Crise de ética e caráter

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No auge dos meus 18 anos, quando havia uma eternidade de vida por construir e conquistas infinitas a realizar, eu ficava um pouco aborrecida quando minha vó se mostrava pessimista. Ela dizia que, por mais que a gente mantivesse a fé e a esperança nas situações e nas pessoas, as experiências nos endureciam um tanto.

Na arrogância de quem ainda não viu nada, de quem tinha um cotidiano protegido pela família classe média, pela educação particular e pelos amigos que em sua maioria viviam a mesma realidade, eu achava que minha vó se apegava demais às más lembranças, às mágoas, sem saber reconhecer o lado bom das coisas.

Quase 20 anos se passaram. Minha vó não está mais aqui pra conversar comigo sobre as durezas que a vida impõe. Mas suas palavras daquele tempo andam mais frescas do que nunca em minha memória.

2015 não será lembrado como um ano fácil, definitivamente. Foi para os fortes, arrisco dizer. A crise econômica e política que assola o país, de várias maneiras, reflete no nosso micro mundo com intensidade. O resultado é que tenho visto muito mais “salve-se quem puder” e “os fins justificam os meios”.

Nosso poder de compra caiu, e levou junto a confortável segurança de quem conta com um mercado de trabalho aquecido, com salários justos e dinheiro suficiente para o prazer e as emergências. Assistimos com desgosto duelos entre ratos que chegaram ao poder e conduziram nossa sociedade para dias piores com tanta corrupção (mas ainda acredito ser melhor assistir essa bandalheira do que saber que está tudo encoberto e em franca continuação).

Para deixar o horizonte mais nebuloso, parece que parte considerável das pessoas se inspira nesse cenário de horror do Brasil para serem também elas agentes da falta de ética. Tão grave quanto a da conduta de nossos políticos. Vivemos, sim, uma crise política e econômica. Vivemos também uma crise de caráter nas relações pessoais e profissionais.

Gente que sacaneia a pessoa amada como se fosse só uma mera diversão marota; amigos virando inimigos mortais por visões políticas; profissionais se sujeitando a boicotar serviços, clientes e superiores por mando de alguém com interesses escusos. É a promessa rompida, a palavra inválida, a mentira defendida com teatro. Que tristeza… Como chegamos a esse ponto? Será que parte de nós sempre foi assim ou nos influenciamos demais pelos acontecimentos?

Então, entendi, minha vozinha tinha lá as razões dela, não estava errada. Claro, não podemos viver limitados pelo pessimismo e a falta de esperança. Vamos é ser bem fortes contra tanta coisa ruim e gente duvidosa espalhada por aí. Ainda acredito nas pessoas até que me provem o contrário. E caso esse contrário fique provado é corte na raiz e pronto. Apesar de tudo, a vida também mostra que sempre há muita gente bacana pelo caminho e ao nosso lado que não nos deixa desabar.

E que a crença em dias melhores prevaleça. ❤

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