A coragem de ser imperfeito

No começo do ano ganhei de aniversário de uma amiga o livro “A coragem de ser imperfeito”. Eu havia comentado que gostei da palestra da autora, a pesquisadora Brené Brown, da Universidade de Houston, nos Estados Unidos, que assisti no YouTube. Durante anos, ela estudou as características de quem sabe aceitar as próprias vulnerabilidades, sem se fazer de vítima, e, assim, também ser capaz de assumir diante da sociedade quem realmente se é. Menos preocupado com estereótipos, ideias de status, máscaras e afins. Mais atento e fiel aos desejos sinceros que todos nós temos lá no fundo do coração. Autenticidade.

Minha amiga achou que eu sempre tive coragem de assumir que estou longe da perfeição sem fazer disso o maior problema da minha vida. Isso não significa não querer melhorar em muitos aspectos. Mas saber que tem hora que suficiente é ótimo, que não dá pra agradar todo mundo o tempo todo, que eu não preciso suprimir pontos essenciais da minha personalidade para ser aceita por quem quer que seja. E também admitir erros, pedir desculpas/perdão quando necessário.

Li o livro recentemente. Não concordo com alguns pontos de Brené. Acredito, porém, que possa ser uma ajuda fundamental para que as pessoas compreendam mais a maneira como se colocam no mundo em muitos aspectos. Abaixo, reproduzo o prólogo do livro. No vídeo está a palestra que me chamou a atenção. Infelizmente, só encontrei esse trecho legendado em português. A apresentação completa, com pouco mais de 20 minutos, está em inglês e também é fácil achar. Espero que gostem. Porque se existe algo precioso é a capacidade de assumir quem somos, seguir com a consciência tranquila e a alma em paz.

Não é o crítico que importa; nem aquele que aponta onde foi que o homem tropeçou ou como o autor das façanhas poderia ter feito melhor. O crédito pertence ao homem que está por inteiro na arena da vida, cujo rosto está manchado de poeira, suor e sangue; que luta bravamente; que erra, que decepciona, porque não há esforço sem erro e decepções; mas que, na verdade, se empenha em seus feitos; que conhece o entusiasmo, as grandes paixões; que se entrega a uma causa digna; que, na melhor das hipóteses, conhece no final o triunfo da grande conquista e que, na pior, se fracassar, ao menos fracassa ousando grandemente. – Trecho do discurso ‘Cidadania em uma República’ (ou ‘O Homem na Arena’), proferido na Sorbonne, por Theodore Roosevelt, em 23 de abril de 1910.

As palavras do ex-presidente americano ecoam tudo o que aprendi em mais de uma década de pesquisa sobre vulnerabilidade.

Vulnerabilidade não é conhecer vitória ou derrota; é compreender a necessidade de ambas, é se envolver, se entregar por inteiro. Não é fraqueza. E a incerteza, os riscos e a exposição emocional que enfrentamos todos os dias não são opcionais. Nossa única escolha tem a ver com o compromisso. A vontade de assumir os riscos e de se comprometer com a nossa vulnerabilidade determina o alcance de nossa coragem e a clareza de nosso propósito. Por outro lado, o nível em que nos protegemos de ficar vulneráveis é uma medida de nosso medo e de nosso isolamento em relação à vida.

Quando passamos uma existência inteira esperando até nos tornarmos à prova de bala ou perfeitos para entrar no jogo, para entrar na arena da vida, sacrificamos relacionamentos e oportunidades que podem ser irrecuperáveis, deperdiçamos nosso tempo precioso e viramos as costas para os nossos talentos, aquelas contribuições exclusivas que somente nós mesmos podemos dar.

Ser ‘perfeito’ e ‘à prova de bala’ são conceitos bastante sedutores, mas que não existem na realidade humana. Devemos respirar fundo e entrar na arena, qualquer que seja ela: um novo relacionamento, um encontro importante, uma conversa difícil em família ou uma contribuição criativa. Em vez de nos sentarmos à beira do caminho e vivermos de julgamentos e críticas, nós devemos ousar aparecer e deixar que nos vejam. Isso é vulnerabilidade. Isso é a coragem de ser imperfeito. Isso é viver com ousadia.”

Anúncios

Tô voltando, gente! :)

Queridos,

Vocês devem ter percebido que não escrevo aqui no blog há mais de um mês. É reta final do mestrado e o tempo ficou curto. Também surgiram novos desafios profissionais e pessoais. Então, tive que dar uma distanciada. Mas em breve tem textos novos, ideias idem e reflexões para a vida de todos nós… Me esperem! Não vão embora! 🙂 Logo nos “lemos”. Espero que estejam bem. E para o que não estiver tão bem assim, só nunca esquecer: tempestades não duram para sempre.

Bjos com carinho