Confie na vida

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Nestes tempos em que tudo parece ser rápido e frágil demais, as mudanças assustam além do que deveriam. Mudar é bom. Traz evolução, ajuda a gente a se desafiar, a crescer, a aprender coisas novas, a se adaptar. Recomeçar. Mas a velocidade insana com que as mudanças hoje acontecem no nosso cotidiano tão moderno, também causa angústia, medo, ansiedade, esgotamento e muita dúvida. Fiz as escolhas certas até aqui? Encontrei a minha turma? Esse é meu caminho? O que dá pra voltar atrás? O que ainda dá pra aprender? Quando é a hora de arriscar? Como confiar?

Todas essas perguntas, em algum momento, eu já me fiz. Em geral, no meu caso e curiosamente, elas aparecem em momentos pós-crise-furacão. Dentre várias crises pessoais e profissionais que meus 36 anos já me impuseram, percebi que na hora que a chaleira tá fervendo costumo ter duas reações: ou eu fico sensível demais e meio paralisada, precisando de um empurrão, ou saio resolvendo tudo pela frente, feito um trator, sem perguntar nada pra ninguém. Até mistura um pouco das duas situações. Primeiro, aquela bodiada. Depois, me sentindo capaz de escalar a maior das montanhas.

Só, então, vêm as perguntas. Sim, eu deveria fazer os questionamentos e depois tomar as decisões. De vez em quando, eu consigo. Mas tem hora que o que a gente precisa mesmo é confiar na vida e deixar ela virar tudo de cabeça pra baixo. Ela sempre nos traz o melhor. É ir em frente, sem pensar demais, sem olhar pra trás. Mesmo que, a princípio, a mudança exigida pela vida venha disfarçada de algo ruim, triste, de uma perda, de uma decepção. Na verdade, o sofrimento pode ser uma iluminação. A dor pode forçar a gente a enxergar o que não quer ver, que não serve mais, que acabou e não se deve insistir.

No fim, apesar dos nossos planos, que devem sim ser traçados mas sem rigidez, a vida sabe o que faz. Pra ser feliz, tem horas que é preciso parar de pensar muito. Pensa depois. Eu sei, não parece o melhor dos conselhos. Mas tem horas que só o impulso desmedido salva.

Crédito da imagem: CSV

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