lá pelo que a gente venha passando. Céu de final de tarde acalma a alma, traz paz para o coração, até quando se tá no meio da tormenta. Pode ser com vento gelado de outono/inverno ou brisa morninha de primavera/verão.

Também adoro fechar dias importantes olhando para esse meu céu preferido. Quando é um final de tarde de Dia das Mães, em que tive a sorte e a felicidade de ter a minha ao lado, quando tantas pessoas não têm as suas, fica mais especial. Mas tem lá uma dorzinha de saudade… das minhas duas avós, que também foram mães pra mim.

Já não tenho aquele abraço macio das famosas mamães com açúcar. De uma que me levava pra comer pastel na feira; da outra que me levava pra comprar amendoim japonês. De uma que me fazia umas maria-chiquinhas no cabelo tão puxadas que ficava parecendo uma chinesinha loira; da outra que uma vez colou umas estrelinhas coloridas em mim com clara de ovo, nos braços e na testa, de tanto eu pedir. De uma que fui eu a arrumar a renda que cobria o corpo dela antes do caixão ser fechado. Da outra que no hospital, uns três dias antes de ir embora, colocou as mãos já fraquinhas ao redor do meu rosto, pra olhar bem e dizer “tão bonita”, com a doçura e sorriso leve que lhe eram peculiar.

Meu céu preferido hoje, visto da minha varanda, serviu também pra agradecer todas as grandes mulheres que passaram pela minha vida de maneira maternal. Ou são parte ainda. Agradecer por ter a minha mãe, ser um reflexo dela. Ter as minhas tias. Também as mães de alguns amigos, algumas professoras. Até amigas que vez por outra fazem esse papel (vocês sabem quem são). Agradecer, especialmente e infinitamente, pelas vozinhas queridas, Lourdes e Amélia. Que quando a casa tá pra cair, aparecem nos meus sonhos, às vezes juntas. Que eu quase conseguia sentir uma de cada lado meu na varanda, enquanto eu olhava meu céu preferido. E quem de vocês diria que, de algum jeito, elas não estavam…

Crédito da imagem: Suzane G. Frutuoso

Conhecimento

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Cotovelo na mesa, rosto apoiado na mão. Olhar baixo, direto para a xícara com macchiato duplo. Mexo meu café devagar com a colherinha, meio melancólica. Levanto os olhos. Na cadeira em frente, minha orientadora tenta me animar, com um sorriso leve, maternal, de quem já viu muito da vida. “Nem sempre é fácil. Mas produzir conhecimento tem um valor inestimável. Um valor que não será realizado por qualquer um, nem compreendido por todos. Ainda assim, você contribui com a sociedade, deixa um legado, pensamentos, que ajudam a construir novos caminhos. Até melhores caminhos. Mantenha-se firme.”

Era nosso último encontro antes da minha banca de qualificação. No mestrado e no doutorado, antes do exame com a banca final, é necessário se “qualificar”. Significa que uma banca precisa aprovar o que pesquisei até ali para que eu possa (ou não) seguir adiante. A boa notícia é que fui bem na qualificação. Gostei de saber que os principais adjetivos para o meu trabalho de mestrado foram “rico”, “bonito”, “sensível”, “bem escrito”. Falta pouco pra eu entrar para o time do Mestre dos Magos, do Mestre Yoda… rs… Brincadeira, gente…

Tem coisa pra melhorar, claro. Esse é outro objetivo. Os professores convidados a avaliarem minha dissertação apontaram o que devo aperfeiçoar antes da tese final. As observações positivas me animaram um pouquinho em meio a um mês de abril conturbado, cheio de dificuldades e dúvidas. E uma das dúvidas que me assaltavam é, justamente, se vale a pena tanto esforço para produzir conhecimento.

Ando com a sensação de que não importa quanto informações e pontos de vista coerentes estejam à disposição das pessoas para que reflitam sobre os rumos daquilo que as cercam. Existe uma rigidez em parte de nós, não só de princípios, mas de emoções, que elimina toda e qualquer possibilidade de empatia. Uma rigidez que, por exemplo, impede de nos colocarmos no lugar do outro. Ou de tentar compreender uma visão diferente.

Uma das coisas que mais aprendi com o blog foi a limitação de muita gente com interpretação de texto e noção de direitos. Alguns não entendem de jeito nenhum que um espaço no mundo virtual pode SIM expressar ideias diversas, contrárias ao que eles acreditam serem o “ideal”. Recebem como ofensa pessoal e partem para a completa ignorância, cegos na sua “certeza”. Basta ler os comentários escritos por internautas na sequência de notícias, artigos e reportagens em geral.

Outros tantos são incapazes de entender que, SIM, no texto que estão lendo há também aquilo que defendem!!! Não apenas o que defendem. Mas uma apresentação de opiniões variadas. O problema é que pra ser bom tem que ser só uma única visão fechada. A postura é tão assustadoramente enviesada que as pessoas não enxergam o óbvio.

Cito o que já aconteceu aqui no blog apenas como um exemplo. Mas no cotidiano essa falta de compreensão, de disposição para o entendimento de um mundo bem maior que nosso quintal, é recorrente. Por que, então, vou continuar a dar murro em ponta de faca? Por que tentar aprender agora pra daqui um tempo repassar conhecimento? Por que buscar, por meio das palavras e do debate de ideias, saídas, soluções, direções? E se não der em nada? E se as pessoas continuarem levando em conta apenas o que querem ver dentro de uma ótica mínima?

Apesar de tudo, do cansaço, do desânimo (e das dúvidas até, que permanecem) não vou desistir. Nem de virar professora, nem de ser pesquisadora, nem de continuar a escrever no blog (possibilidades que foram consideradas no auge do estresse). Mas preciso aprender a lidar com a frustração de saber que muita gente prefere permanecer na escuridão e que não há nada que eu possa fazer. Que o concentrar de esforços seja nos que estão dispostos a ouvir. Eles também existem. Não são poucos. Construir conhecimento é tarefa árdua, com resultados demorados. Ainda assim, prefiro a angústia dos passos bem curtos do que a omissão e a acomodação dos que apenas reclamam. Ou da estupidez veloz dos que agem com violência. Dos que a pregam também.

Crédito da imagem: Creative Commons