Aquela música

Hoje foi dia de dar arrumada de fim de ano no guarda-roupa. Mandar embora o que não uso mais sempre traz sensação de leveza, de colocar a vida em ordem, de abrir espaço para coisas novas, não só materiais, mas emocionais também.

Pra embalar o trabalho, ouço música. Do rock pesado à balada romântica, passando por sons instrumentais, minha trilha sonora particular é, modéstia parte, digna de seriado americano ou vencedora de Oscar. É sempre a música também que marca momentos. Lembro exatamente, por exemplo, do que eu ouvia na manhã do meu primeiro dia de aula da faculdade. Lembro da música que tocava quando me avisaram que meu padrinho havia falecido (e até hoje tenho dificuldade de escutar essa, que é uma canção de Bruce Springsteen). Lembro bem daquelas que curti fossa por causa de alguém e, principalmente, das que ajudaram a me recuperar e seguir em frente sem olhar pra trás.

Mas nessa tarde, depois de meses com receio de colocar pra tocar a música aí acima que fechou um ciclo importante (e me levou às lágrimas e a um dos posts mais especiais aqui do blog), resolvi escutar de novo e entender, agora com distanciamento, cortes cicatrizados e dificuldades vencidas, porque ela foi especial. Porque aquele período foi especial e fundamental pra ajudar mais um pouquinho na evolução de quem eu sou.

Se há pouco mais de seis meses era uma letra que me levava a questionar tanto o que eu tinha feito e vivido até ali, nesse finzinho de dezembro, quase um novo ano, foi a canção certa, primeiro, para ter aquela sensação boa de que as dores realmente passam (ou automaticamente, ao ouvir a música, eu sentiria tristeza novamente). Segundo para, mesmo que em pensamento, eu me sentir capaz de perdoar e pedir perdão. Terceiro, para perceber, mais uma vez, que nada é permanente… Depois de dois finais de ano difíceis, finalmente há mais leveza e tranquilidade nos meus dias.

Nesse 2015 que logo chega, desejo que você também seja capaz de ouvir aquela música… Aquela, que marcou tanto… Que, de repente, até machucou… E que passe a ser apenas mais uma música bonita… Ou que você possa entender na letra novos e melhores significados… Se não, ainda não dá pra escutar, deixe ela lá, quietinha, longe dos fones de ouvido ou das caixas de som… Um dia, será fácil… Talvez, muito em breve… O novo ano ano está aí para isso: transformar mágoas, seja quais forem, em grandes e melhores amores, em todos os sentidos… E sempre haverá uma música para ajudar nisso…

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Nos detalhes

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Eu estava cansada, bem cansada naquele dia… Era muita coisa por resolver, em pouco tempo, e dependendo da compreensão de pessoas chaves. E pra não prejudicar a confiança que outras tantas depositaram em mim. Como eu estava cansada aquele dia… Sabe quando bate um desânimo? Mas o universo, no fundo, sempre está lá, dando os sinais de que tudo vai dar certo. Que o importante é reparar que tem boniteza pra olhar, se inspirar e seguir em frente a cada minuto.

Amuada no táxi que me levava correndo de um compromisso a outro, com o olhar vago atravessando a janela do carro, pensando quais seriam as saídas possíveis, aproveito para observar a vida que corria pelas ruas do Jardins, em São Paulo, com mais atenção. Quem sabe, assim, a mente desanuviava um pouquinho…

Esperando o semáforo da Alameda Santos abrir, vejo o rapaz estacionar a moto e tirar o capacete com o maior sorriso do mundo no rosto. O sorrisão era pra moça de cabelo castanho e cacheado, que sorria de volta, e que ganhou logo um abraço apertado e daqueles beijos de cinema ali mesmo, na calçada do Pão de Açúcar. Era tanto amor, tanto carinho, tanta felicidade a dos dois que sorri junto.

Mais a frente, já quase entrando em outro bairro, observo o morador de rua, na companhia de um fiel cachorrinho, ajeitando sua árvore de Natal. Partiu o coração… Mas também achei de uma delicadeza a preocupação dele em ter o símbolo dessa época em condições que nos parecem adversas mas que, para ele, é seu espaço, seu lugar. E se é assim, por que não enfeitar com o colorido de uma bela árvore natalina?

