“Amei e fui amado; doei-me e muito me foi dado; eu li, viajei, pensei e escrevi”

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Pouco depois do carnaval correu a triste notícia de que Oliver Sacks, escritor, neurologista e professor do curso de medicina da Universidade de Nova York, tem poucos meses de vida. Foi ele mesmo quem anunciou em uma comovente carta publicada no jornal The New York Times (a íntegra você pode ler aqui). Há nove anos lutando contra o câncer, afirmou no texto que já não havia mais nada a fazer contra a metástase.

Sacks é daquelas entrevistas que não tive a oportunidade de fazer. Tentei algumas vezes, quando trabalhava em uma das principais revistas semanais do país. Não consegui. Sempre o admirei por sua contribuição à ciência e por alguns de seus livros que li. Sempre esteve na minha lista daquelas pessoas com quem eu gostaria de sentar com calma numa tarde qualquer para uma conversa longa, entre um gole e outro de café.

Ele é autor de grandes obras como O Homem que Confundiu sua Mulher com um Chapéu e Tempo de Despertar – que inspirou o filme homônimo estrelado por Robert De Niro e Robin Williams.

Aprendi muito com as ideias de Sacks. Tenho certeza que tantos outros de seus leitores também. E até no final, enfrentando uma doença terminal, ele é capaz de me ensinar com sua carta de adeus.

Deixo pra vocês alguns trechos da carta de levar às lágrimas e que nos (re)desperta para o que realmente tem valor no fim de tudo, quando estivermos para acabar…

“Agora, cabe a mim escolher como viver os anos que me restam. Tenho que viver da maneira mais rica, intensa e produtiva possível (…)”

“Nos últimos dias, pude ver minha vida de outro ângulo, como uma paisagem, e com um forte senso de conexão entre as partes. Isso não significa que me entreguei. Pelo contrário, me sinto intensamente vivo, e eu quero e espero, no tempo que me resta, aprofundar minhas amizades, me despedir das pessoas que amo, escrever mais, viajar se eu tiver forças, e alcançar novos conhecimentos. Mas também haverá tempo para um pouco de diversão (e até algumas tolices).”

“Eu me sinto feliz por ter usufruído mais nove anos de boa saúde e produtividade desde o diagnóstico original, mas agora estou face a face com a morte.”
“Tenho um novo senso de perspectiva. Não há tempo para o que é trivial. Tenho que focar em mim, no meu trabalho e nos meus amigos.”

“Isto não é indiferença, mas desapego — ainda me importo com o Oriente Médio, com o aquecimento global, com a igualdade, mas estas coisas não são mais para mim, elas pertencem ao futuro. E eu fico feliz de ver jovens talentosos — como o que diagnosticou minha metástase. Sinto que o futuro está em boas mãos.”
“Não posso fingir que não tenho medo. Mas meu sentimento predominante é a gratidão. Eu amei e fui amado; doei-me e muito me foi dado; eu li, viajei, pensei e escrevi. Eu me relacionei com o mundo, o relacionamento especial entre escritores e leitores. Acima de tudo, eu fui um ser humano ciente, um animal pensante, neste belo planeta, e só isso já foi um enorme privilégio e aventura.”

Crédito da imagem: Creative Commons

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