Há um ano

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“Abril já concorre a pior mês de 2014”. Esse era meu pensamento em uma quarta-feira de abril do ano passado. A vida andava difícil. Bem difícil. Sobrecarregada de trabalho e com relações profissionais envolvendo gente complicada demais; ajustes que pareciam infinitos na minha dissertação de mestrado prestes a entregar; coração desanimado; saúde emocional por um fio influenciada por acontecimentos estressantes e sofrimentos ocorridos em meses anteriores.

De fato, foi o pior período daquele ano. Depois de uma fase que não parecia poder piorar, a corda foi lá e arrebentou de vez. Mas como disse uma amiga na ocasião, “fundo do poço tem mola só pra gente pegar impulso e subir de novo”. Não poderia fazer mais sentido. Quando eu quase tive pena de mim mesma, quando novamente me vi recorrendo à ajuda da terapia anos após meus demônios parecerem enterrados em um divã anterior, os nós se desfizeram. Coisas boas chegaram.

Não significa que novas batalhas serão inevitáveis. Nem mesmo que as sensações de realização e de felicidade serão eternas. A flutuação é inevitável. É possível até que decepções dêem as caras e a fé fique abalada de novo. Quem garante? Não existem garantias, por mais angustiante que essa conclusão pareça. A diferença é que agora me vejo consciente do que vale a pena lutar ou não. Do que merece minha preocupação ou não. Que nada é perfeito, tudo tem solução e é preciso paciência pra entender o tempo do tempo.

O que aquele abril de 2014 mostrou é que, no fim, a gente consegue. Mãos amigas serão estendidas, alguém acolhe e ajuda a enxugar lágrimas, há quem não nos deixe esquecer quanto somos importantes e amados. O fim de certas situações são, na verdade, libertações.

Reconstrução do que vale restaurar. Construção nova para o que foi derrubado sem mais lá precisar estar.

E o que abril de 2015 ensina é quando a vida parece ter se tornado mais um intervalo, é apenas um recado do universo pra aproveitar a calmaria. Sem pressa. Um dia depois do outro. Com planos, sim. Com desespero, jamais. Com muito afeto. Porque todas as coisas boas e bonitas continuam ali, à espreita.

Crédito da imagem: CSV

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