Já chegando a meu destino, vi os detalhes de uma terceira cena graciosa. O pai coloca sua menina nos ombros e corre com ela gargalhando, enquanto desvia de quem passa pelo caminho. Cara de começo de férias. Cara de um pai que ama sua pequena. Cara de uma pequena que um dia guardará as melhores lembranças do pai.

Nos detalhes. A inspiração pra gente seguir em frente, tomar coragem, dar a real dimensão dos nossos problemas está nos detalhes. Está no observar com mais carinho o que nos cerca. Claro que há muita tristeza também ao redor, coisas erradas, situações injustas. E não podemos nos acostumar com o ruim como se fosse o normal. Temos que fazer nossa parte para melhorar a sociedade que tem tanto a evoluir.

Mas nos detalhes… Olhe os detalhes e nunca esqueça que, apesar dos problemas, há muita poesia a ser apreciada a cada dia.

Crédito da imagem: Creative Commons

Espere

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Há um ditado que diz que a dúvida corrói. Para ansiosos, como eu, que lutam contra uma natureza preocupada, ficar em dúvida beira o martírio. Mesmo quando a dúvida é boa. Sabe aquela história de quando o problema é bom? Que todas as alternativas parecem interessantes e podem render coisas legais e alegrias no futuro? Pois é… Claro, melhor do que ter que tomar decisões dolorosas. Mas o problema bom também angustia um pouco. Afinal, como saber se a escolha tomada é de fato a melhor?

Simplesmente, não dá pra saber. Talvez intuir. Perceber alguns sinais, que nada tem a ver com o esotérico, mas que casam melhor com nossos valores, crenças, desejos sinceros e sonhos escondidos. Vale também quando a escolha é dura. No fundo, a gente sempre sabe a resposta. No fundo, os sinais estão sempre lá.

A questão é que por vezes os sinais vêm encobertos por uma “névoa”. Alguma confusão. Então, espere. A saída é esperar. Pode parecer comodista. Só que em certos momentos é preciso dar um tempo para que mais seja percebido, analisado, demonstrado. Sou super a favor da gente batalhar pelo que quer. O “prêmio” da batalha, porém, pode vir “errado” se a escolha for afoita. Saber esperar pode transformar o que era apenas uma sensação na mais doce certeza.

Crédito da imagem: Casal Sem Vergonha

Não viva no “quase”

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Ah, eu queria tanto… Queria fazer a viagem dos meus sonhos. Queria dizer a ela o quanto a amava. Queria aceitar o emprego com o qual eu alcançaria todas as metas pessoais e profissionais que desejei. Queria fazer aquela loucura que traria felicidade. Queria ter um MBA, estudado francês, aprendido a dançar. E como eu queria coragem. Pra tanta coisa… Como eu queria…

Você já deve ter ouvido esse tipo de frase aí acima muitas vezes. Provavelmente, já disse algumas delas. Só espero que não tenha dito com frequência. Pior ainda se for sempre, se for um mantra seu. Se for, a primeira coisa que te desejo nesse último mês do agitado e marcante ano de 2014, preparação para um novo tempo que vai chegar, é que você pare, por favor, de viver no “quase”.

O “eu queria” esconde um “quase” por trás. Esconde aquelas vontades suspensas que poderiam ter mudado a vida pra melhor. Nada mais angustiante do que a bola na trave quando tá na cara que se pode perder um jogo. Quase? Quase nada! Vai lá ver no que pode dar! Esquece o que os outros vão pensar e foca no que pode transformar sua cabeça, seu coração.

Eu sei. Nem sempre é fácil. Talvez uma situação dependa de outra, e assim por diante. Mas as saídas existem. Pode acreditar. Mais vale causar uma tempestade nas certezas pra descobrir novas possibilidades do que se contentar com a calmaria aparente das situações cômodas. Você merece mais. O melhor. E não a lamentação de repassar seus dias e perceber que… quase. Você quase foi feliz…

Crédito da imagem: bonitasmensagens.com.br