Já viveu hoje?

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Entre muitos momentos felizes e de bons inícios que esse 2015 já me reservou (e, desde já, obrigada universo), o primeiro mês do tempo que começa agora veio também com uma baita lição de vida. Dolorosa. Bem dolorosa… Uma amiga morreu de câncer aos 38 anos… Ela vinha lutando contra a doença há pouco mais de um ano.

Trabalhamos juntas em um jornal, tivemos nossas diferenças, gargalhamos e brindamos na balada. Ela me ajudou na edição de textos meus e conversou comigo sobre situações que a gente precisa viver e entender. Gostava do samba e do carnaval. Tinha sorriso fácil. Sabia aproveitar cada minuto.

Quando ficou doente e enfrentou problemas burocráticos com o plano de saúde, trocamos figurinhas. Sabia que eu já tinha brigado muito com convênio e fuçado tudo e mais um pouco nos hospitais e com os médicos quando meu irmão também esteve com câncer, outro tipo (hoje ele está bem).

Acompanhei os estágios da doença dela. Hora melhor, hora pior. No fundo, eu sabia que se tratava de um câncer raro e isso dificultava tudo. Mas nunca imaginei que uma despedida seria tão já… Ela se foi há uma semana. Quatro dias antes, trocamos mensagens de feliz ano novo e votos de alegrias e saúde…

“Já viveu hoje?”

Por duas vezes, nas conversas que tivemos, ela me fez essa pergunta. E eu parava pra pensar se realmente tinha vivido, se aquele meu dia valera a pena. Me ajudou, nos últimos meses, a sempre pensar mais sobre isso. É difícil demais entender que uma pessoa jovem e cheia de alegria tenha que ir embora. Mas que bom saber que ela aproveitou com amor e energia o que o mundo nos entrega de melhor.

E que seja, então, essa a nossa primeira reflexão do ano. Não esqueça dessa pergunta simples, mas essencial: já viveu hoje? Não sabemos de quantos dias, meses, anos é o nosso destino, nossa trajetória por aqui. Tudo continua em outro lugar, melhor do que esse? Não sei dizer… Tem um lado meu que acredita que sim, muitas pessoas acreditam sem duvidar… Eu ainda sou da turma do “não sei, assim espero”.

Seja como for, viva hoje, viva bastante. Diga quanto ama alguém, abrace apertado. Invista mais em experiências e menos no que é simplesmente material de ostentação. Agradeça quando houver sol, agradeça quando houver chuva. Esteja presente. Enxergue a felicidade não só nos grandes momentos, mas também no que é simples, como acordar com um beijinho na testa, rir junto com os amigos, admirar o sol se pondo ou os raios da tempestade cortando o céu. Ter saúde para carregar as compras do supermercado ou assistir um filme no sofá confortável. Dar um mergulho no mar ou começar um domingo pedalando devagarinho em boa companhia. Tomar café. Tanta coisa boa…

Que essa pergunta rápida e poderosa seja o mantra que guiará nosso 2015, a nossa vida…

Crédito da imagem: Suzane G. Frutuoso

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