Abandone a “playtriste”. Estamos em festa!

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Atire a primeira pedra quem nunca chorou baixinho, no quarto escuro, com a cara enfiada no travesseiro enquanto ouvia AQUELA música. Sobre a letra, uma certeza: “Foi escrita EXATAMENTE para o momento que tô vivendo, para o que sinto! Eu sei!”, é o que você pensa.

Sou a favor da fossa. De curtir dias (e noites) de lágrimas nos olhos, andar arrastado pela casa e a dificuldade de não enxergar graça em nada no mundo. Seja pela perda que for. De amor, de paixão, de paixonite, de cisma, de amizade, de trabalho. Por se deparar com decepção, por perceber um engano. Cada tristeza com suas devidas dimensões, claro. Que é sempre bom lembrar que tem gente enfrentando batalhas maiores que as nossas. Mas estamos todos brigando com desafios pessoais, sobre os quais ninguém (ou poucos) sabem. Quando junta tudo, vira o tsunami. Então, o direito de sofrer é legítimo.

E só uma boa música (ok, nem sempre boa, às vezes é cafona mesmo) pra ajudar a ir fundo na melancolia. A playlist vira “playtriste”. As canções são escolhidas a dedo e se tornam a melhor companhia. Dizem TUDO que não somos/fomos capazes de dizer, de bom e de ruim.

Eu te entendo.

Mas mude o disco.

Sou a favor da fossa como processo de “luto”, de compreensão do que foi vivido, de aprendizado. Pra seguir em frente. Pra ao menos tentar não cair no mesmo erro. Ou minimizar o erro ou a cegueira da próxima vez. Mas nunca, jamais, para paralisar a vida. Se paralisa, se nada mais importa, se relações e atividade ficam comprometidas pela tristeza, algo não encaixa. Na verdade, pode ser mais grave e você precisa de ajuda especializada (falo melhor disso no próximo post).

Uma coisa que posso garantir: com a idade a fossa dura menos! Primeiro, porque você já aprendeu o que é problema grave, de verdade. Segundo, porque você aprendeu que o tempo por aqui não é infinito, passa rápido. As horas boas batem à porta com frequência. A gente só precisa de disposição para abrí-la. Que tal aproveitar que estamos em festa? Tá tendo Copa. E tá animado! Dá uma chegada no bairro boêmio de alguma cidade que recebe os jogos. No mínimo, você vai dar boas risadas e ouvir umas graças nos mais diversos idiomas.

Abandone a “playtriste”. Não porque sua dor não é importante. Como escrevi uma vez aqui, tem dia que dói. Mas não precisa doer o dia todo e nem todo dia. Abandone a “playtriste” porque chegou a hora de você dar valor a tudo que conquistou e a todos que fazem questão de te ver feliz.

Crédito da imagem: Kit Básico da Mulher Moderna

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